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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

A vida tem formas dolorosas de nos abrir os olhos!

No último ano de vida do meu Paulo, a nossa relação com o Melga degradou-se muito. As discussões eram diárias, intensas. Tínhamos dias em que, depois de mais uma discussão, ficávamos os dois no limite das nossas forças, físicas e mentais. Lembro-me dos dias em que íamos os dois no carro, a caminho de casa, no fim de mais um dia de trabalho (que no caso do Paulo era extenuante), e sentirmos a tensão a aumentar em ambos. Em contrapartida, nos dias em que o Melga não estava em casa, havia uma sensação de alívio, pelo menos naquela noite não ia haver discussão e respirávamos fundo. Não falávamos disto, mas era palpável.

Nas semanas que se seguiram à saída do Melga lá de casa e, em simultâneo, à morte do meu Paulo, aquelas primeiras semanas em que fui confrontada com a minha nova vida, lembro-me de sentir uma grande e profunda tristeza (que ainda sinto), porque tinha perdido o amor da minha vida, o meu maior e melhor amigo…mas, ao mesmo tempo, e talvez na mesma proporção, lembro-me de sentir uma grande Paz.

O silêncio que se ouvia na minha casa (e ouve...), por um lado oprimia-me, porque me faltava o meu Paulo, mas também era uma bênção, porque não estava o Melga.

Desde muito cedo entendi que o meu Paulo, lá longe no céu, teria como grande preocupação o futuro do filho. No dia do velório prometi ao meu Paulo que ia continuar a estar presente e não deixar que lhe faltasse alguma coisa, por isso, tive que encontrar uma forma de continuar a relacionar-me com o Melga. A única forma que encontrei foi ‘esquecer’ os últimos tempos e lembrar-me do Melga quando ainda era menino. Como os nossos contactos começaram a ser cada vez mais pontuais, acabou por ser fácil ‘esquecer’ os maus velhos tempos.

Esqueci tanto que me senti feliz, sem qualquer receio, no dia em que convidei o Melga a ficar na minha casa.

Por tudo o que acabei de vos contar, foi um choque tremendo para mim a maneira como o Melga se comportou na segunda noite que ficou lá em casa. Fiquei num estado de ansiedade que ainda me custa a acreditar. Juro que houve momentos (frações de segundo) em que a minha incredulidade era tal que tive dificuldade em respirar. Parecia que a garganta se fechava, tinha que parar e concentrar-me para conseguir respirar!

Perceber que estava a passar pelas mesmas situações sem ter o meu Paulo presente, deixou-me num estado de pânico indescritível. De forma completamente displicente, o Melga adotou todos os comportamentos que costumava ter nos maus velhos tempos. Todos os comportamentos que nos faziam discutir quase todos os dias.

Tivemos que discutir (mais uma vez!) como nos maus velhos tempos. Fui novamente confrontada com a petulância, o olhar de pouco caso, a falta de humildade... comportamentos que tanto chocavam o meu Paulo.

Passou a primeira semana. As coisas melhoraram um pouco, mas só porque ainda relevo alguns comportamentos. Impus-lhe regas que considerei essenciais para que a nossa convivência não prejudique a minha recuperação. Não dei qualquer hipótese de discussão ou negociação, e ele percebeu que ou cumpre ou pode sempre ir dormir na sua casa em obras.

Não! O Melga não é um menino. É um homem e tem que ser tratado como um homem (e algo me diz que o meu Paulo, lá longe no céu, concorda comigo).

...

Nem de propósito encontrei este texto nas minhas viagens pela net. É mais ou menos assim!

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