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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #22

Quando digo a colegas meus que demoro uma hora e meia no trajeto casa/trabalho, muitos ficam de queixo caído e acham impossível eu não querer utilizar um carro nas minhas deslocações.

Não quero! Não preciso!

Graças aos céus vivo num sítio bem servido de transportes públicos. Vou a qualquer lado de autocarro, de barco, de metro. Sim, eu sei que tenho que lidar com as greves, com as supressões, com os atrasos. Se num dia consigo fazer o trajeto numa hora e quinze minutos, no dia seguinte, posso precisar de duas horas para fazer o mesmo trajeto, à mesma hora.

É chato? É. Esgota-me a paciência? Esgota. Uns dias mais do que outros, depende muito do meu estado de espírito.

...

Sabem o que me esgota MESMO a paciência? Mesmo que esteja muita bem-disposta, numa sexta-feira à tarde, a caminho de casa? As pessoas. Mais precisamente a falta de CIVISMO das pessoas.

Vivemos num país onde, em 2018, o Metro ainda tem que fazer campanhas publicitárias para ensinar regras básicas de convivência e civismo aos seus passageiros. Coisas simples como facilitar as entradas e saídas, dar lugar aos mais velhos, não falar aos berros ao telemóvel, seguir nas escadas rolantes encostado à direita. Sabem porquê?

Há dias na estação de S. Sebastião (sim, aquela estação com plataformas minúsculas e escadas ainda mais minúsculas, onde circulam milhares de pessoas) o metro da linha vermelha chega à plataforma. Saem todos os passageiros. À minha frente sai um rapaz, que precisou de quase chocar com um passageiro que estava na plataforma, para entrar na mesma carruagem, mas posicionado não ao lado da porta, mas à frente da porta da carruagem.

Claro que o senhor se sentiu incomodadíssimo porque o rapaz teve quase que passar por cima dele para conseguir sair da carruagem e, claro, chamou-lhe a atenção. O rapaz, entendeu que não tinha que ficar calado, e lá lhe tentou explicar que o seu comportamento não estava correto, que devia facilitar a saída dos passageiros e só depois entrar na carruagem. E não é que o senhor ficou todo ofendido por ter um miúdo a dar-lhe lições de educação. E qual foi a resposta do senhor?

Atirou-se ao rapaz, aos encontrões, a chamar-lhes os nomes mais inconcebíveis, aos gritos que se ouviam em toda a estação. Claro que houve logo um grupo de passageiros que rodeou o rapaz e o tirou dali, porque já sabemos, não é? Não vale a pena sequer tentar falar com pessoas assim…

Hoje, na mesma estação, eu a descer as escadas em ‘contra-corrente’, numa filinha indiana encostada ao corrimão, com dezenas de pessoas a subir. Pois houve uma criatura execrável que ao subir as escadas, fez questão de dar encontrões (encontrões à séria, do estilo quase que me deslocava o ombro) em todas as pessoas que seguiam no sentido contrário ao dele…

A sério, não são as greves, ou a supressões ou os atrasos que me fazem perder a paciência… são as PESSOAS.

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #21

Ontem tive uma estreia.

Quem anda de autocarro com certeza já passou pela situação de ver o autocarro chegar a sua paragem e o motorista se esquecer de abrir as portas de trás para deixar os passageiros sair. Já todos passámos por isto, não já? E logo a seguir temos a cena dos passageiros a chamar a atenção do Sr. Motorista, de forma mais ou menos calma… ‘OH SÓCIO, ABRÁTRÁS!!!’ 

Ontem passei por uma destas, mas… no METRO.

Linha azul. Estação do Terreiro do Paço.

18h35. Estava um barco para sair às 18h40.

Tudo de pé junto às portas da última carruagem.

O metro chega à estação, abrem-se todas as portas, menos as portas da última carruagem.

Tudo com cara de parvo a olhar para todos os lados… ‘Então??? Então e agora???

Ouve-se as portas das outras carruagens a fechar e o metro seguiu… fomos conhecer a Estação de Santa Apolónia (aproveito para agradecer ao Metro de Lisboa, acho que ainda não conhecia esta estação.)

E não é que chegados a Santa Apolónia… as portas daquela carruagem se abriram???

