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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Acabadinho de ler!

Desta vez é mais um Acabadinho(s) de ler!

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Já há muito tempo que não vos falava das minhas leituras.

Sabem porquê?

Porque nada do que li nos últimos tempos me prendeu... me surpreendeu.

Até o livro da Celeste Ng, que achava que ía adorar, porque só ouvia falar bem...

Diz-me o desafio do GoodReads que me faltam 5 livros para ler até ao fim do ano, para completar o meu desafio...

Acho que não vou conseguir lá chegar, a menos que os próximos que estão na calha seja daqueles de ler sem respirar.

Voltarei para vos contar!

Acabadinho de ler!

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Uma educação / Tara Westover

Uma palavra para descrever este livro: força

Mais uma biografia. Mais uma história de uma mulher que nos toca cá fundo. Uma história de violência, negligência, tirania, fanatismo.

Tara Westover cresceu no seio de uma família mórmom que esperava e se preparava para o Fim do Mundo. O pai, fanático religioso, não acreditava no Estado e, por isso, fazia questão de se manter à margem: os filhos nasciam em casa, em partos assistidos por parteiras, não eram registados à nascença, não iam à escola, não tinham assistência médica (todos os males, fosse uma constipação, um osso partido, uma queimadura de 3º grau ou um traumatismo craniano com massa encefálica a escorrer eram tratados em casa, com medicamentos homeopáticos que a mãe se especializou a retirar de plantas medicinais).

Tara e os seus irmãos cresceram numa casa isolada na montanha e desde muito novos foram postos a trabalhar na sucata explorada pelo pai. Assistimos a uma sucessão inenarrável de acidentes graves com estas crianças, porque aquele pai punha-os a executar tarefas impensáveis para um adulto, quanto mais para uma criança, sem tomar as mais básicas medidas de segurança e a mãe fechava os olhos… tudo era a vontade de Deus.

As mulheres deviam obediência cega primeiro aos pais, depois aos maridos, até aos irmãos. Não deviam mostrar os joelhos, as clavículas, muito menos os ombros, sob pena de serem consideradas umas rameiras, galdérias.

Havia provisões por todo o lado para quando o Fim do Mundo chegasse, desde dúzias de frascos de pêssegos em conserva na cave, até um tanque de combustível enterrado no quintal. Só que o Fim do Mundo… não chegou (lembram-se do bug do ano 2000?)… e foi nesse momento que Tara começou a duvidar do mundo que a rodeava.

Uma menina que nunca tinha ido à escola, que em casa tinha uns pais que nem se lembravam exatamente da idade que ela tinha e um irmão extremamente violento que a subjugava a seu belo prazer, debaixo dos olhos parentais, conseguiu fazer a admissão a uma faculdade local e dar inicio a um percurso académico brilhante. Entrou numa sala de aulas pela primeira vez na vida com 17 anos e acabou doutorada pela Universidade de Cambridge.

Só que este percurso teve um preço.

Assistimos à luta interior desta mulher. A diferença de valores do mundo à sua volta, choca de frente com tudo o que lhe foi tão violentamente incutido desde que nasceu.

Ter uma educação formal significava abdicar da sua família, cortar as suas raízes.

Foi um preço que pagou e do qual não se arrepende.

Acabadinho de ler!

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Passagem para o Ocidente / Mohsin Hamid     

Uma palavra para definir este livro: esperança.

Este livro é mais um daqueles livros que vai ficar para sempre na minha estante.

Surpreendeu-me porque é uma história de amor. À partida eu fujo de histórias de amor, mas o livro foi finalista do Man Booker Prize 2017, pelo que não podia ser uma simples história de amor, por isso arrisquei… e ainda bem!

Conta-nos a história de Nadia e Saeed. Dois jovens, num país que vai mergulhando no caos. Nunca sabemos de que país se trata, pode ser o Iraque, a Síria, o Afeganistão… só sabemos que se trata de um país muçulmano, porque Nadia, ao longo de toda a história, insiste em manter a sua túnica preta vestida, sempre que está em locais públicos. Dois jovens apaixonados que depois de todos os esforços de adaptação às constantes mutações no seu país, resolvem partir... sem rumo, sem destino…

São refugiados de guerra… migrantes.

