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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Já ninguém se entende...

Ao fim de 16 meses desta história, lá nos tocou ter de ir fazer o teste da Covid. Infelizmente tocou à nossa mais pequena. As dúvidas e questões são mais que muitas.

No início do mês a miúda como a queixar-se de dor de garganta e do ouvido. Pico de febre. Era o fim de semana com o pai e com o mano mais novo. Liga para o SNS24.

“… não. Se a febre não voltou deve ser só um resfriado… anti-inflamatório, pastilhas para a garganta…”

Regressou do fim de semana. “Já quase não dói a garganta, mãe!” Alívio!

Dois dias passaram, a miúda começa a vomitar tudo o que come, noite muito má, novo pico de febre, renitente em baixar. Liga para o SNS24.

“…não. Se a febre não voltou então deve ser só uma virose. Dieta branca.”

À noite comeu e não vomitou. A febre não voltou. Alívio!

Mais um ou dois dias, volta a doer a garganta e o ouvido. Pontos brancos na garganta. Liga para o SNS24.

“… sim. É melhor fazer o despiste da Covid. Com este historial nem a deixam entrar numa urgência ou posto médico sem um despiste da Covid.”

Lá fez todo o protocolo. Marcação para ir ao Covidário. Fez o teste. Resposta no dia seguinte (sábado): NEGATIVO!

Sábado, domingo, segunda-feira… sem contacto do SNS24. Mana Querida liga para o SNS24:

- então o que faço agora? A miúda pode retomar a vida dela?

- não, não! O resultado foi negativo, mas pode estar na fase de incubação. Tem que fazer isolamento profilático de 14 dias, a contar do dia do teste…

- 14 dias? Não percebo. Se o teste fosse positivo podia sair para a rua ao fim de 10 dias, mas como foi negativo tem que ficar trancada 14 dias???

- é que pode estar em incubação…

- mas se vocês virem nos vossos registos, percebem que a primeira vez que eu vos contactei já foi há mais de 14 dias, vocês é que acharam que não era preciso teste… se ela tivesse que incubar alguma coisa já estava mais que incubado…

- pois, mas é este o protocolo…

- pronto, pronto, eu sei que a culpa não é sua… mas não sendo Covid tem que ser alguma coisa, a miúda continua a queixar-se de dores de garganta, tem que ser vista por um médico. Tenho consulta com a pediatra dela depois de amanhã… posso levá-la ao médico, não posso?

- não, não!... só a pode levar ao médico que nós indicarmos… vou enviar-lhe um SMS com a hora e local da marcação, para a menina ser vista…

Local da consulta: Covidário!

- desculpe lá… isto não faz sentido nenhum. A miúda dá negativo no teste, mas eu não a posso levar a um consultório privado, higienizado, onde se tomam medidas para a sala de espera não estar cheia… tenho que a levar para o meio de pessoas suspeitas de terem Covid!!!

- por favor, compreenda. A partir do momento em que uma pessoa com sintomas suspeitos entra no circuito, temos que fazer o que estiver ao nosso alcance para manter essa pessoa vigiada…

- eu sei, eu sei… o mal disto tudo é que já estamos todos muito fartos e cansados.

Não vou reclamar. Não quero apontar dedos a ninguém. A pandemia é dura. Estamos todos fartos. Já ninguém se entende com as medidas.

Acredito que não seja fácil para quem nos governa. Manter o tal equilíbrio entre ter uma economia a funcionar (ainda que em mínimos) e ao mesmo tempo defender a saúde pública… acredito que, ao fim de um ano e meio, já não devem saber o que mais fazer.

É aceitar e agradecer que este isolamento não vai implicar com as nossas férias… termina dia 21 (já não falta tudo)… no dia 25 vamos ver se conseguimos ter uns dias a apanhar sol e escurecer a pele.

Antes disto tudo... no dia 16 eu e Mana Querida vamos apanhar a segunda dose da vacina .

Da série "coisas que me encanitam o espírito!"

Há dias uma colega perguntou-me… “olha lá? Deixaste de escrever no teu blog?”

Afinal há gente que sente falta de ler os meus disparates.

É oficial! Tenho seguidores!

A verdade é que a minha vida esmoreceu um bocado, desde que fiquei fechada em casa, mas tenho uma novidade para vos contar: mudei de ginásio!