Lá esperámos 3 ou 4 minutos, para fazer o caminho de volta ao Terreiro do Paço (pelo sim, pelo não trocámos de carruagem, não fosse dar-se o caso de lhe dar nova travadinha e não querer abrir as portas novamente).

Já só apanhei o barco das 18h50.

...

Para acabar a viagem em beleza, já nos autocarros do Barreiro apanhei com uma discussão entre uma cigana e uma ‘Sra. Professora’ por causa de um lugar sentado. Fiz a primeira parte do percurso entre ‘vocês acham que têm direito a tudo’, dizia Sra. Professora, e ‘meto-lhe a mão na cara, se volta a falar assim com a minha filha!’

São estas coisas que dão sal à vida!

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #20

Mais uma história bonita.

Quem utiliza o Metro de Lisboa conhece bem a ‘praga’ dos pedintes de esmola.

Às vezes, quando me apetece, dou esmola, mas tenho por princípio NUNCA dar esmola aqueles que aparecem com os acordeões, com o cãozinho sentado no ombro. Durante muito tempo eram utilizadas as crianças ao colo (sempre a dormir… como é que crianças tão pequenas passavam tantas horas a dormir?), agora são os cachorros, sentados no ombro do acordeonista com o copo preso na boca, horas a fio… Fico completamente passada. Só me apetece dar um par de tabefes naquelas criaturas e tirar-lhes o cão.

Há dias, logo pela manhã, entrou um pedinte na minha carruagem do Metro. Estava atrás do meu banco, por isso não o consegui ver logo, sou o ouvi: ‘bom dia, peço a vossa ajuda, vivemos os DOIS na rua, alguma ajuda para comermos [os dois]’

Pensei que se estava a referir a outra pessoa, companheiro ou companheira de infortúnio. Passou por mim e vejo que trás uma cadela pela trela. Uma cadela preta, enorme… linda.

Não pedia só para ele, pedia para os dois.

Dei-lhe uma esmola… mas fiquei a pensar, ‘deste-lhe dinheiro e, vai na volta, não é melhor que os acordeonistas…se calhar está também a usar o bicho para obter mais fundos’.

Depois assisti à mais linda das cenas: chegou ao fim da carruagem e o metro ainda não tinha chegado à paragem seguinte. Ficou ali de pé junto às portas. A cadela sentou de frente para ele com o olhar mais terno, mais doce que um animal pode dar ao seu dono. Um homem sujo, com um cabelo todo desgrenhado, quase sem dentes, mas pelo seu comportamento, viu-se que para aquele animal era o seu maior amigo, o seu companheiro.

Viu-se que estava a pedir festas. O homem baixou-se… ficou de joelhos, fez-lhe festas no pescoço e cocegas atrás das orelhas… disse-lhe um miminho qualquer e a bichinha esticou-se toda para lhe agradecer com uma lambidela na cara.

Todos os que estavam sentados nos bancos perto daquelas portas ficaram embevecidos a olhar para cena, com sorrisos…

Caramba! Quando uma pessoa fica reduzida à indigência, mas mesmo assim, consegue preocupar-se com o bem-estar de um animal, merece a nossa ajuda, não é?

Dei-lhe esmola e, já decidi, se o voltar a ver dar-lhe-ei esmola outra vez.

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #19

Desta vez não vou contar uma loucura, um comportamento menos correto ou a roçar a insanidade. Afinal, nos transportes públicos também se encontram / ouvem histórias bonitas. Histórias que nos fazem acreditar que o mundo não está assim tão perdido.

Manhã chuvosa, de pé num autocarro cheio. Quase a chegar à minha paragem.

Sentadas estão duas senhoras. Reconheci uma delas.

Não nos conhecemos. Trabalhamos no mesmo prédio, mas em serviços diferentes. É uma senhora já de 50 e muitos, talvez sessenta e poucos anos (eu sou péssima a calcular a idade das pessoas, espero não estar a dizer uma grande asneira).

Estava muito sorridente, de olhos a brilhar, a mostrar à amiga um anel que trazia no dedo anelar de uma das mãos.

Percebi que estava a contar à amiga que se ia casar ‘… na véspera do S. João…’

‘…os divorciados podem casar pela igreja quando os ex-maridos/mulheres morrem… aos olhos da igreja não sou divorciada, sou viúva… por isso o Sr. Padre aceitou casar-nos…’

‘… vou-te mostrar uma fotografia…’

Andou ali de volta dos papeis que trazia na mala de mão, à procura… pensei que fosse uma foto do noivo, mas não…

De repente abriu duas folhas de papel A4… era uma impressão de uma página da internet com fotografias de um… VESTIDO DE NOIVA.

