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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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Acabadinho de ler!

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Há anos que andava para ler este livro. Volta e meia entrava numa livraria e, se estivesse em algum escaparate, pegava-lhe… mas depois aparecia outro livro mais na ‘berra’ e este acabava sempre por ficar. No Natal passado ofereceram-mo… mesmo assim não lhe peguei logo, ainda li outras coisas antes, mas agora já posso dizer…Prova Superada.

O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler, é um romance histórico. É um estilo a que gosto de voltar, porque são histórias que, quando bem contadas, dão-nos a possibilidade de passar um bom momento a ler, mas, sobretudo, permitem-nos aprender um pouco mais sobre vários períodos da História.

Neste caso, o período retratado é o ano de 1506, na cidade de Lisboa, e tem como personagens principais os judeus forçados a converter-se ao cristianismo, no reinado de D. Manuel I. Em abril desse ano, durante as celebrações da Páscoa, cerca de 2000 cristãos-novos foram assassinados e os seus corpos queimados no Rossio.

As principais personagens pertencem a uma família de cristãos-novos residente em Alfama, cujo patriarca, Abraão Zarco, é um iluminador e membro da célebre escola cabalística de Lisboa. Ele e uma jovem rapariga são encontrados mortos na cave, com a porta fechada por dentro. O assassino terá sido um cristão, ou outro judeu? Quem seria a rapariga morta? Como é que o assassino escapou, se a porta estava fechada por dentro?

Acompanhamos Berequias Zarco, sobrinho de Abraão e seu discípulo no estudo da cabala, nas suas idas e vindas por Lisboa e arredores para encontrar as respostas a estas perguntas.

Confesso que não foi um livro fácil de ler. São muitas as personagens, algumas com nomes judeus complicados de fixar, com muitas referências a tradições judaicas e à filosofia cabalística (que me escapavam!), como muitas idas e vindas do Berequias (raio do moço que não parava quieto!) o que, no meu caso, acabou por dificultar o exercício de ‘seguir o fio à meada’ (como já vos disse, eu leio sobretudo nos muitos transportes públicos que apanho diariamente, chegam a ser cinco em cada viagem, por isso, a minha leitura é interrompida muitas vezes).

Optei por me fixar sobretudo na resolução do mistério: quem matou Abraão? Afinal de contas, o que andava ele a fazer com os manuscritos? E pelo caminho retive todas as referências à cidade e ao povo de Lisboa que, por aquela altura, estava a atingir o seu apogeu como capital dum império grandioso (já tínhamos chegado à India e ao Brasil), mas cuja população vivia numa miséria física e mental, agarrado a um fanatismo alimentado pela Igreja Católica.

Perante a necessidade de encontrar uma explicação para tudo o que atormentava o povo, desde a seca até à doença, tudo era culpa dos judeus ou dos mouros, e o povo, instrumentalizado pelo poder, respondia nas ruas com violência e barbáries inconcebíveis.

Um livro triste, que faz pensar… afinal de contas, 500 anos depois, em muitos lugares do mundo, ainda temos o mesmo tipo de violência praticada por povos instrumentalizados...

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