O autor optou por não conduzir o leitor por descrições épicas de travessias imensas e dos perigos associados. Já todos nós estamos suficientemente intoxicados pelas imagens na televisão de colunas de pessoas a caminhar sem destino, de barcos cheios de gente em fuga, em condições tão perigosas. Em vez disso, o autor substitui estas travessias por portas mágicas, que, uma vez transpostas, levam estes jovens do seu país para sucessivos campos de refugiados, primeiro em Mykonos, depois em Londres e, finalmente, em S. Francisco.

Li vários textos de análise a este livro. Quase todos falam numa frase que aparece quase no fim ‘todos somos migrantes através do tempo’. Não foi esta a frase que mais me tocou, foi uma outra, na página 86, que me ficou cravada na memória e que me pôs a pensar estes dias:

“… quando migramos, assassinamos das nossas vidas aqueles que deixamos para trás.”

Já se devem ter perguntado, eu já dei comigo a perguntar-me: como é possível as pessoas optarem por migrar? Sair, assim, sem destino? Como é possível colocar filhos em barcos sobrelotados e lançarem-se ao mar? Será que não amam os filhos?

Amam. É porque os amam que o fazem. São pessoas que foram perdendo tudo, num processo de adaptação contínua… a comida começa a escassear, começam a ver amigos, vizinhos simplesmente a desaparecer (morreram, fugiram?), um dia deixam de ter trabalho (e é normal sair do local de trabalho com computadores, impressoras e televisões às costas), o café de todos os dias que fecha as portas, depois deixa de haver água ou luz, passam a cozinhar em fogões de campismo, depois são as janelas de casa que passam a ser um perigo, porque há balas perdidas e desarrumam-se os móveis de forma a tapar as janelas, depois a guerra entra pelo bairro dentro…

São pessoas, para quem o seu país deixou de ter significado… uma identidade… deixa de haver normas, regras, deixam de ter pontos de referência, sejam eles físicos, sociais, culturais… e, por isso, só lhes resta partir. Partem os mais novos, os mais fortes, os que ainda podem lutar por um futuro melhor para os filhos… ficam os velhos, os doentes, os feridos. Partem com a certeza de não mais ver os que ficam! 

O autor não nos entope em análises políticas, religiosas ou económicas… apenas nos fala de esperança. Mostra-nos o ponto de vista do refugiado de guerra, completamente desenraizado, desorientado, sem nada de seu, muitas vezes sem conseguir comunicar, que aprendeu a temer a autoridade (pelas coisas que viu no seu país) e que apenas pede para ser aceite em cada novo sítio onde chega, numa esperança inabalável de conseguir uma vida melhor.

É a esperança que move estas pessoas na busca por uma vida com trabalho, uma casa, mandar os filhos à escola… mas, sobretudo, e é aqui que estes migrantes são diferentes dos nossos emigrantes... buscam uma vida com paz.

Acabadinho de ler!

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Becoming: a minha história / Michelle Obama

Nunca fui pessoa dada a ler biografias. Nunca me interessaram, mas, não sei bem porquê, um dia numa livraria peguei no livro da Michelle e fiquei presa. Todos nós sabemos que a Michelle não foi uma primeira dama dos Estados Unidos como as outras. Não que as outras tenham sido más (não vamos falar da atual…), menos interventivas ou tenham feito pouco, mas a Michelle catapultou essa posição para um outro nível nunca antes visto.

Ofereceram-me o livro como prenda de anos, em dezembro. Comecei logo a ler. Vocês sabem que eu só leio nos transportes públicos, nos dias em que não estou atacada pela mosca do sono. A leitura ia num bom ritmo, o que me surpreendeu, ainda pensei ‘acho que vou bater o meu record’… faltavam umas cinquenta ou sessenta páginas para acabar quando o meu gato ficou doente… andei três semanas muito à toa, não conseguia pensar em leituras e lá se foi a boa média à vida.

