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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Carta à Maria Botelho Moniz

Eu sabia que a Maria tinha passado por uma tragédia com um namorado, já tinha lido ou ouvido falar alguma coisa, mas, como das revistas cor-de-rosa eu só leio ‘as gordas’, não conhecia os contornos da história. Assim que vi os primeiros trailers do programa Alta Definição, a primeira reação foi… não quero ver, mas no domingo à tarde dei comigo sentada no sofá e pumba… começou a entrevista e eu fiquei ali… confesso que a primeira coisa que me hipnotizou foi a casa dela… gira, depois foi aquela cadela fofa, mas a história dela deixou-me em lágrimas… conheço tão bem aquela dor.

 

Querida Maria (desculpe a audácia de a tratar por querida)

Afinal a sua história é muito mais parecida com a minha do que alguma vez podia imaginar. Também eu vivi 13 anos com o meu marido e, tal como a Maria, um dia acordei e… não havia ninguém. O meu marido também morreu em 2014 de forma súbita.

Quero dizer-lhe que o que mais me arrepiou na sua entrevista foi o facto de a Maria utilizar as mesmas expressões que eu costumo utilizar. Ao longo da sua entrevista fui fazendo um esforço para me controlar, mas quando se referiu ao ‘guardar tudo nas gavetinhas’ as minhas lágrimas nunca mais pararam, porque foi isso mesmo que eu senti depois do meu Paulo morrer. Ficar perdida com tudo revirado do avesso e ter que arrumar tudo outra vez em gavetinhas novas.

Quando a Maria disse ‘a minha alma morreu’, não sei se é a alma que morre ou se é ‘alguma coisa que se partiu cá dentro’ (como eu costumo dizer), alguma coisa que muda de tal maneira cá dentro… nunca mais se consegue ter a leveza de antes.

Também eu corri para os braços da minha mãe, Maria. Também eu agradeço profundamente o facto de ter uma família que soube a medida certa do colo e do espaço.

Também eu desejei secretamente estar grávida (tal como a Maria, nós não tinhamos filhos), mas hoje acho que não teria sido boa ideia...

Também eu voltei ao trabalho uma semana e meia depois do funeral (se bem que no meu caso, dois meses depois tive que fazer uma pausa de três semanas… cometi um erro, comecei por fazer de conta que o Paulo estava em viagem e voltava daí a dois dias… mas não podemos viver no mundo do faz de conta, não é? Depois chegou o dia em que que se deu o clic… e afundei um bocadinho e precisei parar para me recompor).

Quando a Maria disse ‘no primeiro ano… só se sobrevive’, não sei se é uma sobrevivência. Eu sentia-me um autómato, só sabia que tinha que pôr um pé à frente do outro e deixava-me levar.

Já me disseram muitas vezes que SOU FORTE, porque lidei com a minha perda de forma exemplar. Será que já lhe disseram o mesmo? Não me considero forte. Simplesmente a vida deu-me um safanão (e que safanão!) e só tive que ‘guardar tudo nas gavetinhas’ e andar para a frente… como o meu Paulo haveria de querer.

Minha querida Maria (outra vez a audácia…),

Também eu acredito que ganhei um anjo da guarda lá no céu, que zela por mim e não deixa que nada de mal me aconteça (se lhe contasse algumas coincidências a que assisti nestes 4 anos...).

Acredito que a vida vai voltar a sorrir para ambas, um dia… acho que merecemos isso.

Tenho para mim que os nossos anjos da guarda devem andar lá por cima a tricotar alguma coisa.

Um grande beijinho para si.

 

PS1: nunca perca o seu sorriso.

PS2: só não gostei quando disse que não gosta de gatos. Se é uma questão alérgica diga que não simpatiza. No meu caso foi o meu gato-lontra que me tirou da cama muitas vezes... punha-se na cozinha a miar, parecia uma sirene dos bombeiros, porque não tinha comida e a areia estava suja, e que remédio tinha eu se não ir tratar do animal...

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