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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

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Acabadinho(s) de ler!

Desta vez são dois livros: ‘O Projeto Rosie’ e ‘O Efeito Rosie’, de Graeme Simsion.

Estão a ver o Sheldon Cooper da série ‘A Teoria do Big Bang’? O Sheldon é o Don Tillman, o personagem principal destes livros. O Don é 100% razão, 0% emoção. Para o Don o mundo é preto ou branco, não existe uma escala de cinzentos pelo meio. O Don sofre de uma qualquer forma de autismo, talvez Asperger.

Projeto_Rosie.jpg

À partida o Don tinha tudo para ser o homem de sonho de qualquer mulher. Inteligente, cientista bem-sucedido, em boa forma física e… imagine-se… cozinha primorosamente, MAS (há sempre um mas, não é?) tem uma enorme dificuldade em relacionar-se com outras pessoas. Quase não tem amigos e nunca teve uma namorada.

Vive uma vida cronometrada ao minuto. Tudo está planeado, ao mais ínfimo pormenor. Ainda assim, sente falta de ter alguém na sua vida, por isso, faz o que faria com qualquer outro problema, racionalmente traça um plano de ação, o ‘Projeto Esposa’. Para facilitar a procura da mulher perfeita, elabora um questionário para excluir as mulheres que jamais combinariam com ele. A mulher ideal do Don não pode ser fumadora, vegetariana ou uma pessoa que se atrasa ou usa muita maquilhagem. Tem que ser inteligente, gostar de ciências, saber cozinhar, não deve ser teimosa ou ter um sabor preferido de gelado.

Rosie é bonita e inteligente, mas o primeiro encontro deles não poderia ser mais desastroso. Rosie atrasa-se e Don descobre que, além de fumadora, é vegetariana, não se importa com planos e gosta de mudar as regras. Ou seja, totalmente inadequada.

Então… porque ele não consegue ficar longe dela? Depois de algumas peripécias relacionadas com o ‘Projeto Pai’, o destino vai mostrar aos dois que são perfeitos um para o outro e que o amor não tem nada de racional.

efeito-rosie.jpg

Don encontrou o seu final feliz. Rosie não é a mulher perfeita que Don achava que queria, mas ele aprendeu que o amor não está na perfeição. Rosie e Don estão casados há 10 meses. Vivem num pequeno apartamento, em Nova Iorque, e trabalham desalmadamente. Rosie está a terminar a sua tese de doutoramento em psicologia e iniciou o curso de medicina.

Um dia anuncia que está grávida… algo para o qual Don não estava mesmo nada preparado.

Como sempre, Don traça novo plano de ação: o ‘Projeto Bebé’. Os principais desafios são encontrar um lugar maior para morarem, garantir a liquidez financeira do casal e que Rosie tenha uma gravidez saudável. Mas o desafio mais difícil é a paternidade. Quando se trata de pessoas, Don sabe que é um completo desastre e começa a temer que o seu filho (o Bud) sofra com um pai esquisito ou que seja socialmente inadequado como ele. Rosie, às voltas com as suas próprias inseguranças, encara as ansiedades de Don quanto a ser pai como falta de interesse e, rapidamente, o casal entra numa crise conjugal: serão diferentes demais para ficarem juntos?

Ando a ler estes livros, desde janeiro. Fiz várias interrupções e li outros livros pelo meio (como vos vou mostrando aqui). Agora que os acabei, fico a pensar… porque é que levei tanto tempo? À partida seria uma história que despacharia num ápice… porque é que fiz tantas interrupções, porque é que me chateei com esta história?

Só quando já ia a meio de segundo livro é que se fez luz: a culpa não é do livro, a culpa é do meio feitio. Estes livros tiveram o dom de me fazer pensar na forma como lido com as pessoas diferentes. Eu não sei lidar com pessoas diferentes. Definitivamente, eu não sou uma Rosie.

O primeiro volume até foi de leitura rápida. Foi o segundo volume que me chateou. Primeiro parei porque o Don, nas suas investigações científicas sobre a paternidade, resolveu ir para um parque infantil… tirar fotografias a crianças!!!

Estão a ver onde é que isto vai dar, não estão? Houve ali uma sucessão de escolhas que me enervou. Parecia que sempre que o Don tinha que fazer uma escolha entre caminhos, escolhia o pior caminho… Bolas, por muito inapto que se seja nesta coisa das normas sociais, há mínimos, não há?

Mas será que esses mínimos se aplicam a uma pessoa que está dentro do espetro do autismo? Se calhar não…

Voltei à leitura.

A segunda vez foi quando a Rosie teimou em não parar com a tese ou adiar o curso de medicina por um ano, por causa do bebé, chegando a dizer que se fosse preciso levava a criança para o hospital com ela.

Oi? Então não é suposto ela ser a pessoa sã nesta relação? A que tem os pés na terra, a âncora do Don? Como nunca estive grávida, precisei de um tempo para encontrar uma desculpa para a Rosie… eram as hormonas aos saltos!!!

Gostei da história. Gostei de ver o Don a crescer e a conhecer um mundo que lhe era incompreensível, de ver as pessoas à sua volta que não desistiram dele (como eu desistia sempre que alguma coisa me era incompreensível no seu comportamento). Afinal é só uma história de amor... e o amor é isto mesmo, querer ficar com uma pessoa, aceitando o pacote completo, as coisas boas mas, sobretudo, as suas imperfeições...

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