O livro retrata na perfeição a imagem que temos dos Obama. Simples, direto, despretensioso, conta-nos o percurso da vida da Michelle desde a infância até à atualidade. O bairro pobre onde cresceu, os pais que se privaram de tudo para que os filhos tivessem a melhor educação possível, o seu percurso escolar. Tinha a ideia que ambos os Obama tinham sido alunos excelentes e, por isso, tinham estudado com bolsas (como tantas vezes vemos nos filmes americanos… os bons alunos têm sempre bolsas), mas não… apesar de terem uma inteligência acima da média, ambos tiveram que contrair empréstimos para pagar os seus estudos. Ambos começaram a sua vida adulta com a responsabilidade de ter que pagar os empréstimos que tinham contraído para estudar.

Com simplicidade e algum humor, Michelle desmistifica o dia-a-dia na Casa Branca. Conta-nos factos banais como quando viu pela primeira vez o cortejo presidencial a aproximar-se... ’não tem um carro de palhaços!’, ou quando conta, por exemplo, que se alguém na Casa Branca quiser ir à varanda (aquela varanda enorme que se vê em todas as fotos), primeiro tem que se avisar os serviços secretos, para que possam desimpedir a rua em frente à varanda… mas, acima de tudo fala-nos na sua posição de Primeira Dama que não chega a ser um cargo, não é um emprego e não tem funções definidas mas que usou como plataforma para uma influência positiva, promovendo alterações significativas na vida de todos os dias do povo americano, com projetos na área da alimentação saudável, da promoção do exercício físico, do combate ao abandono escolar, da melhoria da vida das familias dos soldados, tendo sempre o cuidado de não se misturar em questões políticas, mas intervindo junto da sociedade civil.

Eu sou muito picuinhas com os meus livros. Não gosto de ter capas dobradas ou pontas amarrotadas, mas este livro está cheio de frases inspiradoras, frases que me fizeram voltar atrás para ler outra vez. Não me consigo a imaginar a riscar um livro, por isso, pela primeira vez na vida, dei comigo a dobrar os cantos das páginas para de alguma forma marcar o local de uma frase que me tocou.

O epílogo levou-me às lágrimas (eu sei, sou muito mariquinhas…). A Michelle faz um balanço do que ela e o marido conseguiram alcançar nos oito anos que estiveram na Casa Branca, no que acredita que o povo americano É na sua essência… e da frustração de olhar para o trabalho do sucessor e ver tanto absurdo, tanto disparate, o estatuto da presidência ridicularizado diariamente.

Recomendo muito!

Acabadinho de ler!

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A Persuasão Feminina / Meg Wolitzer

Outra vez a Meg. Desta vez conta-nos a história de Greer, uma jovem brilhante e muito inteligente e do seu namorado Cory.

Greer nasceu numa família destruturada. Os pais são muito pouco vocacionados para a parentalidade e Greer, desde muito cedo, teve que aprender a ‘desenrascar-se’ sozinha. Cory é filho de imigrantes portugueses (o seu nome é Duarte, como o pai, nome que rejeita por achar que não é suficientemente integrador), cresceu num seio familiar diferente, mais protetor, rodeado de pais que trabalham para dar o melhor aos filhos.

Ambos são excelentes alunos e ambos têm o sonho de frequentar uma daquelas universidades americanas, chamadas de 1ª linha (Yale, Princeton, Stanford…). Ambos são admitidos em Yale, mas a tal falta de vocação para a parentalidade dos pais de Greer, traduz-se na sua incapacidade para preencher os documentos certos e Greer fica sem bolsa de estudo. Cory segue para Yale e Greer acaba por ter que se contentar com uma Universidade de 2ª linha. Já a frequentar a universidade, Greer assiste a uma palestra de Faith Frank, uma das figuras centrais na luta pelos direitos das mulheres, na América, que vai ser determinante no desenrolar do seu futuro.

Este livro é muito parecido com outro da mesma autora, de que já vos falei aqui – Os Interessantes - noa medida em que nos fala novamente nos sonhos e nos idealismos da juventude e na forma como a vida nos pode desviar de percursos já definidos.

