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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

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O Rei Leão

Estreia hoje a nova versão...

Todas as crianças têm um filme de animação que é O filme que marca a sua infância.

O filme que marcou a infância da minha sobrinha Luísa foi o Fronzen, já para a minha sobrinha Inês foi o Hércules.

(que o digam a minha irmã e cunhada que chegaram ao ponto de sentir agonias aos primeiros acordes das bandas sonoras)

O filme do Melga foi 'O Rei Leão'.

Muitas viagens de carro com a banda sonora (ainda em cassete) a tocar e o Melga pequeno, no banco de trás a cantar...

'... eu mal posso esperar por ser rei...'

...

Tenho andado assim, por estes dias... tem vindo em crescendo... para onde quer que olhe vejo trailers, entrevistas, imagens...

Já estou naquele ponto em que só de ver o leãozinho pequenino as lágrimas começam a rolar!

Já percebi que é melhor não ir ver o filme...

Nós, as ‘gajas’… somos seres muita complexos

Quando vou tomar café com os meus colegas somos praticamente só mulheres. Temos apenas um, às vezes dois, exemplares do sexo dito ‘forte’. Há uns dias, estando os dois homens incluídos na grupeta, um deles, mais novo, aproveitou para confidenciar ao outro que, na noite anterior, se tinha chateado com a mulher: ‘Não percebo! Juro que não percebo! Primeiro era porque não punha a loiça na máquina, agora é porque demoro muito tempo a pôr a loiça na máquina?!

Claro que, nós, as ‘gajas’, estávamos deliciadas com a cena!

É verdade, nós, as 'gajas', somos complicadas, nunca estamos satisfeitas. Adoramos ver um gajo com aquele ar confuso de ‘fiz alguma coisa mal!!! O que é que eu fiz agora?’

 

O Melga lá de casa aprendeu esta lição logo aos 16 anos. Um dia chegou a casa e contou que tinha uma namorada, a Andreia… o rapaz estava que não se aguentava de importância. Já tinha uma namorada OFICIAL. E era, sem qualquer dúvida, a namorada para o resto da vida. Era SÉRIO e por isso havia que fazer sacrifícios:

Melga: Hoje vou lanchar a casa dos pais da Andreia. Vão fazer caracóis.

Paulo: Mas tu não gostas de caracóis!

Melga: Gosto, gosto…

Paulo (com sorrizinho irónico): Claro que sim. Ok, então vai lá.

Melga: Fui com a Andreia e com a mãe dela ao shopping.

Paulo: Tu, num Centro Comercial? Mas tu não gostas de Centros Comerciais.

Melga: Até gosto. Não é assim tão mau...

 

Claro que isto pouco durou. Os sacrifícios começaram a ser muitos e o Melga começou a escapulir-se aos encontros com a namorada. Um serão estava o Melga ao telefone com a Andreia e era óbvio que estava a levar uma reprimenda da sua querida namorada OFICIAL (eu e o Paulo escondidos no corredor a curtir a cena…).

O rapaz lá se tentava desculpar de todas as maneiras, mas de repente só se ouve alto e bom som: Ehhh paaa! Isso é muit' à frente!!!

Só ouvi o Paulo atrás de mim: Pronto, já foste Andreia!

 

Dias depois perguntei ao Melga:

Eu: Então e o namoro, como vai?

Melga (cabisbaixo): Já não namoro com a Andreia.

Eu: Deixa lá. O que não falta é peixe no mar. Mas diz-me, aprendes-te alguma coisa com isto tudo.

Melga: Sim, acho que sim. As miúdas são muita complicadas!

Eu: Tás no bom caminho. Agradece à Andreia ter-te ensinado a lição da tua vida. O que não falta por aí são homens adultos que ainda não perceberam essa regra tão simples.

 

Claro que não se escapou de ser gozado meses a fio pelo Paulo: Melga, olha, vamos fazer um lanche de caracóis, queres provar...

E tudo voltou ao seu lugar…

O Melga voltou para casa dele no início desta semana.

Depois da discussão que tivemos logo no início da sua estadia, as coisas não melhoraram nem um pouco e ele voltou a pisar o risco em grande estilo.

Foi feio e ‘saltou-me a tampa’. Na 2ª feira à noite tive que lhe dizer para arrumar as suas coisas e voltar para casa dele.

Custou-me tanto. Lembrei-me tanto do meu Paulo. Chorei tanto.

