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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #33

Ontem. Viagem de regresso a casa.

Metro, linha vermelha. Duas jovens (muito jovens). Uma delas estava super entusiasmada a contar à amiga uma descoberta fenomenal que tinha feito:

“não… vais ao chinês e compras um destes chapéus de chuva pequeninos, dobram-se todos… até trazem uma bolsinha para poderes guardar na mala, mesmo molhado e têm esta alcinha no cabo para poderes pôr o chapéu preso no pulso… assim já não perdes…”

 

Metro, linha azul. Comboio cheio, jovem vem a segurar com uma mão um trólei e a tentar equilibrar-se para não cair em cima de ninguém porque a outra mão está muito ocupada a segurar o telemóvel junto ao ouvido. Conversa em decibéis elevados, nota-se alguma vergonha alheia nas pessoas que a rodeiam...

Chegamos a Baixa-Chiado:

“ai miga, desculpa lá, é que o metro aqui na zona da Baixa faz muito barulho… até parece que o Metro se esforça para as pessoas não se conseguirem ouvir!”

Pessoas do Metro, então?

Então vocês não percebem que as pessoas precisam desabafar a sua vida em público?

Precisam contra às amigas que de manhã se levantaram e “sentiram uma ligeira tontura que é um sintoma típico de quem esteve doente e ficou muitas horas deitado, mas ainda bem que se levantou, porque logo a seguir se sentiu melhor e decidiu ir trabalhar e ainda que foi porque senão perdia um workshop espetacular…”

Pessoas do Metro, para quando carris almofadados?

Para quando carruagens que em vez de rodas tenham pantufas?

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #32

Por causa dos Summiteiros, durante a semana passada optei por ir para Lisboa no comboio da ponte. Apanho um autocarro dos TCB à porta de casa e depois é sempre tudo coladinho… FERTAGUS, CP, Carris… non stop!

Já tinha reparado que a população que frequenta este autocarro é uma população mais desfavorecida. Muitas mulheres, que saem em Palhais, junto à fábrica da Riberalves, muitos homens, com a farda de cantoneiros ou das obras. Também já tinha reparado numa jovem em especial, que, para minha infelicidade, só sai na última paragem…

Porque reparaste nela em especial, Rita?

Porque não é muito normal, nos dias que correm, ver uma jovem (20 anos, se tanto…) que, em vez de trazer um telemóvel na mão, traz um exemplar da bíblia, com sinais óbvios de utilização intensiva.

Um dos dias da semana passada vinha muito entretida a ler passagens da dita bíblia à sua companheira de banco, que vinha visivelmente já incomodada com a conversa. Hoje… assim que entrei no autocarro ouvi logo a sua voz lá no fundo.

Vinha ao rubro!

Falou nos refugiados sírios e nas guerras que são financiadas (eu precisava de saber porque é que estas pessoas estão a sair das suas casas e fui à procura de informação e cenas…), na teoria (mais do que cientificamente provada…) que a terra é plana e que a linha que divide a terra não é o equador, mas sim o paralelo 33 e que Portugal está em cima do paralelo 33 (claro!), e falou nos alliens e no Hitler, que sabia da existência de alliens, uma raça superior…

Conseguiu relacionar isto tudo com… preparem-se… os FILMES DA DISNEY, mais precisamente com o filme ‘A Bela e o Monstro’… portanto... o monstro é o allien que se vai reproduzir com a Bela e perguntava muito alucinada, ‘mas como é que as pessoas não conseguem ver isto, está lá para todos verem…

Leu passagens da bíblia, na nossa única função na terra que é a reprodução (a nossa função é andarmos a foder, man...) no Adão e na Eva e na maçã e no Noé e no Abel e no Caim e quem é pai de quem e filho de quem... e que a igreja dela não cobra dízimos e que os católicos dizem isto, e os evangélicos dizem aquilo, mas ela sabe porque ela está informada...

Disse tanto disparate, tanto disparate…

Quando o autocarro chegou ao destino… até nos atropelavamos só para sair… o mais rapidamente possível!

Entrei no comboio… e não é que me cruzo com esta criatura alucinada na mesma carruagem que eu… vinha num grupo de amigos… com ar de estudantes do ensino superior!!!

Isto tudo, numa segunda feira, às 7h20 da manhã… ainda a malta vem a tirar bocadinhos de ramela dos olhos… em estado de choque com uma semana inteira poela frente!

Este é direitinho para quem manda na Câmara de Lisboa!

PARA QUANDO UMA FAIXA BUS NA ENTRADA DA PRAÇA JOSÉ QUEIRÓZ

(para quem vem da Ponte Vasco da Gama)?

Será assim uma obra tão difícil?

O espaço está lá, à direita...

Levo mais tempo a fazer os metros que separam a saída da Ponte Vasco da Gama até entrar na dita Praça,

do que levo para fazer os quilometros todos desde a porta de minha casa (no Barreiro) até à saída da Ponte...

Aquele semáforo à entrada da praça É UM ABSURDO, É UM GARROTE!

(passam 3 ou 4 carros de cada vez que abre)

Para o tuga não basta vender passes mais baratos. Nem com passes gratuitos, o tuga larga o carro em casa.

Temos um povo que encara a utilização de transportes públicos como uma despromoção social.

A quantidade de carros à volta do meu autocarro só com uma pessoa lá dentro... é inadmissível!

Para mim era muito fácil: não querem usar um passe de 40€ então pagam 80€ se querem entrar na cidade com o carro!

Ainda há dias a Cóco fez um post a dizer que vai passar a levar a filha à escola de bicicleta e foi a loucura nos comentários...