Deixei o meu ginásio de donas de casa e passei a frequentar um daqueles ginásios mais à séria. Um daqueles ginásios cheios de máquinas e pesos e estúdios e barulho e gente e um balneário que nunca mais acaba… sempre a bombar. Só vos digo... é todo um outro mundo que não conhecia, com criaturas mais ou menos humanas e algumas almas muita estranhas. Há de tudo:

- a menina toda jeitosona que vai ao ginásio SÓ para trabalhar coxas e rabo;

- as meninas com 20 Kgs de excesso de peso que vão ao ginásio passear na passadeira e entre um abdominal e outro conseguem conversar como se estivessem a apanhar banhos de sol;

- os meninos adolescentes que vão ao ginásio porque os papás mandam (a ver se largam os computadores e a televisão…), mas ficam sentados no tapete a olhar para os respetivos telemóveis;

- os meus preferidos… os macaquinhos!

Sabem quem são os macaquinhos, não sabem? Aqueles seres, quase sempre do sexo masculino, com cabeças muita pequeninas em cima de ombros larguíssimos, que vão para o ginásio só para “puxar ferro”. Aqueles que só usam os pesos mais pesados, que isto de fazer bíceps com menos de 30Kgs em cada braço é pra meninas… e grunhem durante a execução do exercício… e no fim atiram com o peso para o chão de forma possante… e o chão treme…

E quando se juntam todos em circulo a ver a execução do exercício por um deles? Tipo obra da câmara em que está um a cavar e dez a ver se o buraco está bem feito. E no fim tecem comentários e dão palmadinhas nas costas…

Se tivesse 20 anos jamais me meteria no meio deles, cheia de vergonhas e inseguranças. Isto de ter quase 50 é mesmo muito bom. O que eu gosto de fazer as minhas sessões de PT no meio dos macaquinhos! O esforço que tenho que fazer para não me desmanchar em gargalhadas…

Primeiro porque sou das poucas gajas que vai para aquela zona do ginásio, sou mais velha que a maior parte deles, tenho metade do peso de qualquer um deles e atrevo-me a fazer bíceps com uns miseráveis 5 quilinhos em cada braço (em sofrimento!) e agachamentos com 30 kgs em cima dos ombros (uma carga considerada peso pluma). Já reparei que alguns deles me olham de forma um bocadinho atravessada, como se estivesse a contaminar o ambiente.

Segundo, porque não consigo perceber qual é o objetivo destas criaturas!

Onde será que querem chegar?

Hoje é dia mundial da criança

A semana passada diz a miúda:

- Tia, ontem estava na cama e comecei a pensar... eu pró ano que vem faço 15 ANOS, não é tia?

- ... siiim... mas este ano ainda vais fazer os 14... calma, ok!!!

- 15 ANOS, TIA!

(diz ela, com os olhos arregalados e um sorrisso de orelha a orelha)

 

Hoje é dia mundial da criança e, pela primeira vez em muito tempo, a minha criança não quer bonecas LOL, nem coisinhas com os bonecos do Frozen, nem canetas coloridas...

Pediu-me uns euros... diz que anda a juntar dinheiro para comprar um tablet no Natal.

Ainda tem alguma graça, mas já não é a mesma coisa... 

Plus size não é sinónimo de desleixo!

No último sábado à tarde estive com Mana Querida num centro comercial.

Tivemos que levar Sobrinha Mai’linda connosco. A miúda está na fase “transformer”, aquela fase em que além de crescer para cima, também cresce para todos os lados… todas as semanas o corpo muda e o que servia no mês passado agora já está a ficar rapadinho, a juntar ao facto de nunca sabermos exatamente do que gosta (hoje são calças sloutchy, amanhã skinny, hoje é tudo preto, mas amanhã já gosta dos tons pastels…), lá nos resignámos e enfrentámos as filas à porta das lojas das teenagers!

Numa das lojas resolvi esperar pelas duas no exterior. Fiquei sozinha, encostada ao corrimão, uns 20 minutos. Passaram por mim hordas de miúdas, entre os 13 e os 20 anos.

Sabem o que vos digo? Cada vez se vêm mais miúdas desleixadas com o corpo!

Sim, é verdade! As mensagens andam um bocadinho baralhadas.

Por um lado, continuamos a ter as lojas da moda a vender uma imagem do corpo completamente irreal e temos as Kardashians desta vida a publicar as suas fotos completamente trabalhadas, ao ponto de ser acontecimento mundial o facto de ter sido publicada, por engano, uma foto sem tratamento, onde se via que afinal a barriga delas não é assim tãããooo lisinha (um escândalo!). Por outro lado, temos a ideia “revolucionária” de que a mulher deve aceitar o seu corpo tal como ele é, que o corpo bonito não é só o que mede 86-60-86, não temos que ser todas iguais, pré-formatadas. As “plus size models” e as campanhas publicitárias com recurso a mulheres com peito maior ou anca mais larga são cada vez mais comuns… e ainda bem!

Só que acho que as nossas jovens não estão a captar esta mensagem de forma correta.

