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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Hoje é dia mundial da criança

A semana passada diz a miúda:

- Tia, ontem estava na cama e comecei a pensar... eu pró ano que vem faço 15 ANOS, não é tia?

- ... siiim... mas este ano ainda vais fazer os 14... calma, ok!!!

- 15 ANOS, TIA!

(diz ela, com os olhos arregalados e um sorrisso de orelha a orelha)

 

Hoje é dia mundial da criança e, pela primeira vez em muito tempo, a minha criança não quer bonecas LOL, nem coisinhas com os bonecos do Frozen, nem canetas coloridas...

Pediu-me uns euros... diz que anda a juntar dinheiro para comprar um tablet no Natal.

Ainda tem alguma graça, mas já não é a mesma coisa... 

Plus size não é sinónimo de desleixo!

No último sábado à tarde estive com Mana Querida num centro comercial.

Tivemos que levar Sobrinha Mai’linda connosco. A miúda está na fase “transformer”, aquela fase em que além de crescer para cima, também cresce para todos os lados… todas as semanas o corpo muda e o que servia no mês passado agora já está a ficar rapadinho, a juntar ao facto de nunca sabermos exatamente do que gosta (hoje são calças sloutchy, amanhã skinny, hoje é tudo preto, mas amanhã já gosta dos tons pastels…), lá nos resignámos e enfrentámos as filas à porta das lojas das teenagers!

Numa das lojas resolvi esperar pelas duas no exterior. Fiquei sozinha, encostada ao corrimão, uns 20 minutos. Passaram por mim hordas de miúdas, entre os 13 e os 20 anos.

Sabem o que vos digo? Cada vez se vêm mais miúdas desleixadas com o corpo!

Sim, é verdade! As mensagens andam um bocadinho baralhadas.

Por um lado, continuamos a ter as lojas da moda a vender uma imagem do corpo completamente irreal e temos as Kardashians desta vida a publicar as suas fotos completamente trabalhadas, ao ponto de ser acontecimento mundial o facto de ter sido publicada, por engano, uma foto sem tratamento, onde se via que afinal a barriga delas não é assim tãããooo lisinha (um escândalo!). Por outro lado, temos a ideia “revolucionária” de que a mulher deve aceitar o seu corpo tal como ele é, que o corpo bonito não é só o que mede 86-60-86, não temos que ser todas iguais, pré-formatadas. As “plus size models” e as campanhas publicitárias com recurso a mulheres com peito maior ou anca mais larga são cada vez mais comuns… e ainda bem!

Só que acho que as nossas jovens não estão a captar esta mensagem de forma correta.

Uma coisa é ser-se “plus size”, mulheres que são naturalmente grandes, mulheres que por mais dieta e ginásio que façam não vão conseguir reduzir o tamanho do peito ou a largura da anca. Não é isso que vejo em muitas jovens.

Vejo miúdas com menos de 20 anos com barrigas proeminentes, com rabos e braços imensos. Vejo miúdas com menos de 20 anos já disformes.

Miúdas que passeiam a sua gordura de forma desinibida e altiva, enfiadas em calças skinny e tops de licra, com aquela postura “este é o meu corpo, eu aceito o meu corpo como ele é”, muito senhoras do seu nariz, convencidas que são “plus size”, mas não são… são só gordas!

Muitas destas miúdas se tivessem um bocadinho de cuidado com o que comem, se fizessem um bocadinho de exercício físico, não estariam nesta forma.

“Plus size” não é sinónimo de gordura… muito menos ainda, sinónimo de “desleixo”.

O que será destas miúdas daqui a 30 anos?

Os pais? Onde estão os pais???

Ainda as aulas presenciais estavam a decorrer, um dia Sobrinha Mai’Linda diz:

- A X hoje adormeceu nas aulas…

- Adormeceu? Como assim, adormeceu?

- Contou-me que ficou a jogar até às 6 da manhã e depois quase não dormiu nada, antes de ir para a escola.

 

Já em regime de telescola, a miúda passa o dia a falar com os colegas, seja no computador, seja no telemóvel.

