Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

A minha bênção de finalista

A cerimónia da bênção dos finalistas de Lisboa realiza-se na Alameda da Universidade e, pelo que vi aqui pela net, a deste ano realiza-se amanhã.

Nos anos em que fiz a minha licenciatura, esta cerimónia realizava-se no estádio do Inatel. Entre os anos do Inatel e os anos da Alameda houve um ano... vou chamar-lhe... diferente ou peculiar.

Foi o ano de 1995, o ano em que eu fui finalista. O ano em que alguém, num momento de pura inspiração, achou que seria muito giro, fazer a bênção dos finalistas de Lisboa no …

 SANTUÁRIO DE FÁTIMA

Só vos digo, pessoas, foi épico… tão épico que nunca mais se atreveram a repetir a façanha. Sempre que conto esta história chego a sentir-me envergonhada, porque num dia em que correu tanta coisa mal, para tanta gente, eu tive uma sorte do caraças e… até me correu tudo bem. A ver se consigo contar tudo sem vos maçar muito:

  • A maior parte dos alunos foi de carro com as famílias, para os que não tinham transporte as universidades alugaram autocarros. Combinei com os meus colegas que o nosso ponto de encontro, em Fátima, seria o parque de estacionamento onde estava previsto todos os autocarros de todas as Universidades ficarem estacionados;
  • Sendo a primeira da família a andar metida nestes assados, tive logo tias e primas a convidarem-se para assistir, fomos 10 pessoas ao todo, incluindo a avó Deolinda, que não perdia uma cerimónia religiosa, quanto mais uma cerimónia onde a sua neta mais velha ia ser abençoada pelo Sr. Cardeal;
  • Sr. Meu Pai, o stressado do costume, proclama: ‘isto vai ser uma confusão, temos que ir cedo’. Sra. Minha Mãe, pessoa muito despachada, decide que, depois da cerimónia, ‘não vamos nada almoçar ao restaurante, fazemos antes um piquenique’;
  • Alvorada às 5 da manhã. Recolho a minha avó, em Lisboa, pelas 6 e meia, passo as portagens da A1 antes das 7 da manhã. Lembro-me de olhar para os carros à minha volta e já só ver trajes académicos por todo o lado;
  • Chegamos a Fátima. Ainda não estava o caos, mas já havia enchente. Estacionamos os carros na primeira oportunidade, ‘fica já aqui, não mexe mais que estraga!’. Deparo-me com o tal parque de estacionamento SEM UM ÚNICO AUTOCARRO e penso: ‘isto vai correr tããão beeeem’;
  • Começam os primeiros rumores que a A1 está uma confusão, completamente entupida. Entro no recinto do Santuário com alguns colegas, atrás do estandarte de outra Universidade qualquer, porque o nosso estandarte estava no autocarro, algures na A1, assim como o Cardeal Patriarca de Lisboa, o tal que era suposto vir abençoar-nos. Começa a espera. Uma hora de atraso… duas horas de atraso… calor, muito calor;
  • Finalmente ouve-se: ‘vamos receber, com um grande aplauso, o CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA’. Levanta-se tudo do chão, fitas pelo ar, assobios, palmas e vivas, parecia um concerto rock;
  • Durante toda a cerimónia há estudantes a chegar a conta gotas, contou-me uma colega, que chegou já a cerimónia ia a meio, que se abriam corredores na assistência, tipo corredores de emergência, ‘deixem passar, deixem passar, são estudantes’. As meninas, com as suas saias dos trajes académicos não conseguiam saltar as barreiras que separam a assistência dos estudantes. Homens da assistência, ‘com licença menina’, pegavam-nas ao colo e passam-nas para o outro lado (o espírito cristão da entreajuda a funcionar em pleno!);
  • Era suposto acabar às 13h00, acabou às 15h00. Houve muitos estudantes que não conseguiram chegar a tempo, que largaram as familias e os autocarros e fizeram parte da A1 a pé (numa espécie de peregrinação, tão a ver!), outros que simplesmente não chegaram de todo;
  • O desastre foi tal que a organização se viu forçada a improvisar uma segunda cerimónia de bênção, ao final da tarde, na Capelinha das Aparições.

Então, porque é que dizes que te correu tudo muito bem?

Porque tive sempre a minha família na assistência, mas perto de mim. Tenho dúzias de fotografia tiradas pela minha irmã, pelas minhas primas, porque estavam todos ali no meu campo de visão. E o melhor acabou por ser o almoço.

Chegámos aos carros e a confusão era inacreditável. Nada mexia em Fátima. Nem para trás, nem para a frente. Filas de carros parados nas faixas de rodagem com os motores desligados...gente por todo o lado sem saber o que fazer à vida!

Não íamos conseguir sair dali. Estavamos esfomeados. Já nos estávamos a mentalizar para fazer o piquenique ali mesmo, de pé, na beira da estrada, no meio da confusão, quando diz Sr. Meu Pai: ‘estendam a manta, já temos mesa’.

Tivemos o nosso pequeno milagre!

Atrás do nosso carro, estava um pneu de trator, daqueles enormes, tombado no chão, com uma grande tábua quadrada por cima… a nossa mesa… à sombra. Fizemos o piquenique ali mesmo, relativamente protegidos da confusão, pelos carros estacionados. Ainda ofereci uns bifinhos panados a uns colegas que passaram a pé, a caminho sabe-se lá de onde…

No fim arrumámos tudo e fomos beber café, gente e mais gente ainda nos restaurantes à espera do almoço, às 5 da tarde, e a confusão no trânsito não dava sinais de passar. Tivemos que fazer tempo… muuuiiiito tempo para iniciar o regresso a casa, sempre por estradas nacionais porque a A1 continuava um caos.

Chegámos a casa já noite muito escura, todos moídos e escaldados do sol.

Digam lá… foi ou não foi ÉPICO?

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

imagem de perfil

Blogs Portugal

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Facebook

Follow

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D