Fala-nos muito na condição feminina um pouco por todo o mundo. A forma como o nosso local de nascimento e as nossas famílias podem condicionar todo o nosso desenvolvimento e as oportunidades que nos são colocadas. O feminismo é abordado nas suas várias vertentes, a dignidade pessoal (assédio, sexismo), a benevolência com que ideias feministas são tratadas pelas grandes empresas, a desigualdade de género originada pela pobreza, classe social ou cultural.

Temos Faith que, ao contrário do irmão, não foi para a universidade que queria porque os pais entenderam que as meninas não deviam sair de casa tão cedo. A amiga de Faith que quase morreu num aborto clandestino e, mesmo assim, passou a lutar ferverosamente… contra o aborto. A amiga de Greer, Zee, homossexual assumida desde muito cedo na vida… criada por pais juízes conservadores. Cory que, sendo homem, teve um comportamento por muitos considerado feminino, quando deixou para trás um futuro brilhante na alta finança, para cuidar da sua mãe.

É um livro que nos obriga a pensar… a mim fez-me pensar sobretudo na forma como os grandes ideais de defesa de direitos, neste caso das mulheres, mas pode ser de todo o tipo de direitos fundamentais, são tantas vezes desvirtuados em favor de princípios e interesses tão pouco nobres.

Acabadinho de ler!

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Os Olhos Amarelos dos Crocodilos, de Katherine Pancol

Andava eu desesperada, porque não tinha nada para ler, a vasculhar tudo quanto era listas de leituras, blogs de leitura, sites de livrarias à procura de alguma coisa que me enchesse os olhos, quando encontrei este título.

Parece que foi um grande sucesso de vendas há uns anos. Li a sinopse e a história não me desagradou. Procurei no OLX e, nem de propósito, estava um à venda na zona de Lisboa. No dia seguinte já o tinha, pela módica quantia de 6 ou 8€.

Sabem o que vos digo? Ainda bem que o comprei por este preço. Acho que me sentiria muito defraudada se o tivesse comprado numa livraria, por 15 ou 20€.

Foi a capa e o título que me enganaram. Quando entro numa livraria tenho por costume fugir dos livros que têm aquelas capas muito rococó, muito cor-de-rosinhas, com aquelas letras cheias de redondinhos. Este livro devia ter uma capa dessas… mas não tem e enganou-me.

As personagens principais são as irmãs Joséphine, uma estudiosa do século XII, que se vê abandonada pelo marido, cheia de dívidas, e tem de lutar para ultrapassar as dificuldades e criar sozinha as duas filhas, coisa que ninguém na família acredita que conseguirá; e Íris uma mulher rica, demasiado bonita, que vive às custas do marido, que sente que o seu casamento pode não durar muito mais tempo. À volta delas circulam outras personagens que se cruzam nas suas vidas: a mãe e o padrasto das duas, a amante do padrasto, as filhas e a amiga inglesa da Joséphine…

Um dia Íris faz um acordo com a irmã: Joséphine escreve um romance, mas quem o assina e publicita é Íris, porque é disto que Íris gosta… gosta da fama, mas não gosta de trabalhar para a fama. É durante o processo de escrita e de publicidade do livro, que se torna um estrondoso sucesso de vendas, que assistimos ao ‘crescimento’ de Joséphine. Todo o processo de passagem do patinho feio, inseguro, para uma mulher decidida, confiante.

Este foi o único aspeto da história que me agradou… tudo o resto é muito… bhléc!

É demasiado óbvio. É demasiado ‘os bons e os maus’ e os bons ganham aos maus… e foram felizes…

O que é aquela história do ex-marido da Joséphine ir para o Quénia criar crocodilos? O que é aquela história da amiga inglesa da Joséphine?

A história tem continuação em mais dois volumes. Pode ser que ainda leia o próximo, se voltar a ficar sem nada para ler, mas só porque estou curiosa com a Joséphine (não vai acontecer tão depressa... já tenho mais dois na estante, em fila de espera!)

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