Um vestido de noiva à séria, com tudo o que se pede num vestido de noiva.

Achei uma delícia!

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #18

Apanho o autocarro à porta de casa. Como sempre, vem cheio. É uma carreira que dá a volta ao Barreiro todo e até parte do concelho da Moita. Quando chega à minha paragem já vem na reta final do trajeto. O motorista de hoje abriu as portas de trás para que mais pessoas pudessem entrar e nós aproveitámos.

O trajeto até à estação são 5 minutos, um pouco mais se o trânsito e os semáforos da entrada da estação não cooperarem… hoje não cooperaram. Tenho uma senhora junto a mim que entrou na mesma paragem que eu, estava um pouco incrédula com o facto do autocarro estar tão cheio. Lá expliquei à Sra. que o autocarro vinha muito cheio porque aquela carreira já vinha da Baixa da Banheira e parte do Vale da Amoreira, ficou com uma expressão quase agoniada…

 

Era uma senhora que gostava de conversar… gostava muito de conversar, por isso, em 5 ou 6 minutos fiquei a saber:

… que morava em Oeiras, mas agora estava no Barreiro, nas palavras dela passou do ‘80 para o 8’...

Ai as coisas que o Isaltino pôs na cabeça dos oeirenses… estão mesmo convencidos que morar em Oeiras é a mesma coisa ou mesmo muito melhor que morar em Alvalade ou em Telheiras!!!! Foi aqui que percebi a expressão agoniada… se na sua cabeça o Barreiro é o 8, então a Baixa da Banheira deve ser um -8 e o Vale da Amoreira um -80.

... que na Moita, porque ela já tinha morado na Moita, havia carreiras de autocarro pela Ponte Vasco da Gama, mas lá está o passe é muito caro... há 2 ou 3 anos que o comprou já custava 118€ e claro as pessoas preferem vir pelo Barreiro...o passe é muito mais barato.

… que tinha um apartamento por trás da escola de Santo André, mas queria encontrar um na Verderena para ficar mais próxima da estação, mas tinha que ser um R/c, no máximo 1º andar, porque já se sabe que depois é muito alto para subir com as compras e se o prédio tiver elevador o condomínio dispara…

 

Pausa para respirar...

Tocou o telefone da Sra.

Atendeu.

Era o filho…

‘pois, vais tu aí montado na carrinha BMW da tua mãe e a tua mãe com 60 anos vai aqui num autocarro que já vem da Baixa da Banheira… ai, filho, não que depois tinha que deixar a carrinha naquele parque cheio de lama, não… não’

 

Graças aos céus o motorista passou o sinal naquela fase que gosto de chamar ‘verde-tinto’ e chegámos à estação…e a Sra correu para apanhar o barco... e eu descansei os ouvidos!

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #17

Hoje apeteceu-me fazer o trajeto, entre o Terreiro do Paço e a Expo, de autocarro.

Fiquei de pé, mas como sei que por alturas de Xabregas consigo arranjar lugar, não stressei.

O que me fez stressar MUITO foi a pequena com idade para ser minha mãe que ia sentada a jogar COM O SOM LIGADO.

Foram 35 ou 40 minutos a ouvir:

PLING

PLING

PLING PLING

PLONG

PLING PLING

PLING

Andamos nós muito preocupados porque os jovens 'não largam os telemóveis', porque 'estão sempre agarrados àquela porcaria', blá blá, blá...

Ao menos os jovens sabem jogar SEM SOM, vão lá no mundo deles e não incomodam ninguém.

Só queria que vissem a cara de alivio do resto dos passageiros quando a criatura finalmente abandonou o autocarro...infelizmente na paragem onde saem a maior parte dos passageiros, apenas duas paragens antes da minha

(Nota: a todos os que possivelmente não sabem tirar o som de um jogo de telemóvel... procurem um simbolo tipo 'roda dentada' ou a palavra 'definições' ou 'configuração' vão encontrar um simbolo que, por norma, é uma nota musical, é só carregar lá...mas se por acaso gostam mesmo de jogar com som, por favor, inibam-se de o fazer às 8 da manhã, num transporte público cheio)

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