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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

A tua cabeça é o teu guia

Desde muito pequenos nos ensinam ‘não sejas uma maria vai com todos’ ou ‘a faz bem a tua cama, porque nela te deitarás’, desde muito pequenos temos família e amigos, que nos incentivam a pensar com a nossa cabeça e nos ajudam a fazer as melhores escolhas.

Faz parte do processo de crescimento, sempre que a vida nos coloca numa encruzilhada, sempre que a vida nos dá um pontapé, quando não se consegue ver uma saída, quando não se consegue encontrar um caminho, recorremos aos amigos e à família, aos seus conselhos, à sua experiência… às vezes basta uma pequena conversa para tudo clarear…

Quando o meu Paulo morreu fiquei numa grande encruzilhada. Sabia que precisava encontrar um caminho novo. Tive pessoas à minha volta que tentaram ajudar-me… o melhor que sabiam e podiam. Nunca me senti sozinha, pelo menos fisicamente. Só que a minha solidão, desorientação, vinha de dentro e foi tão violenta que me impossibilitou de ouvir quem estava à minha volta. Sentia-me completamente às escuras… Como é que se encontra um caminho, quando não se 'vê um palmo à frente do nariz’

Foi por isso que me rendi aos comprimidos. Não os queria tomar. Achava que era um sinal de fraqueza, tomar antidepressivos. Foi a minha médica que me explicou:

‘a cabeça é mais um órgão, também fica doente, como o coração ou o estômago, mas ao contrário dos outros órgãos que se curam com comprimidos, a cabeça não se cura com comprimidos… os comprimidos só ajudam… a cura da cabeça é a pessoa que a faz'.

Durante os dois anos que se seguiram, os benditos comprimidos lá foram levantando o nevoeiro que me rodeava e lá fui encontrando o meu novo caminho. Eu sempre soube que este caminho existia, nunca duvidei que tinha à minha frente vários novos caminhos, eles estavam lá… eu só não os conseguia ver. A única coisa que eu sabia era que não queria ficar naquela encruzilhada escura. É para isto que servem os antidepressivos, ajudam-nos a VER, só isso… a VER, o resto é com a pessoa!

Não acho que tenha feito uma coisa extraordinária. Apenas lidei com aquilo que a vida me trouxe. Temos o direito de cair, mas depois temos o dever de levantar, sacudir o pó e ir em frente.

Isto tudo para vos falar de casos que conheço de pessoas que se recusam a sair das encruzilhadas da vida. Não entendo. Pessoas que se recusam a reagir, que se recusam a dar o passo em frente, que escolhem (é uma escolha!) permanecer num ciclo vicioso de vitimização, de choradinho, de lamuria constante. Não entendo.

Pessoas que têm vergonha de pedir ajuda. Pessoas para quem o nevoeiro já está tão espesso que se transformou numa parede e já não conseguem seque ouvir. Pessoas que pedem ajuda ao médico, mas só porque acham que os comprimidos vão resolver tudo…

Eu sei, não somos todos iguais. Não reagimos todos da mesma forma. Cada um tem as suas fraquezas e qualidades. Isto faz-me pensar no estado em que está a saúde mental no nosso país. Porque é que os médicos de família, perante quadros de depressão mais complexos, não encaminham os doentes para consultas de psicologia? Porque é que o SNS não tem psicólogos nos Centros de Saúde ou nos hospitais? Porque que caraças é considerado um luxo ir a um psicólogo?

Porque, eu acho, é só a minha opinião e vale o que vale, o que estas pessoas precisam é de alguém, treinado, que os ensine a VER.

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