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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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As escolas e os miúdos de hoje

Este texto vem a propósito de outro que li no blog 'E Agora? Sei lá!'

Como já aqui disse, eu não tenho filhos, mas tive o Melga e pude acompanhar de perto todo o seu crescimento e percurso escolar, desde o 1º até ao 12º ano.

Durante a escola primária tudo correu bem. O Melga andava debaixo na nossa asa, acho que é uma fase comum a todas as crianças, até aos 10 anos são fáceis de levar. Estou a falar de uma criaturinha que, aos 6 anos, chegava à porta da escola, virava-se de frente para o pai e proclamava: ‘Pai, eu agora vou sozinho, tá bem?’ e o pai, do alto do seu 1,82m, esticava o dedo e dizia ‘à minha frente já depressa. Ai, já a formiga tem catarro!’ e lá ia ele de orelha murcha.

Sempre foi bom menino, mas tinha características que faziam dele um alvo fácil de identificar em qualquer sala de aula: foi sempre matulão, muito irrequieto (MUIIIIITO!) e tinha uma cabeleira de caracóis louros que não lhe dava muitas hipoteses de passar despercebido. A partir do 5º ano começaram a chegar os recados na caderneta. Tanto eu como o Paulo tentávamos dar-lhe na cabeça, não ir em desculpas esfarrapadas, mas não foi fácil.

Estava o Melga no 9º ano, contou-nos uma história que se tinha passado na sua sala de aula. Parece que os miúdos meteram na cabeça que o professor era gay e levaram a aula toda, ostensivamente, a gozar com a criatura e, por consequência, a destabilizar a aula. A certa altura, a falta de respeito deve ter chegado a um patamar, que o professor perdeu as estribeiras e agarrou num dos miúdos pelo braço (com alguma força, parece!) e pô-lo fora da sala.

Aqui d’el-rei! Que o colega vai falar com os pais e os pais vão fazer queixa do professor e o professor está tramado e o professor vai ser expulso, não podia tocar no aluno e blá, blá, blá…

Eu olhei para o Melga e, de forma muito serena e calma, disse-lhe: se fosses meu filho e essa história se tivesse passado contigo, eu ia à escola, mas era para te obrigar a pedir desculpa ao professor à frente da turma toda.

Ficou escandalizado. Olhos arregalados! O QUÊÊ???

Comecei a debitar discurso sobre coisas como o respeito pelo professor, se os alunos querem ser respeitados, têm que respeitar quem os rodeia, que era algo que ele devia saber desde a primária, blá, blá, blá…

No ano seguinte dou comigo, pela primeira e única vez na vida, numa reunião de encarregados de educação. Saí de lá com os cabelos em pé, só me apetecia chamar nomes àqueles pais todos. Seria possível que aquelas alminhas já não se lembravam como era ter 15, 16 anos e andar numa escola secundária?!

Em traços largos a situação mais debatida foi a seguinte: das três turmas de 10º ano da escola, a do Melga era a que tinha piores resultados. Ora, para todos os pais presentes, ou pelo menos para a grande maioria que se manifestou, a culpa era, claro, dos professores que não explicavam bem a matéria. Não tinha nada a ver com o facto dos seus educandos não trabalharem as matérias em casa. NÃÃOO!

Será que aquelas cabeças achavam que os professores explicavam melhor nas outras duas turmas e pior naquela turma em especial? Uma espécie de teoria da conspiração...

Como é que em duas gerações saltámos do 8 para o 80.

No tempo dos meus pais, os meus avós iam à escola autorizar o professor a bater nos filhos se preciso fosse. Os nossos pais já não permitiam que os professores nos batessem, mas, se preciso fosse, levavamos uns tabefes em casa. Como é que nós passámos de levar uns estalos ou uns castigos quando nos portavamos mal, para agirmos com os nossos filhos como se fossem de cristal? Hoje, os meninos têm sempre razão, têm sempre desculpa e ai de quem diga o contrário!

Desde há 4 anos a minha irmã também vai a reuniões de encarregados de educação e vê e ouve coisas de arrepiar. Os meninos com rendimento mais baixo não podem ser separados do resto da turma, porque ficam traumatizados (a minha irmã fez a primária toda no grupo dos mais fracos da sala e acabou licenciada, sem traumas!), mães que não deixam os filhos participar em visitas de estudo porque se podem perder.

Enfim, havia tanto para dizer, mas acho que já perceberam a minha posição sobre este assunto. 

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