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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Sobre a polémica da roupa dos meninos na escola

Eu sei que na escala temporal das redes sociais este é já um assunto morto e enterrado, mas eu voltei há pouco de férias e, pela primeira vez em ano e meio, estou a fazer uma semana seguida no escritório... estou estoirada! 

Sei que andam por aí umas almas muito indignadas com as proibições que algumas escolas tentaram impor aos seus alunos, no que toca à indumentária que levam para as aulas.

Não sou a favor das fardas (então quando são aquelas fardas das saias de xadrez às pregas com as meias pelo joelho…), mas não consigo deixar de concordar que é preciso ensinar a esta geração um bocadinho de bom senso.

Para mim a questão resume-se a isto… BOM SENSO!

Não se trata de castração da liberdade, nem da forma de afirmação e expressão de valores, blá, blá, blá… isto tudo se resume ao bom e velho BOM SENSO que nos ensina que existem um conjunto de regras sociais sobre o saber ser e saber estar.

Se a família é convidada para um casamento, com certeza não vai permitir que o jovem lá de casa se apresente na igreja de t-shirt, chinelos e calções de banho (também não precisa de lhe impor um fato e uma gravata… nem 8 nem 80… lá está o BOM SENSO). Da mesma forma que o grupo de amigas que resolve passar a tarde na praia também não vão todas de botas e collants ou com vestido de cerimónia.

Então porque é que os pais permitem que os filhos se apresentem na escola seminus?

Ontem. Regresso a casa no comboio da Fertagus. Pequena no corredor da carruagem a preparar-se para sair. Não sei se vinha do trabalho, mas tinha idade para ser estudante universitária. Indumentária da pequena:

Um top que mais não era que um soutien.

Uma saia que mais não era do que um pano à frente e outro atrás (mal tapava o rabo) que se juntavam apenas na zona da coxa onde devia estar a lateral da cueca.

BOM SENSO!

A importância do testamento vital

Fez este mês sete anos que o meu Paulo teve um enfarte. Caiu no chão do nosso quarto e não se mexeu mais.

Quando os bombeiros chegaram a minha casa, o mais velho perguntou-me há quanto tempo estava o Paulo sem sentidos… “uns 10 ou 15 minutos, caiu enquanto eu estava ao telefone com o INEM, foi o tempo de vocês chegarem”… Só o ouvi dizer para o mais novo “rápido, abre a cadeira” e levaram-no.

Durante algum tempo tive uma pergunta em loop na minha cabeça: porque não mandaram uma ambulância equipada com desfibrilhador? Porque não tentaram a reanimação?

O Rogério Samora teve uma paragem cardiorrespiratória. Foi reanimado. Está há várias semanas numa cama dos cuidados intensivos. Pelo que li nas gordas das redes sociais, dizem que não está em morte cerebral, mas não sabem quanto tempo ficará em coma, se vai acordar do coma…

Sempre que surge um caso destes nas notícias penso sempre nas famílias, nas decisões dificílimas que serão chamadas a tomar.

Eu fui poupada a essas decisões... mas podia não ter sido assim.

Se tivessem reanimado o meu Paulo… que Paulo teria eu hoje comigo?

Mais do que perguntar “que vida teria eu hoje”, pergunto “que vida teria o Paulo, hoje?”, “será que ele ia querer essa vida?”, “será que ele se ia revoltar por ter sido reanimado para essa vida?”

É para estas situações que existe o testamento vital.

Eu sei que isto é um tema muito difícil, mexe com a nossa consciência, com as nossas crenças… e, sejamos francos, ninguém quer ou gosta de pensar (planear) na sua própria morte.

Já fui ver o formulário. Quando se olha para as hipóteses apresentadas, no início as respostas até parecem fáceis, mas depois começamos a pensar… a desenhar cenários… e o que era simples, afinal não é assim tão simples.

Se não é simples para o próprio, imaginem o que será para quem nos rodeia.

Não devemos correr o risco de deixar nas mãos de outros este tipo de decisões. Não quero sequer imaginar a dor de terem que decidir, em pouco tempo, se desligam ou não desligam a máquina, se permitem ou não permitem que façam tratamentos experimentais …

É como sempre disse… acredito que a morte não é o pior que nos pode acontecer.

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