Mana Querida nunca foi muito rígida com horários de deitar, nunca foi daquelas mães que entende que os miúdos têm que estar na cama, impreterivelmente às 9 da noite. Agora que está em teletrabalho, pode dormir mais um pouco, a miúda só tem aulas da parte da tarde, por isso deixa que ela estique um bocadinho o horário de deitar… mas só um bocadinho.

Quando chega àquela hora que entende ser de desligar tudo, ali pelas onze da noite:

- Luísa, está na hora de desligar. Lavar os dentes, xixi e cama.

Começa o diálogo:

- Vou desligar… até amanhã!

- Olha a bebezinha… vai desligar! / Já vais para a cama é? / Nem pensar ir prá cama a esta hora… é que nem pensar!

A miúda olha para a minha irmã, que por esta altura já está à porta do quarto...

- Cá em casa temos regras! Até amanhã!

Enquanto desliga o telemóvel comenta baixinho… “agora ficam todos na conversa e a jogar até às 2 ou 3 da manhã…”

- Pois, mas aqui em casa não é assim. Nem agora nem quando tiveres crescido. O dia tem 24 horas. 8 horas para trabalhar, 8 horas para brincar, 8 horas para dormir. Dá para isto tudo!

 

Miúdos de 13 anos.

Os pais? Onde estão os pais destes miúdos?

Como é que fazem para conseguir deitar a cabeça na almofada e adormecer despreocupadamente sabendo que os filhos estão no quarto ao lado agarrados a um vício que lhes tira horas de sono?

Como conseguem ir para a cama, sabendo que os filhos não estão na cama?

Serão os mesmos pais que chegam às reuniões de encarregados de educação e apresentam protestos veementes contra o professor que não explica bem a matéria ou do exagero de trabalhos de casa que os professores passam?

Da série "coisas que me encanitam o espírito!"

Estar em casa em teletrabalho.

Ouvir o telemóvel a tocar e atender sem olhar (pensado que é a centésima chamada do dia de algum colega de trabalho).

Perceber tarde demais que é de uma operadora de telecomunicações.

Pensar “calma Rita, isto está difícil para tanta gente, deixa lá a pequena apresentar o serviço… da ultima vez até correu bem, tiraram 1€ ao valor da fatura…”

E a pequena começa a falar…

Que sou cliente já há muitos anos (e sou!) e, por ser cliente há tantos anos a operadora tem uma proposta fantástica para manter a minha satisfação com os serviços prestados … e blá, blá, blá… e dão mais não sei quantos canais de televisão e não sei quanto minutos de conversa móvel e mais uns quantos Megas de Internet… blá, blá, blá tudo por… mais 10€ por mês!

PUMBA, vai buscar!

Portanto, para premiar o facto de ser cliente FIEL há tantos anos, queremos agravar a tua conta em mais 10€.

Lá tive que explicar pela enésima vez que só aceito uma de duas propostas: o mesmo serviço por menos dinheiro / mais serviço pelo mesmo dinheiro.

O que tenho chega e sobre, por isso, querem fidelizar? Sim senhora... mas o valor total da fatura SÓ MEXE SE FOR PARA DESCER.

Eu sou só uma simples funcionária pública. Vocês que são altamente qualificados e dotados de um nível de inteligência muito superior ao meu, expliquem-me… que raio de estratégia de marketing é esta?

Este novo confinamento

As vezes que já abri está página e comecei a escrever qualquer coisa… e apaguei…

Não tenho nada para vos dizer.

Os meus dias são passados entre o quarto, a secretária, a cozinha, a casa de banho, a secretária, o sofá… o quarto… até à semana passada ainda ia almoçar com os meus pais todos os dias. Pelo meio dia, largava a secretária, vestia o casaco, punha a máscara e subia a rua.