'como é que vais fazer quando chover???'

Foi de tal ordem que teve que fazer um segundo post só para explicar às pessoas que, quando chove, o que cai do céu é água... só água... não é ácido sulfúrico!

Mas lá está, tudo serve de desculpa para tirar o carro da garagem... os filhos, a chuva, o sol, o vento...

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #31

Quem é que não gosta de uma boa cena de ‘chico-espertismo’, logo pela manhã?

Autocarro das 7h20 da manhã.

Entra uma criatura com uma menina pequena. Senta a menina ao seu lado.

O motorista deve ter reparado que a menina não passou passe, mas como nos últimos dias aquele autocarro não costumou encher, deixou passar. Só que hoje, na última paragem da Moita estava metade da urbanização S. Sebastião para entrar. Uma fila que não tinha fim. O motorista percorre o autocarro a contar o numero de lugares ainda disponíveis. Passa pela criatura e lembra-se que a menina não passou o passe.

- A sra. tem título de transporte válido para a criança? Se não tiver, então tem que transportar a criança ao colo…

- A menina tem passe!

- Então mostre-me o passe da menina…

- A menina tem passe… a menina tem 5 anos… vou agora com ela ao colo até Lisboa… isto é uma discriminação…

- Oiça… ou apresenta o passe da menina ou paga meio bilhete e pode levar a menina no banco, caso contrário vai ter que levar a menina ao colo… está uma paragem cheia de gente que quer ir trabalhar e pelo menos uma pessoa pode ir sentada no lugar ocupado pela sua filha…

Já tudo a assoprar porque o autocarro não andava… quando, perante mais uma insistência do motorista, a criatura, indignadíssima com a discriminação de que estava ser alvo, deixa sair um...

- O passe da menina está em casa…

...

Escusado será dizer que foi com a menina ao colo até Lisboa!

(é como sempre digo... as pessoas que andam de carro para todo o lado são uns tristes!)

Vidas muito chatas...

... é o que têm a maior parte dos passageiros do autocarro dos TST que passei a apanhar de manhã.

A sério, minhas queridas pessoas! Faço a vigem todos os dias com um grupo de mulheres (pelo menos parece-me que o contágio é mais visível entre o sexo feminino), cujo ponto alto do dia é a viagem de autocarro de e para casa.

Todos os dias assisto à mesma cena...

Na Fonte da Prata entra uma criatura que pica o passe e pergunta ao motorista:

- Bom dia, este autocarro é de que horas?

Todos os motoristas já a conhecem... 'é o das sete e vinte'.

Senta o rabinho no banco da fente e vai o caminho todo a controlar quantos passageiros entram e quantos ficam na paragem e em que paragem é que o autocarro ficou com lotação esgotada. Quando o autocarro entra na ponte, a criatura agarra no telemóvel e vai ao Facebook (sim... esta carreira de autocarro tem direito a página de utentes no FB!) e faz o relatório completo da viagem...TODOS OS DIAS... e pelo que já consegui perceber... não é a única.

Entretanto vão entrando outras criaturas e começa a partilha de informação: 'ontem no autocarro das ... só entraram x pessoas', 'mas no autocarro das ... ficaram 40 pessoas na paragem... contei-as eu... UMA A UMA'.

...

Não sei o que vocês acham... eu acho que é preciso ter uma vida muito chata e triste para chegar ao ponto de andar a contar cabeças numa fila de autocarro...

E maridos e filhos para lhes apurrinhar o juízo... não há? 

E chefes chatos... também não?

E colegas de trabalho que lhes queiram espetar uma faca nas costas... nem isso?

...

Até parece que todos os outros estão bem servidos de transportes... só esta carreira de autocarro é que funciona mal ou anda sobrelotada!

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #30

Ontem. Regresso a casa nos barcos da Soflusa. Entro na Estação, no Terreiro do Paço, pelas 19h00. Olho para o ecrã com informação sobre as carreiras e só vejo linhas vermelhas… já sei o que isso quer dizer… carreiras suprimidas com fartura.

Em resumo, não ser realizaram as carreiras das 19h10, nem a das 19h15. Às 19h00 estavam a entrar na sala de embarque passageiros para a carreira das 19h25 e depois dessa só haveria carreira às 19h40.

CAOS… gente e mais gente por todo o lado.

Os torniquetes trancaram pelas 19h05. Sala de embarque a transbordar com uns 600 passageiros para a carreira das 19h25, magotes de gente do lado de fora da sala de embarque… resignada a ter que esperar uns 35 minutos pelo próximo barco.

Eu estava incluída nos magotes de gente resignada (com sandálias novas nos pés… ).

Resignados… que mais podemos fazer se não ceder à resignação… as pessoas já nem refilam, vão levando isto com algum humor… já perceberam que não adianta andar a partir coisas e a invadir salas de embarque… só arranjam problemas para si e não resolvem nada (e ainda se chega mais tarde a casa...).

De maneira que ali estávamos todos, tipo carneirinhos, um dizia uma piada, outro ligava para casa a dizer que chegava mais tarde... 'guarda-me o jantar no forno'…

Às tantas ouve-se uma voz (um tudo nada já um pouco toldada por uma cervejita a mais...):

‘os portugueses são uns mansos… olhem em França, vejam lá se não conseguem o que querem… nós aqui não fazemos nada…’

E põe-se de braço no ar, de punho fechado… a ver se conseguia convencer o resto do povo a invadir a sala de embarque…

‘i-i-i-ba-são’… ‘i-i-i-ba-são’… ‘i-i-i-ba-são’

Só conseguiu umas gargalhadas do pessoal!

A ver como será hoje o regresso a casa...

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