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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Outra vez a mesma tecla!

Já leram as notícias que têm saído nos jornais sobre o incomodo que se sente na PJ, porque estão a entrar muitas mulheres para os cursos de formação de inspetores? Foi a representante do sindicato, uma mulher, que o disse, destacando que não se trata de uma questão de incompetência, mas de uma questão de operacionalização dos serviços.

Parece que as mulheres quando engravidam pedem para ser colocadas em unidades de investigação onde o risco é menor, deixando as unidades de combate à criminalidade violenta mais desfalcadas de meios humanos, o que sobrecarrega os colegas homens, que são levados ao extremo… e adoecem. Também apresentaram os números do absentismo. Parece que as mulheres têm uma maior taxa de absentismo, justificada com a necessidade de dar assistência a filhos menores.

Ora bem… por onde começar…

Quanto à primeira questão… nada a fazer, não é?

Enquanto a mãe natureza entender que só a mulher tem condições físicas para parir… temos pena! Por muito que se goste do que se faz, temos esta coisa do instinto protetor dos mais pequenos... uma chatice!

Quanto à segunda questão… porra… andamos sempre a bater na mesma tecla, não é?

As mulheres faltam mais ao trabalho porque ainda vivemos numa filha da p*** de sociedade convencida que as mulheres são os únicos seres geneticamente programados para executar determinadas tarefas. Toda a gente sabe que os homens são profissionais dedicadíssimos que não devem deixar que a vida doméstica empecilhe o seu desempenho profissional.

Não fica bem a um homem faltar ao trabalho para ficar em casa a limpar narizes ranhosos ou a mudar fraldas cheias de diarreia de um filho doente.

Um homem pedir para gozar a licença de parentalidade!? É meio caminho para ser chamado de tudo pelos restantes colegas… ‘o puto que vá para a creche, pá!’

Deus nos livre ver um homem a pedir para sair mais cedo do trabalho para ir com um filho à consulta… ‘não tens mulher lá em casa que te resolva isso?’

Há uns meses voltei a sentar-me numa ação de formação sobre igualdade de género. Fui ouvir o que já sabia. Não é que os homens não queiram gozar licenças de parentalidade ou ficar em casa com filhos doentes. Muitos querem (ainda há uma franja que acha que isto de criar filhos é coisa de mulheres), só que não pedem… têm medo das represálias dos patrões… e dos colegas. Então encolhem-se. É mais simples continuar a deixar que sejam as mulheres a sofrer as ditas represálias.

Por mim, é muito simples… quem tem medo compra um cão!

Somos nós, mulheres, em nossas casas que temos que começar a mudar. Temos que deixar de pensar e de agir como se os homens fossem uns inúteis que não sabem cuidar das nossas crias tão bem quanto nós. Quantas vezes já assistiram à cena das colegas que até deixam os maridos em casa com filhos doentes, mas que passam o dia a telefonar para casa... ‘então, já deste a sopinha ao menino… vestiste a camisola interior, vê lá a janela da cozinha… então o menino já fez cocó… dormiu bem…’  num exercício doloroso de expiação dum sentimento de culpa que mete dó!

As crianças aprendem pelo exemplo do que veem. E se virem que é sempre a mãe a faltar ao trabalho cada vez que estão doentes, ou precisam de ir ao médico, ou é preciso ir à reunião da escola, então é isso que vão transportar para o futuro.

2020... e ainda a dizer o óbvio!

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