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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

‘Destralhar’, mas com conta, peso e medida!

Já vos contei aqui que, este meu processo de luto está a passar muito pela necessidade de transformar a ‘nossa casa’, na ‘minha casa’.

Decidi também que mais do que mudar ou comprar, precisava de ‘destralhar’. Mais do que mudar a disposição de móveis ou decidir a cor dos novos cortinados, decidi que ‘nenhuma pedra ficaria por virar’ e, por isso, tenho andado numa luta com os roupeiros e as gavetas.

Posso dizer que encontrei COISAS nos confins dos roupeiros que nem sonhava que tinha ou não me lembrava que lá estavam. Coisas que foram guardadas quando me mudei para esta casa, há DEZ anos, e que nunca mais viram a luz do dia. COISAS, OK!

Mas no meio das COISAS, encontro coisinhas que me levam a parar e a pensar. O meu querido Paulo era isso mesmo, muito querido e eu gostava tanto dele, mas tenho que reconhecer que tinha uma pontinha de acumulador. Gostava de guardar coisas, ter coisas.

Por isso, há vezes tenho dias mais difíceis. Não são nenhuma data em especial, apenas tomo consciência das saudades imensas que tenho do meu Paulo. Podemos andar distraídas durante algum tempo (o trabalho, o ginásio, as parvoíces que se dizem no FB), mas depois, do nada, acontecem coisas pequeninas que nos voltam a pôr de joelhos.

Num destes dias, em que andava em limpezas, abri um cesto e lá dentro estava um saco de plástico atado. "Que raio será isto?" Abri e lá dentro estavam papéis e papelinhos.

Quem conheceu o Paulo sabe que era um colecionador de papéis e papelinhos. Lá por casa tínhamos sacos, saquinhos e saquetas de papéis e papelinhos. Era uma luta deitar fora um talão de multibanco. Sempre que era preciso procurar alguma coisa, a única certeza que o Paulo tinha era que TINHA o papel, já ONDE O TINHA era toda outra questão.

Comecei logo a rosnar, a olhar para o teto "mais papéis Paulo? Como é possível ainda haver papelinhos se já deitei tanta coisa fora?"

Como sempre não fui capaz de simplesmente deitar tudo fora. Tinha que ver e esse foi o meu erro, ou talvez não.

No meio de COISAS, sem qualquer interesse, estavam os bilhetes de avião da nossa lua-de-mel, o mapa da Ilha de S. Miguel que utilizámos nos nossos passeios, cartões dos restaurantes por onde passámos, exemplares dos convites do nosso casamento, fitas de papel com o menu, que serviam de argolas dos guardanapos no almoço do nosso casamento...

Este era o meu Paulo. Afinal não era só um acumulador, era antes um guardador de recordações.

Voltei a ficar de joelhos, voltei a chorar. Organizei estas coisinhas todas e guardei num baú junto com outros papelinhos e coisinhas que merecem ser guardados.

Afinal também fazem parte da minha história, não é?

IMG_20161120_161537.jpgIMG_20161120_161634.jpg

Algumas COISAS que encontrei nos confins de um roupeiro. O que nós dois procurámos por estas imagens...

Pronto, Paulo. Já estão emolduradas e penduradas. Gostas?

(Sim, já sei, os quadros brancos estão ligeiramente desalinhados. Assim que possivel vou endireitá-los.)

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