Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Viagens na minha terra

Como é da tradição, esta Páscoa fui à terra. Vocês sabem que sou das que ‘vai à terra’.

Fui de carro só com Mana Querida, mais o meu animal, na 4ª feira ao final da tarde. Saímos do Barreiro por volta das 5 e meia, parámos em Aveiro para comer e chegámos à terra pelas nove da noite, depois de apanharmos um nevoeiro cerradíssimo na A25.

Os caminhos dentro da aldeia são um bocadinho apertados, por isso, Mana Querida não gosta de estacionar a viatura ao pé de casa. A única vez que tentou ficou sem um espelho, por isso, deixa sempre o carro na casa de uma prima e depois alancamos com as trouxas todas às costas, até casa. Já vos disse que o meu animal pesa quase 10 quilos, não já? E conseguem imaginar que duas gajas que vão passar 5 dias fora de casa, por muito contidas que sejam (que somos!) arranjam sempre sacos, saquinhos e saquetas de coisas e coisinhas, não é?

Sr. Meu Pai foi ajudar-nos a carregar tudo. Quase a chegarmos a casa diz: ‘sabem o que isto me faz lembrar? Os tempos em vínhamos de comboio e o táxi deixávamos no jardim e depois tínhamos que vir com as malas todas até casa…’

Tantas recordações desse tempo. O tempo em que ‘ir à terra’ significava andar um dia inteiro em transportes, em vez de 4 horas de carro sempre em autoestrada, sempre nas calmas, sem stresses.

A odisseia começava nas vésperas da viagem, quando Sr. Meu Pai ia à Estação do Barreiro, comprar os bilhetes de comboio. Tínhamos duas malas para a roupa, uma era bege (com o tempo acabou por ficar meio acastanhada) e a outra era aos quadrados vermelhos e pretos. Sr. Meu Pai levava as malas. Sra. Minha Mãe levava a sua carteira, o saco do farnel e a minha irmã (ao colo ou pela mão). Eu, sendo a mais velha, tinha instruções precisas para agarrar a asa de uma das malas da roupa e ‘…não largas’.

O dia da viagem começava ainda noite escura. Apanhávamos um táxi à porta de casa, que nos levava até à estação dos barcos do Barreiro. Um barco que nos levava até Lisboa. Um táxi que nos levava até à Estação de Santa Apolónia. Um comboio que ia para o Porto, que nos deixava em Aveiro.

Na estação de Aveiro, já como 4 ou 5 horas de viagem, ‘começava’ a parte mais rocambolesca da viagem. Esperávamos por uma automotora (vermelha) que seguia pela Linha do Vouga. Aqui tenho algumas dúvidas, não me lembro se era sempre assim, mas muitas vezes lembro-me de sair na estação da Sarnada (ou Sernada?) onde esperávamos por outra automotora mais pequena (azul escura) que nos levava até à estação de S. Pedro do Sul. As duas estações estavam separadas por 50 ou 60 Km. A viagem era feita a uns estonteantes 30 ou 40 Km/hora e sempre, mas SEMPRE, a apitar… era o verdadeiro ‘pouca terra, pouca terra… piii… piii… pouca terra, pouca terra… piii… piii…’.

LinhaVouga-Distancias-Altitudes.jpgautomotora.jpg

Finalmente chegávamos à estação de S. Pedro do Sul, onde apanhávamos outro táxi que nos levava até ao tal jardim da aldeia, onde agarrávamos nas trouxas e seguíamos a pé até casa dos meus avós… era sempre a subir. Se tudo corresse bem, sem grandes atrasos, chegávamos a tempo de Sra. Minha Mãe ajudar a minha avó a fazer o jantar.

Imagens que não esqueço destes tempos: 

Os comboios sempre muito cheios de gente (era quase como andar no Metro de Lisboa na hora de ponta)...

Pessoas dentro do comboio que recebiam as malas que eram enfiadas pelas janelas das carruagens...

As velhinhas que entravam na automotora azul trazendo as cadeiras das salas de espera das estações, para garantir que faziam a viagem sentadas...

Os olhos que Sra. Minha Mãe deitou a uma velha malcheirosa que entendeu que também cabia no mesmo lugar onde EU estava sentada ‘ai, filha que não posso das minhas pernas’ e quase me enterrou debaixo do seu ENORME rabo…

aquela vez que ficámos na tal estação da Sarnada (ou Sernada?) e a automotora nunca mais chegava e era hora de almoço e estava calor e estávamos os quatro com uma fome 'de comer um boi com cornos'... e finalmente chegou e entrámos de rompante e Sra. Minha Mãe saca do tupperware e era frango frito e estava divinal…

4 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

imagem de perfil

Blogs Portugal

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Facebook

Follow

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D