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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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Acabadinho de ler!

Já vos falei deste livro quando fiz o post a propósito do dia da mulher: ‘O Pior Marido de Inglaterra’, de Wendy Moore.

Sabem o que custa mais neste livro?

Saber que não estamos a ler uma ficção. É REAL. A comprovar as 340 páginas da história estão mais umas 40 páginas de notas, que comprovam a pesquisa exaustiva da autora em bibliotecas, arquivos públicos e privados, museus, castelos. Um relato quase inacreditável sobre a vida de Mary Eleanor Bowes.

A autora pretende demonstrar como o casamento era visto na sociedade do século XVIII. Uma salvação e ao mesmo tempo uma prisão para as mulheres. Solteiras não era nada. Casadas eram bem vistas aos olhos da sociedade, mas muitas vezes à custa de uma vida miserável. Este é um daqueles casos em que a tradução do título para português perde muito para o original. Em inglês o livro chama-se ‘Wedlock’ e era isso mesmo que o casamento significava naquela altura: um cadeado que se fechava e do qual se atirava fora a chave.

O-Pior-Marido-de-Inglaterra.jpg

Em 1760, quando tinha 11 anos, o pai de Mary morreu, transformando-a numa das herdeiras mais ricas da Inglaterra.

Mimada, muitíssimo bem-educada, tendo em conta o seu sexo e o período de tempo em que viveu, aos 18 anos casou com o Conde de Strathmore. Não foi um casamento feliz, o marido não aprovava os seus estudos botânicos (embora não os tenha impedido) e não lidava bem com o facto de a riqueza que ela trouxe para a relação, vir acompanhada de obrigações estipuladas pelo pai dela antes de morrer. Naquele tempo uma mulher não possuía nada, a propriedade era um direito reservado aos homens. No entanto, o pai de Mary assegurou que ela teria sempre alguma coisa. Quando o marido morreu, Mary não ficou de coração partido e encarou isso como uma oportunidade para uma vida sem muita interferência.

Mal ela sabia o que iria acontecer a seguir. Não bastando o facto de ter perdido a custódia dos seus filhos (uma mulher não tinha o direito de criar os filhos sozinha, por muito dinheiro que tivesse) que foram imediatamente entregues a tutores (homens), Andrew Robinson Stoney, um sociopata execrável, entrou na sua vida.

Para caçar a sua presa, fingiu um duelo sobre a honra de Mary e, quando parecia estar às portas da morte, ela concordou em casar-se com ele. Mas era tudo mentira. Após o casamento, recuperou-se muito rapidamente e começou a tornar a sua vida num inferno. Espancava-a até a inconsciência, proibia o acesso aos seus jardins e estufas, desfilava as suas amantes e filhos ilegítimos dentro de casa, abusava das criadas, fazia-a passar fome, mesmo em eventos públicos onde estava obrigada a pedir permissão para comer qualquer coisa que lhe fosse oferecida. Permissão que ele negava.

Por fim, depois de oito anos de uma vida miserável, Mary encontrou uma aliada que a ajudou a fugir de casa.

Iniciou então uma luta de anos nos tribunais, para obter o divórcio e a custódia dos seus filhos, o que chocou muitíssimo a sociedade da altura.

Percebe-se o quão limitadas eram as escolhas para as mulheres em 1700. Apesar de todas as ações sádicas, Stoney era um homem e, portanto, automaticamente superior aos olhos da lei, da Igreja e da sociedade em geral.

Curiosamente os únicos que tiveram coragem para ajudar Mary, pertenciam às classes mais baixas da sociedade: os criados, os rendeiros das quintas, os mineiros, os estalajadeiros. Esses amigos estiveram com ela através dos inúmeros casos judiciais, sequestro e atordoamento em que Stoney se envolveu até que ganhou a sua liberdade e conseguiu pôr o marido na prisão.

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