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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Este novo confinamento

As vezes que já abri está página e comecei a escrever qualquer coisa… e apaguei…

Não tenho nada para vos dizer.

Os meus dias são passados entre o quarto, a secretária, a cozinha, a casa de banho, a secretária, o sofá… o quarto… até à semana passada ainda ia almoçar com os meus pais todos os dias. Pelo meio dia, largava a secretária, vestia o casaco, punha a máscara e subia a rua.

Esta semana tenho que ir duas vezes a Lisboa… transportes públicos e várias horas num local com muita gente a circular. Por muita máscara e álcool gel que se utilize… o risco aumenta muito… nas próximas duas semanas, nem pensar almoçar com os meus pais…

A minha casa fica muito próximo do hospital do Barreiro… já reparei que as sirenes das ambulâncias são mais frequentes… ou então sou eu que estou mais alerta… preferia mil vezes o som dos altifalantes da proteção civil, do primeiro confinamento… “FIQUE MESMO EM CASA”.

Os casos de COVID rondam, cada vez mais perto. Família, colegas, conhecidos. Felizmente, sem gravidade.

Eu sei que não me posso queixar, sei que não tenho esse direito, mas cada vez é mais difícil sair da cama para mais um dia. Dei comigo um dia a falar com um colega ao telefone e quando desliguei, fiquei a olhar para o computador… “o que é que ele me pediu?!”

 Já fui à farmácia pedir umas ampolas para ver se o ânimo arriba um bocadinho e fico mais alerta.

Janeiro já passou (nunca um mês de janeiro passou tão rápido para mim).

Venha então fevereiro (esse só tem 28 dias…)

2020

A minha primeira reação, ao pensar neste ano que está quase a terminar, foi dizer que este foi um ano de m****!

Depois comecei a pensar e acho que não tenho o direito de o dizer. Se não fiquei doente, se nenhum dos meus ficou doente, se não perdi um ente querido, se mantive o meu trabalho e o mesmo nível de rendimentos (assim como todos os que me são mais próximos)… então não tenho o direito de dizer que este foi um ano de m****.

Não deixou de ser um ano difícil... acima de tudo acho que foi mais um ano em que a minha capacidade de aceitação e adaptação voltou a ser posta à prova.

Lembram-se deste post, escrito no final do ano passado?

Pois bem… comecei 2020 com a firme certeza que queria vender a minha casa.

Cheguei a encantar-me com um apartamento localizado no centro da zona de que gosto e marquei visita com o agente imobiliário que, quando soube o que eu tinha para vender, ficou encantadíssimo com a minha pessoa.

No dia anterior à visita, Mana Querida ao ver-me um bocadinho cabisbaixa, diz-me “… eu não te queria dizer nada, porque a vida é tua e fazes o que entenderes, mas… tu estás mesmo a considerar a hipótese de trocar a tua casa por um apartamentozito da década de 80, num 3º andar sem elevador… ‘tás parva?”

Desmarquei tudo e senti-me logo muito melhor!

E logo o Universo resolveu colocar-me à prova e pumba… eis que chega o BICHO. De um dia para o outro fiquei forçada a estar fechada semanas a fio, naquela que eu achava que não podia ser a ‘minha casa’, ainda por cima a fazer uma coisa de que não gosto nada, o teletrabalho.

Foi a minha prova de fogo. Não foi fácil, mas entre palpitações, tremeliques e algumas lágrimas, lá me resolvi a andar para a frente em vez de afundar: eu fico aqui, mas tenho que mudar TUDO!

Fui às minhas poupanças e fiz uma sala e um escritório novos. O bem que me soube entrar na loja e escolher tudo… o meu Paulo lá em cima no céu, deve ter ficado tão orgulhoso de mim!

2020 também foi o ano em que aprendi a dizer NÃO.

