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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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Acabadinho de ler!

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'A minha avó pede desculpa', de Fredrik Backman

Definir este livro numa palavra… TERNURA.

Ainda ontem estava na viagem de barco, de regresso a casa, a ler as últimas páginas e… nos 20 minutos que leva o percurso tive que tirar um lenço da mala para limpar as lágrimas e assoar o nariz… dois parágrafos mais à frente tive que me controlar para não dar uma gargalhada.

Este livro fez-me recordar o filme ‘A Vida é bela’. A capacidade infindável daquele pai em esconder os horrores do holocausto dos olhos do seu filho, fabricando histórias divertidas que o faziam rir. Neste livro passa-se mais ou menos a mesma coisa.

Este livro não fala do holocausto, fala antes de algo que nos está muito mais próximo, algo que está presente nos dias que correm, muitas vezes ali ao nosso lado e que tantas vezes ignoramos… fala de SOLIDÃO.

A primeira solidão que encontramos é da Elsa, a personagem principal desta história, uma menina de sete anos (quase oito) que não tem amigos na escola, apenas porque… é diferente. Apesar de muito perspicaz, com uma inteligência muito acima da média, não deixa de ser uma criança de sete anos (quase oito), na escola é perseguida pelos colegas (bullying) e em casa passou pelo divórcio dos pais, vive com a mãe e o seu novo companheiro que aguardam a chegada eminente de um novo filho e vê o pai, que agora vive com outra mulher e os filhos dela, apenas de 15 em 15 dias.

Elsa é profundamente amada pela sua avó materna de setenta e sete anos. A avó pode parecer rabugenta, mas é uma avó muito carinhosa para Elsa. As coisas que ela faz podem parecer loucas, mas à medida que a história avança percebemos que se trata de uma pessoa boa e humanitária e conseguimos perdoar tudo.

Para a proteger da sua solidão, a avó transporta-a para um mundo de fantasia e conta-lhe histórias sobre um mundo de contos de fadas, no reino de Miamas que fica na Terra-de-Quase-Acordar. Um mundo fantástico com príncipes e princesas, dragões, cavaleiros corajosos, reinos distantes.

Os primeiros capítulos são hilariantes, de rir até às lágrimas, mas depois a avó morre o que deixa a Elsa muito revoltada e a sentir-se ainda mais só. Mas a avó tem um plano, deixa uma tarefa à sua amada neta Elsa: entregar cartas a todas as pessoas a quem a avó quer pedir desculpa.

Há medida que Elsa vai entregando as cartas, a todos os seus vizinhos do prédio onde mora, vamos percebendo que as histórias que avó contava afinal têm uma relação com o mundo real, com as pessoas que todos os dias giram em torno da vida da Elsa e vamos encontrando os vários tipos de solidão.

Confesso que por vezes achei a Elsa demasiado precoce, às vezes foi difícil acreditar que uma criança de sete anos possa ser tão sábia e conhecedora das pessoas. Ela tem diálogos tão inteligentes que às vezes até me esquecia que ela só tem sete anos (quase oito) até vermos as suas inseguranças e vulnerabilidades enquanto lida com o divórcio dos pais, enfrenta a morte e a sua ansiedade em ter um meio irmão ou irmã.

Adorei este livro. Quando virei a última página apeteceu-me voltar ao início.

Recomendo muito.

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