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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

MEDO

Nos últimos dias, parece que cada post que escrevo é sobre a doença do meu gato. Até no último post, sobre um livro que acabei de ler, consegui falar na doença do bicho. No trabalho e nas reuniões familiares, já tenho medo de abrir a boca. Dou comigo a pensar… ‘para de falar no bicho, pareces a velha maluca dos gatos… se comeu… se fez cocó… credo, estás paranoica, mulher!’

É um facto que a doença do bichinho mexeu muito comigo.

Parece-me natural que a doença de um animal de estimação de tantos anos, mexa connosco, não é? Este bichinho está comigo há 12 anos e nos últimos 4 anos e meio é o único ser vivo que me espera em casa. O que não me pareceu normal foi a profundidade do transtorno que senti e tenho andado aqui a pensar, a matutar no porquê… porque é que dei comigo a chorar no caminho para casa? Porque é que andei as primeiras duas semanas do tratamento com o estômago sempre enrolado num nó que doía?

Acho que já percebi porquê…

MEDO. 

Não que o bichinho morra. Pela ordem natural das coisas este bichinho vai morrer primeiro que eu, eu sei que vou ter que passar por esse luto, também… o meu medo é de vê-lo sofrer, o meu medo é de vê-lo morrer e não conseguir prestar-lhe o socorro devido… não perceber a tempo que pode ser algo mais grave e agir a tempo de lhe prestar socorro.

Sabem, o meu Paulo morreu de madrugada, só estávamos os dois em casa… ele caiu no chão no momento em que eu estava ao telefone a chamar o 112… já não fui a tempo… o médico tinha dito ‘gastroenterite viral’, afinal era um enfarte…

Durante o período de tratamento do meu gato, por duas vezes dei comigo de madrugada, a vigiá-lo, por ele estar a fazer reações adversas à medicação… a médica disse ‘isso é uma reação adversa… é esperar… passa com o tempo’... mas… e se não é...

Foi o medo que tomou conta de mim…

...

Pela primeira vez, desde que o meu Paulo morreu, senti-me tão sozinha.

Não sozinha… sozinha… eu sei que basta pegar num telefone e a ajuda dos meus pais e da minha irmã aparece sem hesitações…

Senti-me sozinha EM CASA… NA MINHA CASA. Foi a primeira vez que pensei ‘seria bom ter alguém com quem partilhar este tipo de situações'

Carta à Maria Botelho Moniz

Eu sabia que a Maria tinha passado por uma tragédia com um namorado, já tinha lido ou ouvido falar alguma coisa, mas, como das revistas cor-de-rosa eu só leio ‘as gordas’, não conhecia os contornos da história. Assim que vi os primeiros trailers do programa Alta Definição, a primeira reação foi… não quero ver, mas no domingo à tarde dei comigo sentada no sofá e pumba… começou a entrevista e eu fiquei ali… confesso que a primeira coisa que me hipnotizou foi a casa dela… gira, depois foi aquela cadela fofa, mas a história dela deixou-me em lágrimas… conheço tão bem aquela dor.

 

Querida Maria (desculpe a audácia de a tratar por querida)

Afinal a sua história é muito mais parecida com a minha do que alguma vez podia imaginar. Também eu vivi 13 anos com o meu marido e, tal como a Maria, um dia acordei e… não havia ninguém. O meu marido também morreu em 2014 de forma súbita.

Quero dizer-lhe que o que mais me arrepiou na sua entrevista foi o facto de a Maria utilizar as mesmas expressões que eu costumo utilizar. Ao longo da sua entrevista fui fazendo um esforço para me controlar, mas quando se referiu ao ‘guardar tudo nas gavetinhas’ as minhas lágrimas nunca mais pararam, porque foi isso mesmo que eu senti depois do meu Paulo morrer. Ficar perdida com tudo revirado do avesso e ter que arrumar tudo outra vez em gavetinhas novas.

Quando a Maria disse ‘a minha alma morreu’, não sei se é a alma que morre ou se é ‘alguma coisa que se partiu cá dentro’ (como eu costumo dizer), alguma coisa que muda de tal maneira cá dentro… nunca mais se consegue ter a leveza de antes.

Também eu corri para os braços da minha mãe, Maria. Também eu agradeço profundamente o facto de ter uma família que soube a medida certa do colo e do espaço.

Também eu desejei secretamente estar grávida (tal como a Maria, nós não tinhamos filhos), mas hoje acho que não teria sido boa ideia...