Pela primeira vez, em 6 anos, disse NÃO ao Melga. Custou-me muito, chorei tanto. Juro que naquela fração de segundo em que o NÃO se formou na minha cabeça, senti uma pontada no peito, mas quando o NÃO me saiu pela boca senti alívio. Ele não gostou de ouvir o NÃO, não estava habituado, mas teve que aceitar, lá no fundo sabia que me estava a pedir demais (acho que, para ele, também foi o ano em que começou a crescer).

E foi o ano em que, pela primeira vez, decidi não assinalar o aniversário da morte do meu Paulo aqui no blog. Curiosamente, foi também a primeira vez em que, nesse dia, tive momentos em que simplesmente não me lembrava que era o dia do aniversário da morte do meu Paulo.

É mesmo verdade… o tempo sara, acalma, apazigua.

Venha de lá 2021.

Já tenho a primeira resolução: começar a refazer as minhas poupanças!

O Natal este ano...

Nos últimos anos é costume sermos 12 cá em casa.

Somos todos vizinhos uns dos outros. Uns reformados, que estão quase sempre em casa, outros em teletrabalho, que estão quase sempre em casa, três jovens que vão à escola.

Ainda pensámos dividir o grupo em dois. Os jovens começaram logo a choramingar, os reformados ficaram de coração partido porque os jovens começaram a choramingar, as do teletrabalho ficaram tristes porque não iam conseguir matar a garrafa da ginjinha antes de comer o bacalhau (Natal do Barreiro começa com uma ginjinha antes do bacalhau, até o nosso Presidente sabe isso!).

Realizou-se uma Conference Call, que neste caso se pode traduzir por “Sra. Minha Mãe e Sra. Minha Tia sentaram-se no sofá a deliberar” (sim… nesta família são as velhotas que decidem).

Vamos ser 12 cá em casa… e seja o que Deus quiser!

Estamos todos conscientes dos riscos e combinámos tomar alguns cuidados:

- vamos reduzir ao mínimo indispensável o tempo que estamos juntos (Sr. Meu Pai e Sr. Meu Tio estão felizes da vida, este ano lá pelas dez da noite já devemos ter as prendas resolvidas e estarão a caminho das respetivas caminhas… as do teletrabalho estão felizes da vida, porque vão ter que despachar a garrafa da ginjinha não em cálices, mas em canecas);

- vou montar uma mesa ainda maior (que se lixe o ar remendado), para ver se nos sentamos mais afastados uns dos outros;

- vamos todos desinfetar as mãos ao entrar em minha casa e quem quiser pode estar de máscara;

- não vai haver buffet de entradas (daqueles em que todos mexem na mesma colherzinha do patê ou na mesma tacinha de frutos secos…);

- os bolos já vão para a mesa todos cortados, para não haver muita gente a mexer na mesma faca;

- os doces de colher, as bebidas e o azeite para o bacalhau serão servidos sempre pelas mesmas pessoas;

- ainda não sei como fazer para levantar a mesa (sabem aquele hábito “… passa lá os pratos aí do fundo” e os pratos passam de mão em mão e há sempre alguém que agarra nos talheres de todos e raspa o prato e vai fazendo uma pilha para levar para a cozinha?)… talvez fazer esta tarefa de luvas???

Vamos ser 12 cá em casa… e seja o que Deus quiser!

Comfy is the new black!

Já vos tinha dito que a minha relação com a roupa mudou muito com esta pandemia.

São várias as minhas peças de roupa que não viram a luz do sol nestas ultimas estações, porque estou em casa.

Comecei em março cheia de medo do que me diziam do teletrabalho… não nos podemos desmazelar, andar todas trongas, é preciso levantar de manhã e vestir roupa adequada ao trabalho, não é preciso pôr saltos e collants, mas é proibido ficar de pijama ou fato de treino.

Pois, pois!

