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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

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Rita, a madrasta

Isto de ser madrasta tem muito que se lhe diga. Cada caso é um caso, com muitas variáveis em jogo: a madrasta, a criança, os pais da criança, os avós da criança. Tenho a sorte de ter um enteado que sempre foi um amor de menino. Meiguinho. Desde que fosse bem tratado, para ele estava tudo bem (acho que é isto que qualquer criança de 6 anos quer).

Lembro-me de a minha mãe me dizer ‘Oh Rita tens que ter muita atenção. Não estás a casar só com um homem, também estás a casar com o filho dele’ e a minha avó que me disse ‘nunca te esqueças, o menino não tem culpa de nada, ele não pediu para nascer.’

Desde muito cedo o Paulo deixou-nos entregues um ao outro. A intenção era clara. Nós dois tínhamos que nos entender, criar as nossas regras. Ele só intervinha quando era mesmo necessário. É verdade que nem sempre conseguia ser imparcial (era o menino dele), mas houve muitas situações em que compreendeu a minha posição e contrariou o Melga.

Desde o início deixámos muito claro para o Melga que, em nossa casa, o Paulo era o Pai, o Melga era o Filho e eu era a ‘Mãe’. Houve algumas rotinas que quis mudar e tive que batalhar para as conseguir mudar. Nem sempre foi fácil, ainda ouvi algumas vezes a famosa frase ‘se ele fosse teu filho, não fazias isso’. Mas tenho a consciência tranquila. No meu relacionamento com o Melga tive sempre o cuidado de pensar ‘se ele fosse mesmo meu filho, como é que eu fazia’.

Acho que tive bons resultados. Quando havia TPC’s era para mim que o Melga se virava. Estava fora de questão ser o pai a cortar-lhe as unhas. Quando chegámos àquela fase em que já tomava banho sozinho, mas ainda era preciso ajuda para se limpar, era por mim que chamava a cantarolar ‘Ritita, a minha toalhita’.

Lembro-me de um dia estar a esfregar-lhe a cabeça durante o banho e termos esta conversa:

Melga: Sabes Rita, hoje a professora disse que os pais devem ajudar os filhos a fazer os trabalhos de casa.

Eu: Tem toda a razão. Assim os pais ficam a saber que matérias é que os filhos estão a estudar.

Melga: Tu também me ajudas a fazer os trabalhos de casa.

Eu: Pois! Quando estás cá em casa, ajudo.

Melga: Mas tu não és a minha mãe.

Eu: Pois não.

Ficámos um bocadinho em silêncio. Percebi que estava num dilema e não sabia como dar a volta ao assunto.

De repente levanta cabeça, olha para mim e disse: És quase minha mãe.

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