Também eu voltei ao trabalho uma semana e meia depois do funeral (se bem que no meu caso, dois meses depois tive que fazer uma pausa de três semanas… cometi um erro, comecei por fazer de conta que o Paulo estava em viagem e voltava daí a dois dias… mas não podemos viver no mundo do faz de conta, não é? Depois chegou o dia em que que se deu o clic… e afundei um bocadinho e precisei parar para me recompor).

Quando a Maria disse ‘no primeiro ano… só se sobrevive’, não sei se é uma sobrevivência. Eu sentia-me um autómato, só sabia que tinha que pôr um pé à frente do outro e deixava-me levar.

Já me disseram muitas vezes que SOU FORTE, porque lidei com a minha perda de forma exemplar. Será que já lhe disseram o mesmo? Não me considero forte. Simplesmente a vida deu-me um safanão (e que safanão!) e só tive que ‘guardar tudo nas gavetinhas’ e andar para a frente… como o meu Paulo haveria de querer.

Minha querida Maria (outra vez a audácia…),

Também eu acredito que ganhei um anjo da guarda lá no céu, que zela por mim e não deixa que nada de mal me aconteça (se lhe contasse algumas coincidências a que assisti nestes 4 anos...).

Acredito que a vida vai voltar a sorrir para ambas, um dia… acho que merecemos isso.

Tenho para mim que os nossos anjos da guarda devem andar lá por cima a tricotar alguma coisa.

Um grande beijinho para si.

 

PS1: nunca perca o seu sorriso.

PS2: só não gostei quando disse que não gosta de gatos. Se é uma questão alérgica diga que não simpatiza. No meu caso foi o meu gato-lontra que me tirou da cama muitas vezes... punha-se na cozinha a miar, parecia uma sirene dos bombeiros, porque não tinha comida e a areia estava suja, e que remédio tinha eu se não ir tratar do animal...

Dia de finados

Os meus pais têm por hábito ir à terra por altura do dia de finados.

Vão sempre os dois e mais uma ou duas irmãs da minha mãe. É uma espécie de mini-férias dos crescidos, sem filhos, sem netos. Diz Sr. Meu Pai que são os seus dias de motorista do galinheiro. Vão às castanhas e às abóboras e aos dióspiros, mas vão também prestar homenagem a todos os nossos familiares que já não estão entre nós.

Confesso que gosto de ir ao cemitério lá da aldeia. Gosto de passar na campa dos meus avós. Gosto que esteja limpa e cuidada.

...

O meu Paulo não está num cemitério.

Alguns anos antes de morrer, a propósito da morte de outro familiar, combinámos os dois que trataríamos de mandar cremar os nossos corpos. O meu Paulo costumava dizer:

- Quero ser cremado e depois espalhas as minhas cinzas no relvado do Estádio da Luz.

Claro que estávamos convencidos que só íamos tratar destas coisas dali a muuuiitttooss anos.

Respeitando a sua vontade, o corpo do meu Paulo foi cremado, mas não espalhei as cinzas onde me pediu, acho que dificilmente o conseguiria fazer, por ser um local muito pouco acessível. Como é que eu ía conseguir chegar ao relvado do Estádio da Luz com uma urna de cinzas debaixo do braço? Ainda estive uns dias a pensar se conseguia, ainda tracei possíveis planos, mas teria que envolver muita gente e desisti.

Havia a hipótese de deixar as cinzas no cemitério, mas aquele cemitério não nos dizia nada e quis, de alguma maneira, respeitar o seu pedido. Se fossem as minhas cinzas e se eu lhe tivesse pedido algo mais fora do comum, tenho a certeza que o meu Paulo teria movido céus e terra para cumprir a minha vontade, por isso, decidi correr alguns riscos (o que para mim já é muito e ele sabe disso) e depositei as suas cinzas num local que também lhe dizia muito. Tive sorte… correu tudo bem e acabou por ser um momento muito bonito, acompanhado do pôr-do-sol mais fantástico que alguma vez vi.

...

No dia de finados, quando vejo na televisão imagens dos cemitérios, com as floristas à porta e muita gente a limpar campas e deixar tudo mais bonito em homenagem aos seus entes queridos, penso sempre no meu Paulo. Por momentos penso que também gostava de ir a um cemitério prestar-lhe homenagem… ter um sítio onde pudesse ir falar com ele… mas é um pensamento fugaz… passa depressa.

Apesar de os cemitérios serem locais que não me incomodam, fico mais calma quando penso que o corpo do meu Paulo não está preso numa caixa debaixo da terra…a apodrecer lentamente. O que mais me custa num funeral, seja de quem for, é ver o caixão descer à terra e ouvir aquele som oco das primeiras pazadas de terra a bater no caixão. 