Há quem diga que as coisas só acontecem quando temos forças para as enfrentar. Como já disse algures por aqui, cheguei àquela fase em que tenho que deixar de pensar primeiro no Paulo e só depois em mim. Agora tenho que pensar em mim, no que é melhor para mim, porque só estando bem comigo posso ser melhor para os outros, não é?

Eu quero muito que o Melga saiba que pode contar comigo, que pode vir a minha casa sempre que quiser, que pode telefonar sempre que se sentir sozinho ou precisar de ajuda, que até pode dormir na minha casa uma ou outra noite, quando lhe apetecer companhia… mas não pode viver comigo em permanência, sob pena de corrermos o risco de destruir o que ainda nos une. As nossas recordações bonitas de tantos anos, os nossos lanches na pastelaria enquanto esperávamos o Paulo, as nossas conversas sobre Pokémons, as nossas viagens de barco a corrigir TPC’s, as manhãs de fim-de-semana a fazer composições sempre com o tema ‘Se eu fosse…’, isto tem que ser preservado.

Acho que o Melga percebeu o meu ponto de vista. Pediu-me desculpa. Abraçou-me. Arrumou as suas coisas e saiu.

Na hora que se seguiu, senti um aperto no peito, uma angústia que já não sentia há muito… fui-me pôr a passar roupa a ferro, para estar entretida e não pensar (sim, eu sou esquisita!)

Quando me deitei, outra vez sozinha, no escuro, no silêncio, pensei que talvez tenha dado a lição que o Melga precisava ter tido há muito tempo: todas as decisões têm consequências e o mundo não gira à volta do nosso umbigo…

A vida tem formas dolorosas de nos abrir os olhos!

No último ano de vida do meu Paulo, a nossa relação com o Melga degradou-se muito. As discussões eram diárias, intensas. Tínhamos dias em que, depois de mais uma discussão, ficávamos os dois no limite das nossas forças, físicas e mentais. Lembro-me dos dias em que íamos os dois no carro, a caminho de casa, no fim de mais um dia de trabalho (que no caso do Paulo era extenuante), e sentirmos a tensão a aumentar em ambos. Em contrapartida, nos dias em que o Melga não estava em casa, havia uma sensação de alívio, pelo menos naquela noite não ia haver discussão e respirávamos fundo. Não falávamos disto, mas era palpável.

Nas semanas que se seguiram à saída do Melga lá de casa e, em simultâneo, à morte do meu Paulo, aquelas primeiras semanas em que fui confrontada com a minha nova vida, lembro-me de sentir uma grande e profunda tristeza (que ainda sinto), porque tinha perdido o amor da minha vida, o meu maior e melhor amigo…mas, ao mesmo tempo, e talvez na mesma proporção, lembro-me de sentir uma grande Paz.

O silêncio que se ouvia na minha casa (e ouve...), por um lado oprimia-me, porque me faltava o meu Paulo, mas também era uma bênção, porque não estava o Melga.

Desde muito cedo entendi que o meu Paulo, lá longe no céu, teria como grande preocupação o futuro do filho. No dia do velório prometi ao meu Paulo que ia continuar a estar presente e não deixar que lhe faltasse alguma coisa, por isso, tive que encontrar uma forma de continuar a relacionar-me com o Melga. A única forma que encontrei foi ‘esquecer’ os últimos tempos e lembrar-me do Melga quando ainda era menino. Como os nossos contactos começaram a ser cada vez mais pontuais, acabou por ser fácil ‘esquecer’ os maus velhos tempos.

Esqueci tanto que me senti feliz, sem qualquer receio, no dia em que convidei o Melga a ficar na minha casa.

Por tudo o que acabei de vos contar, foi um choque tremendo para mim a maneira como o Melga se comportou na segunda noite que ficou lá em casa. Fiquei num estado de ansiedade que ainda me custa a acreditar. Juro que houve momentos (frações de segundo) em que a minha incredulidade era tal que tive dificuldade em respirar. Parecia que a garganta se fechava, tinha que parar e concentrar-me para conseguir respirar!

Perceber que estava a passar pelas mesmas situações sem ter o meu Paulo presente, deixou-me num estado de pânico indescritível. De forma completamente displicente, o Melga adotou todos os comportamentos que costumava ter nos maus velhos tempos. Todos os comportamentos que nos faziam discutir quase todos os dias.

Tivemos que discutir (mais uma vez!) como nos maus velhos tempos. Fui novamente confrontada com a petulância, o olhar de pouco caso, a falta de humildade... comportamentos que tanto chocavam o meu Paulo.

