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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Falemos então de caixotes!

Sim, este é para vocês, a malta da GSA, em especial, e da carga aérea no aeroporto de Lisboa, em geral

Ao contrário de mim que tenho tias e tios, primas e primos para dar e vender, o Paulo tinha uma família pequenina (pais, irmã, cunhado e dois sobrinhos).

Ao contrário de mim, o Paulo tinha um mundo de Amigos. Assim mesmo com A maiúsculo.

Camisola.jpg

Não era possível ter este blog sem fazer uma referência à malta da GSA (para mim não há cá Air Logistics): o Rui (e a Ana), o Jorge (e a Beta), o Pedro (e a Fátima), a Eva, a Carla (sei que são mais, mas estes são os que mais me lembro).

Também os irmãos Rocha Pinto (e a Marta) e o ‘Caçoilo’ (junto com o Paulo foram uma espécie de ‘cocó, ranheta e facada’).

Para além de mim e do Melga, que tivemos que reinventar uma vida, que tivemos que nos habituar a entrar sozinhos em casa, todos os dias, também os colegas da GSA tiveram que aprender a entrar todos os dias no escritório e ver a secretária do Paulo vazia, também eles tiveram que reaprender a trabalhar e a viver sem o Paulo. Bem vistas as coisas, somos os que mais sentimos a sua falta, porque o Paulo fazia parte do nosso dia-a-dia.

O Paulo era a personificação do ‘gajo bacano’. Para qualquer lado que fossemos o Paulo encontrava sempre algum conhecido do aeroporto (no início estranhei, depois entranhei!).

No velório e no funeral eu sabia que ia aparecer muita gente, mas não estava preparada para aquele MUNDO de gente. Gente que eu não conhecia, que não me conhecia, e vinham ter comigo, muitos de lágrimas nos olhos: ‘trabalhei com o seu marido muitos anos’, ‘era um grande amigo’, ‘vou sentir muito a sua falta’. Lembro-me de chegar ao cemitério, sair da carrinha funerária, olhar para trás e ver uma fila de automóveis a perder de vista. Só mais tarde vim a saber que o funeral congestionou o trânsito da vila onde moramos de tal maneira, que houve moradores que quiseram chamar a polícia para ordenar o estacionamento e o trânsito.

Estou muito grata à malta da GSA. Nas semanas a seguir ao funeral revezaram-se e telefonaram-me para casa para saber como estava, se precisava de alguma coisa (sim, eu percebi que era uma vez a cada um!) e que todos os anos se lembram de me convidar para o jantar feito com os ganhos anuais do totoloto. O Jorge que me telefona sempre que tem dúvidas na entrega do IRS ou para me desejar um bom natal, ou a Beta e a Ana que respondem aos meus desabafos no facebook, a Fátima que teve uma paciência de santa com os meus medos burocráticos, o Pedro que se lembra de me ligar no dia dos anos do Paulo.

Estou muito grata ao Orlando Rocha Pinto que, quando foi preciso retirar a urna da sala do velório, se chegou à frente e perguntou 'quem é que ajuda a levar o amigo?' e não houve urna para tantas mãos.

A todos os que trabalharam com o meu querido Paulo, posso dizer que tenho muitas saudades das conversas que acabavam sempre em caixotes, paletes e cartas de porte; não posso dizer que tenho saudades de ouvir chamadas para o telemóvel do Paulo às 21h que começavam com a frase ‘Paulinho, ainda estás no escritório?’

Eu sei que não faziam por mal. Uma vez o pai de um colega do Melga perguntou ao Paulo o que é ele fazia. Ele respondeu que trabalhava com carga aérea. ‘Carga aérea! Isso é trabalho para gente louca!’ e o Paulo disse ‘Pois é!’

Mas ele não se via a trabalhar noutra coisa que não fossem os aviões.

Obrigada a todos.

 

PS: Não interpretam mal o que eu disse. Não posso comparar a nossa dor à dor dos pais do Paulo. Essa é uma dor à parte. É outra dor. Chegar aos 80 e ver morrer um filho… é simplesmente contra natura. O ser humano devia estar geneticamente programado para não poder morrer antes dos pais.

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