Hoje sei que a opção pela cremação foi o primeiro passo que me ajudou a levar o meu luto a bom porto.

Quanto a não ter um sítio para falar com ele… eu falo com o meu Paulo, sempre que me apetece, no sítio onde nós mais gostávamos de conversar… na varanda da nossa sala, quase sempre acompanhada do pôr-do-sol. Era onde sempre tinhamos aquelas grandes conversas que pediam grandes decisões.

- Morzinho, anda aqui prá varanda, precisamos conversar...

- Ui, já estou a tremer!

- Não sejas engraçadinha, vá anda lá!

 

PS1: Sim, eu sei que isto não se deve fazer. Eu sei que a RAZÃO devia imperar e eu devia ter deixado as cinzas no cemitério. Eu sei que não devemos andar por aí a espalhar as cinzas dos nossos mortos por onde nos apetece, mas... o meu Paulo teve morte súbita e naqueles dias a minha RAZÃO esteve sempre subjugada pela minha EMOÇÃO... o meu único pensamento, quase obsessão, naqueles dias foi, de alguma forma, fazer-lhe a vontade...peço desculpa se o meu comportamento está a ofender alguém.

PS2: Aproveito para deixar aqui escrito, a quem possa interessar... as minhas cinzas podem ficar num qualquer canteiro florido de um qualquer cemitério!

Quatro anos

O que restará de ti

É tudo aquilo que deste

E não o que guardaste

Nos cofres enferrujados

 

O que restará de ti

E de teu jardim secreto

É uma flor esquecida

Jamais fenecida

E tudo que deste

Nos outros, florescerá

Pois aquele que perde a vida

Um dia a encontrará

 

O que restará de ti

É tudo que ofereceste

De braços abertos

Numa manhã ensolarada

E tudo que perdeste

Ao longo da jornada

E tudo que sofreste

Nos outros reviverá

Pois aquele que perde a vida

Um dia a encontrará

 

O que restará de ti

Uma lágrima caída

Um sorriso brotado

Nos olhos do coração

 

É verdade,

O que restará de ti

É o que semeaste, dividiste

Com os que buscam a felicidade

E tudo que semeaste

Nos outros germinará

Pois, aquele que perde a vida

Um dia a encontrará

(Obrigada Miguel Falabella, por nos teres dado a conhecer este texto)

A tua cabeça é o teu guia

Desde muito pequenos nos ensinam ‘não sejas uma maria vai com todos’ ou ‘a faz bem a tua cama, porque nela te deitarás’, desde muito pequenos temos família e amigos, que nos incentivam a pensar com a nossa cabeça e nos ajudam a fazer as melhores escolhas.

Faz parte do processo de crescimento, sempre que a vida nos coloca numa encruzilhada, sempre que a vida nos dá um pontapé, quando não se consegue ver uma saída, quando não se consegue encontrar um caminho, recorremos aos amigos e à família, aos seus conselhos, à sua experiência… às vezes basta uma pequena conversa para tudo clarear…

Quando o meu Paulo morreu fiquei numa grande encruzilhada. Sabia que precisava encontrar um caminho novo. Tive pessoas à minha volta que tentaram ajudar-me… o melhor que sabiam e podiam. Nunca me senti sozinha, pelo menos fisicamente. Só que a minha solidão, desorientação, vinha de dentro e foi tão violenta que me impossibilitou de ouvir quem estava à minha volta. Sentia-me completamente às escuras… Como é que se encontra um caminho, quando não se 'vê um palmo à frente do nariz’

Foi por isso que me rendi aos comprimidos. Não os queria tomar. Achava que era um sinal de fraqueza, tomar antidepressivos. Foi a minha médica que me explicou:

‘a cabeça é mais um órgão, também fica doente, como o coração ou o estômago, mas ao contrário dos outros órgãos que se curam com comprimidos, a cabeça não se cura com comprimidos… os comprimidos só ajudam… a cura da cabeça é a pessoa que a faz'.

Durante os dois anos que se seguiram, os benditos comprimidos lá foram levantando o nevoeiro que me rodeava e lá fui encontrando o meu novo caminho. Eu sempre soube que este caminho existia, nunca duvidei que tinha à minha frente vários novos caminhos, eles estavam lá… eu só não os conseguia ver. A única coisa que eu sabia era que não queria ficar naquela encruzilhada escura. É para isto que servem os antidepressivos, ajudam-nos a VER, só isso… a VER, o resto é com a pessoa!