Esta semana tenho que ir duas vezes a Lisboa… transportes públicos e várias horas num local com muita gente a circular. Por muita máscara e álcool gel que se utilize… o risco aumenta muito… nas próximas duas semanas, nem pensar almoçar com os meus pais…

A minha casa fica muito próximo do hospital do Barreiro… já reparei que as sirenes das ambulâncias são mais frequentes… ou então sou eu que estou mais alerta… preferia mil vezes o som dos altifalantes da proteção civil, do primeiro confinamento… “FIQUE MESMO EM CASA”.

Os casos de COVID rondam, cada vez mais perto. Família, colegas, conhecidos. Felizmente, sem gravidade.

Eu sei que não me posso queixar, sei que não tenho esse direito, mas cada vez é mais difícil sair da cama para mais um dia. Dei comigo um dia a falar com um colega ao telefone e quando desliguei, fiquei a olhar para o computador… “o que é que ele me pediu?!”

 Já fui à farmácia pedir umas ampolas para ver se o ânimo arriba um bocadinho e fico mais alerta.

Janeiro já passou (nunca um mês de janeiro passou tão rápido para mim).

Venha então fevereiro (esse só tem 28 dias…)

2020

A minha primeira reação, ao pensar neste ano que está quase a terminar, foi dizer que este foi um ano de m****!

Depois comecei a pensar e acho que não tenho o direito de o dizer. Se não fiquei doente, se nenhum dos meus ficou doente, se não perdi um ente querido, se mantive o meu trabalho e o mesmo nível de rendimentos (assim como todos os que me são mais próximos)… então não tenho o direito de dizer que este foi um ano de m****.

Não deixou de ser um ano difícil... acima de tudo acho que foi mais um ano em que a minha capacidade de aceitação e adaptação voltou a ser posta à prova.

Lembram-se deste post, escrito no final do ano passado?

Pois bem… comecei 2020 com a firme certeza que queria vender a minha casa.

Cheguei a encantar-me com um apartamento localizado no centro da zona de que gosto e marquei visita com o agente imobiliário que, quando soube o que eu tinha para vender, ficou encantadíssimo com a minha pessoa.

No dia anterior à visita, Mana Querida ao ver-me um bocadinho cabisbaixa, diz-me “… eu não te queria dizer nada, porque a vida é tua e fazes o que entenderes, mas… tu estás mesmo a considerar a hipótese de trocar a tua casa por um apartamentozito da década de 80, num 3º andar sem elevador… ‘tás parva?”

Desmarquei tudo e senti-me logo muito melhor!

E logo o Universo resolveu colocar-me à prova e pumba… eis que chega o BICHO. De um dia para o outro fiquei forçada a estar fechada semanas a fio, naquela que eu achava que não podia ser a ‘minha casa’, ainda por cima a fazer uma coisa de que não gosto nada, o teletrabalho.

Foi a minha prova de fogo. Não foi fácil, mas entre palpitações, tremeliques e algumas lágrimas, lá me resolvi a andar para a frente em vez de afundar: eu fico aqui, mas tenho que mudar TUDO!

Fui às minhas poupanças e fiz uma sala e um escritório novos. O bem que me soube entrar na loja e escolher tudo… o meu Paulo lá em cima no céu, deve ter ficado tão orgulhoso de mim!

2020 também foi o ano em que aprendi a dizer NÃO.

Pela primeira vez, em 6 anos, disse NÃO ao Melga. Custou-me muito, chorei tanto. Juro que naquela fração de segundo em que o NÃO se formou na minha cabeça, senti uma pontada no peito, mas quando o NÃO me saiu pela boca senti alívio. Ele não gostou de ouvir o NÃO, não estava habituado, mas teve que aceitar, lá no fundo sabia que me estava a pedir demais (acho que, para ele, também foi o ano em que começou a crescer).

E foi o ano em que, pela primeira vez, decidi não assinalar o aniversário da morte do meu Paulo aqui no blog. Curiosamente, foi também a primeira vez em que, nesse dia, tive momentos em que simplesmente não me lembrava que era o dia do aniversário da morte do meu Paulo.

É mesmo verdade… o tempo sara, acalma, apazigua.

Venha de lá 2021.

Já tenho a primeira resolução: começar a refazer as minhas poupanças!

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