Passou a primeira semana. As coisas melhoraram um pouco, mas só porque ainda relevo alguns comportamentos. Impus-lhe regas que considerei essenciais para que a nossa convivência não prejudique a minha recuperação. Não dei qualquer hipótese de discussão ou negociação, e ele percebeu que ou cumpre ou pode sempre ir dormir na sua casa em obras.

Não! O Melga não é um menino. É um homem e tem que ser tratado como um homem (e algo me diz que o meu Paulo, lá longe no céu, concorda comigo).

...

Nem de propósito encontrei este texto nas minhas viagens pela net. É mais ou menos assim!

Não começou bem

O problema não é só ele. Reconheço que também sou eu.

Que merda de vida esta que está constantemente a pôr-me à prova. Depois de mais de dois anos de tanto sofrimento, choro, raiva, medo, finalmente estava conseguir levantar a cabeça (ou pelo menos achava que estava…), estava convencida que tinha os fantasmas arrumados…

Depois do meu Paulo morrer, todos há minha volta ficaram com a vida que tinham ou com a vida que escolheram ter. Eu não tive escolha. Eu fiquei com o que me calhou. Só eu sei o que passei nestes dois anos sozinha na minha casa, só eu sei o que é chegar à noite e apagar as luzes, ficar no silêncio, conheço bem demais o peso do silêncio. Foram muitas noites a ter sonos descansados com a ajuda de comprimidos.

Foi muito duro chegar aqui, ficaram muitas cicatrizes. Foi muito duro, muito difícil ‘esquecer’ as más recordações e ficar só com as coisas boas.

Parece que andei dois anos para trás. O que eu mais temia, logo na segunda noite voltaram as mesmas discussões, os mesmos confrontos, o mesmo velho ponto de discórdia. O medo que se está a apoderar de mim não tem descrição.

Será possível que este rapaz não se capacita que viver lá em casa outra vez não é só uma questão de ‘alterar ou não alterar rotinas’. Será possível que este rapaz não tem consciência que há comportamentos que não pode ter quando está lá em casa? Que há comportamentos que ‘acordam’ tantas recordações más… tantos fantasmas, que deram tanto trabalho ‘pôr a dormir’

Por muito que queira ajudar o Melga, por muito que a minha estrela esteja lá no céu a sorrir e mais descansada, não posso permitir que me arrastem outra vez para o fundo.

Simplesmente, não vou deixar!

Há coisas que o Melga vai ter que aceitar que NÃO vai fazer enquanto estiver lá em casa.

Depois de tudo o que já se passou dentro daquelas quatro paredes, agora as regras são as minhas.

 

(mais uma vez, uma folha de papel em branco fez maravilhas a esta minha cabeça…)

Uma estrelinha está a sorrir

Na 3ª feira à noite a minha mãe perguntou-me se tinha notícias do Melga. Disse-lhe que não, desde o Natal que não sabia dele, mas ‘não te preocupes, quando ele precisar, ele dá notícias’.

Mais cedo eu falasse. Na 4ª feira, ao fim da tarde, o Melga ligou-me.

Sem entrar em grandes pormenores (não são aqui chamados), começou com rodeios a dizer que não pode estar na casa onde mora, porque está toda em obras, e que está a morar na casa de um amigo... a casa é pequena, têm 3 gatos e 2 cães, a cama é um bocado desconfortável... blá, blá, blá...

Eu fui ouvindo os queixumes em silêncio, já a antever o que lá vinha.

Como um flash, lembrei-me de uma discussão que o meu Paulo teve com a mãe do Melga, há muitos anos, era o Melga pequenino. A mãe do Melga andava a deixá-lo com uma amiga, porque, lá está, o juiz estipulou os dias que o meu Paulo podia ver o filho e mais do que isso, nem pensar. O meu Paulo, muito revoltado, dizia-lhe ‘o meu filho não tem necessidade de andar de favor na casa deste e daquele. Tem aqui uma casa, um pai e uma avó disponíveis para tomar conta dele.’

O Melga não me pediu, mas eu senti que queria pedir. Resolvi facilitar-lhe a vida e convidei.

O Melga vem viver comigo as próximas duas ou três semanas.

Vai ser difícil para mim? Vai.

Vou ter muitas recordações? Vou.

Vão ser noites mal dormidas? Vão.

Mas, algures lá longe no céu tenho a certeza que está uma estrelinha mais descansada e a sorrir…

(Talvez seja disto que esteja a precisar. Ter o Melga lá em casa um tempo para exorcizar de vez estes fantasmas que ainda andam na minha cabeça.)

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