Não acho que tenha feito uma coisa extraordinária. Apenas lidei com aquilo que a vida me trouxe. Temos o direito de cair, mas depois temos o dever de levantar, sacudir o pó e ir em frente.

Isto tudo para vos falar de casos que conheço de pessoas que se recusam a sair das encruzilhadas da vida. Não entendo. Pessoas que se recusam a reagir, que se recusam a dar o passo em frente, que escolhem (é uma escolha!) permanecer num ciclo vicioso de vitimização, de choradinho, de lamuria constante. Não entendo.

Pessoas que têm vergonha de pedir ajuda. Pessoas para quem o nevoeiro já está tão espesso que se transformou numa parede e já não conseguem seque ouvir. Pessoas que pedem ajuda ao médico, mas só porque acham que os comprimidos vão resolver tudo…

Eu sei, não somos todos iguais. Não reagimos todos da mesma forma. Cada um tem as suas fraquezas e qualidades. Isto faz-me pensar no estado em que está a saúde mental no nosso país. Porque é que os médicos de família, perante quadros de depressão mais complexos, não encaminham os doentes para consultas de psicologia? Porque é que o SNS não tem psicólogos nos Centros de Saúde ou nos hospitais? Porque que caraças é considerado um luxo ir a um psicólogo?

Porque, eu acho, é só a minha opinião e vale o que vale, o que estas pessoas precisam é de alguém, treinado, que os ensine a VER.

Podem chamar-me louca, não faz mal...

Eu decidi ter estas páginas para me ajudar a lidar com o que me vai na alma, neste processo de fazer o meu luto. Por isso, tenham paciência, está bem???

Este mês tenho andado mais sensível. Volta e meia as lágrimas assaltam-me. Este sábado à noite, já na cama, chorei outra vez muito...

Abril de 2018: o mês em que atingi o patamar muito sonhado pelos dois (a história do montante em divida do crédito à habitação, que vos contei no início do mês) e este fim de semana fez 11 anos que mudámos para a nossa casa nova. Estas coisas acabam por mexer comigo, mais do que gostaria. Posso parecer muito bem-disposta e sorridente, mas cá por dentro anda tudo num alvoroço…

Talvez por andar assim, há dias aconteceu-me uma coisa que não consigo explicar… até tenho medo de parecer meio alucinada. Se calhar desse lado vão começar a comentar “olha esta… não tomes as gotas, não!!!” Não faz mal, podem comentar…Foi muito estranho porque... nas semanas após a morte do meu Paulo, à noite, quando me deitava, eu pedia secretamente que isto acontecesse, pedia um 'sonho vivido', sabem o que é? Aqueles sonhos em que conseguimos SENTIR na pele... nunca aconteceu, nem uma vez, nem sequer parecido...

...

Estava no autocarro, a caminho de casa. Não me lembro do que pensava, não sei em que parte do percurso ia, não sei porquê… só sei que fechei os olhos e senti o meu Paulo. Sabem aquela sensação de sentir uma pessoa perto, sentir o cheiro… senti que ele me abraçava e o gesto dele quando me afastava o cabelo da testa e me dizia ‘tá bem…’  foi só uma fração de segundo, mas juro que ouvi a voz do meu Paulo no meu ouvido… nitidamente.

As saudades que eu tenho de ouvir a voz dele.

Fui o resto do caminho a chorar e passei os últimos dias meio tolinha, porque quero voltar a ter a mesma sensação, voltar a ouvir, e não consigo... Eu sei, eu sei que tenho que dar a volta a isto, que não me posso deixar impressionar por estas coisas. Vai na volta, apenas passei pelas brasas e tive um sonho vivido em pleno autocarro da Carris, foi só isso...

Ontem comecei o processo de 'dar a volta'. Vocês já sabem… quando preciso de dar a volta por cima, faço aquilo que nós dois mais gostávamos de fazer… deito mãos à minha casa e mudo alguma coisa. Desta vez foram as ‘perdigaitas’ que estavam a decorar a mesa de sala de jantar.

Já lhes andava a rezar pela pele há uns tempos.

Este domingo, tomei o pequeno almoço na varanda (o S. Pedro lá permitiu!) e quando passei para a cozinha, olhei outra vez para a mesa … “há 11 anos que estás assim… de hoje não passas”… e não passou.

Agora está assim… até me voltar a cansar!

sala.jpg

Hoje terminei o processo de 'dar a volta'...em vez de continuar a matutar numa coisa que não faz sentido, deitei tudo cá para fora e escrevi estas linhas (e que bem que me fez!)

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