Uma coisa é ser-se “plus size”, mulheres que são naturalmente grandes, mulheres que por mais dieta e ginásio que façam não vão conseguir reduzir o tamanho do peito ou a largura da anca. Não é isso que vejo em muitas jovens.

Vejo miúdas com menos de 20 anos com barrigas proeminentes, com rabos e braços imensos. Vejo miúdas com menos de 20 anos já disformes.

Miúdas que passeiam a sua gordura de forma desinibida e altiva, enfiadas em calças skinny e tops de licra, com aquela postura “este é o meu corpo, eu aceito o meu corpo como ele é”, muito senhoras do seu nariz, convencidas que são “plus size”, mas não são… são só gordas!

Muitas destas miúdas se tivessem um bocadinho de cuidado com o que comem, se fizessem um bocadinho de exercício físico, não estariam nesta forma.

“Plus size” não é sinónimo de gordura… muito menos ainda, sinónimo de “desleixo”.

O que será destas miúdas daqui a 30 anos?

Os pais? Onde estão os pais???

Ainda as aulas presenciais estavam a decorrer, um dia Sobrinha Mai’Linda diz:

- A X hoje adormeceu nas aulas…

- Adormeceu? Como assim, adormeceu?

- Contou-me que ficou a jogar até às 6 da manhã e depois quase não dormiu nada, antes de ir para a escola.

 

Já em regime de telescola, a miúda passa o dia a falar com os colegas, seja no computador, seja no telemóvel.

Mana Querida nunca foi muito rígida com horários de deitar, nunca foi daquelas mães que entende que os miúdos têm que estar na cama, impreterivelmente às 9 da noite. Agora que está em teletrabalho, pode dormir mais um pouco, a miúda só tem aulas da parte da tarde, por isso deixa que ela estique um bocadinho o horário de deitar… mas só um bocadinho.

Quando chega àquela hora que entende ser de desligar tudo, ali pelas onze da noite:

- Luísa, está na hora de desligar. Lavar os dentes, xixi e cama.

Começa o diálogo:

- Vou desligar… até amanhã!

- Olha a bebezinha… vai desligar! / Já vais para a cama é? / Nem pensar ir prá cama a esta hora… é que nem pensar!

A miúda olha para a minha irmã, que por esta altura já está à porta do quarto...

- Cá em casa temos regras! Até amanhã!

Enquanto desliga o telemóvel comenta baixinho… “agora ficam todos na conversa e a jogar até às 2 ou 3 da manhã…”

- Pois, mas aqui em casa não é assim. Nem agora nem quando tiveres crescido. O dia tem 24 horas. 8 horas para trabalhar, 8 horas para brincar, 8 horas para dormir. Dá para isto tudo!

 

Miúdos de 13 anos.

Os pais? Onde estão os pais destes miúdos?

Como é que fazem para conseguir deitar a cabeça na almofada e adormecer despreocupadamente sabendo que os filhos estão no quarto ao lado agarrados a um vício que lhes tira horas de sono?

Como conseguem ir para a cama, sabendo que os filhos não estão na cama?

Serão os mesmos pais que chegam às reuniões de encarregados de educação e apresentam protestos veementes contra o professor que não explica bem a matéria ou do exagero de trabalhos de casa que os professores passam?

Da série "coisas que me encanitam o espírito!"

Estar em casa em teletrabalho.

Ouvir o telemóvel a tocar e atender sem olhar (pensado que é a centésima chamada do dia de algum colega de trabalho).

Perceber tarde demais que é de uma operadora de telecomunicações.

Pensar “calma Rita, isto está difícil para tanta gente, deixa lá a pequena apresentar o serviço… da ultima vez até correu bem, tiraram 1€ ao valor da fatura…”

E a pequena começa a falar…

Que sou cliente já há muitos anos (e sou!) e, por ser cliente há tantos anos a operadora tem uma proposta fantástica para manter a minha satisfação com os serviços prestados … e blá, blá, blá… e dão mais não sei quantos canais de televisão e não sei quanto minutos de conversa móvel e mais uns quantos Megas de Internet… blá, blá, blá tudo por… mais 10€ por mês!

PUMBA, vai buscar!

Portanto, para premiar o facto de ser cliente FIEL há tantos anos, queremos agravar a tua conta em mais 10€.

Lá tive que explicar pela enésima vez que só aceito uma de duas propostas: o mesmo serviço por menos dinheiro / mais serviço pelo mesmo dinheiro.

O que tenho chega e sobre, por isso, querem fidelizar? Sim senhora... mas o valor total da fatura SÓ MEXE SE FOR PARA DESCER.

Eu sou só uma simples funcionária pública. Vocês que são altamente qualificados e dotados de um nível de inteligência muito superior ao meu, expliquem-me… que raio de estratégia de marketing é esta?

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