Cheguei a novembro… basicamente já só tenho UM mínimo… não me sento a trabalhar sem soutien, de resto a minha regra é “se a parte de cima estiver apresentável para as videoconferências, não interessa muito o que tenho nas pernas”. Por estes dias já cheguei a ter uma mantinha nos joelhos... a bem da verdade, por estes dias até já fiz algumas reuniões virtuais com o meu robe vestido – aquelas onde só estão colegas, sem superiores ou gente de fora! - que esta minha casa não perdoa... geladinha que só ela!

Para minha grande tristeza dou por mim a comprar calças “com pelinho por dentro” e sweats e camisolas grossas de lã para o Inverno que se avizinha… às vezes ainda me entusiasmo por um vestido ou por um par de calças de vinco, que gosto tanto, mas largo… não vale a pena.

O que me vale é que mesmo as lojas que adoro, também estão a adaptar-se a esta nova filosofia. Agora todos os sites têm a secção do “Comfy” e mesmo as lojas físicas estão a mudar. Entrei com Mana Querida na Zara do Forum Montijo... 60% da roupa exposta eram calças de fato de treino ou de malha, camisolões e casacos de malha grossos, pouco se viam vestidos ou camisas.

Como acho uma roubalheira pedirem 40 ou 50 euros por umas calças “confortáveis”, estou a ficar profissional em lojas onde antes só entrava “se fosse mesmo preciso”, como aquelas grandes superfícies dedicadas ao desporto, onde consigo comprar as mesmas calças por… 10€.

É oficial, meus queridos, “Comfy is the new black!”

O que foi aquilo ontem no Jornal da SIC?

Foi um manifesto? Uma entrevista não foi de certeza…

Oh, Rodrigo explica lá uma coisa… então sempre que tens aí, no teu estúdio, o 1º Ministro, a Ministra da Saúde, a Diretora-Geral da Saúde… ficas todo assanhado, mal deixas as pessoas falar, disparas perguntas a torto e a direito, contrapões tudo o que dizem… e ontem? Onde estava o Rodrigo jornalista?

O que foi aquela cena do Ljubomir????

Basicamente disseste… "então Ljubomir… diz lá o que te trouxe aqui”... e deixaste-o falar!

O homem falou, falou, ele era números e medidas e o catano, ele comparou restaurantes com transportes públicos, com supermercados… e tu, Rodrigo? Nada!

Nem uma perguntinha de contraditório??? Nada!

Nem que fosse uma coisa pequenina, tipo “isto é um vírus que se propaga com o contacto entre pessoas, logo é normal que se tente diminuir ao máximo as situações onde esse contacto existe e pode ser evitado…”

E quando comparasse os restaurantes com os supermercados, onde ninguém anda a desinfetar produtos, tu podias sempre dizer “sim, claro… mas as pessoas precisam dos supermercados para terem comida em casa… as mais hipocondríacas podem sempre desinfetar os produtos comprados, quando chegam a casa…”

E quando ele comparasse os restaurantes com os transportes públicos, tu podias contrapor com… “sim, claro... mas talvez os transportes públicos continuem cheios porque os empresários deste país continuam muito renitentes em aplicar o teletrabalho, mesmo em situações em que as tarefas podem ser desempenhadas a partir de casa… e as pessoas precisam de ir trabalhar…”

Não vi nada disto. Não vi isto numa pessoa que passou meses a dar lições de moral sobre “fique em casa” e “cumpra as regras”.

 

Por falar em empresários (a espinha dorsal deste país!), ontem uma conhecida contou-me mais uma:

A irmã e as suas 11 colegas foram obrigadas a fazer trabalho presencial (é mais um daquele que acha que a malta em teletrabalho não produz). Eram 12 pessoas numa sala!

Já tem 4 casos positivos de Covid. Sabem o que é que o animal foi dizer às empregadas… “nos inquéritos epidemiológicos… se calhar é melhor não dizerem que estávamos todos aqui na empresa, estavam só 4 ou 5 e as outras em teletrabalho”.

Como este animal devem ser às centenas por este país fora.

Depois a culpa é das empresas de transportes públicos que não higienizam!

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