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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Fazemos o quê?

O reboliço que vai nas redes sociais à conta da abertura das creches, das escolas, das visitas nos lares. Os nomes que chamam à Diretora da DGS, credo!

Vamos lá ver se me consigo explicar: cura para a Covid, seja em forma de vacina, seja em forma de medicamento específico, só estará disponível para a população em geral, na melhor das hipóteses, lá para o fim do ano que vem (sim...2021). Quer isto dizer que vamos ter que conviver com o bicho pelo menos mais um ano.

UM ANO!

Fazemos o quê, durante esse ano?

Deixamos os nossos velhos nos lares sem visitas, durante um ano?

Deixamos as escolas fechadas no próximo ano letivo? A telescola é muito gira, mas acho que já deu para perceber que não chega!

As mães/pais que estão contra o regresso dos seus filhos às creches querem fazer o quê?

Ficam em casa a tomar conta dos seus bebés, durante o próximo ano? E vivem do quê?

Vamos fazer o quê às nossas crianças? Vão passar o próximo ano sem ver os avós, sem brincar com os primos ou com os vizinhos do prédio? E se forem à praia e estiver um casal com 3 filhos no chapéu a 2 metros de distância… não vamos deixar que brinquem? E se forem ao parque? Não podem andar de baloiço, nem no escorrega? Vamos mantê-los fechados em casa quanto tempo mais? E os pais? Deixam de trabalhar? Durante quanto tempo?

Se as crianças não podem ir à creche agora, também não vão poder ir nos próximos meses, porque o risco vai ser o mesmo. Infelizmente vamos continuar a contar casos confirmados e mortos durante muito tempo.

A DGS não é composta por educadores de infância ou professores. A DGS é composta por especialistas em SAÚDE PÚBLICA. É sua função emitir diretrizes que no seu entender melhor se adequem à proteção da saúde pública. Compete aos vários setores de atividade encontrar a melhor forma de aplicar essas diretrizes no terreno.

Foi isso que a diretora da DGS disse ontem quando afirmou que a intenção não é impedir as crianças de brincar, mas em vez de brincar numa sala com mais 15 crianças, devem brincar numa sala com mais 7 crianças, dessa forma o risco de contágio é REDUZIDO para metade.

No início disto tudo já se sabia que os mais vulneráveis à doença eram os mais idosos. Na altura a DGS emitiu diretrizes de atuação para os lares. A reação foi a mesma… ‘isso é impossível, não temos pessoal que chegue, não temos espaço, não temos fundos…’ e depois foi o que se viu. Mas também houve lares que agiram, tomaram medidas e conseguiram manter a doença longe.

Se só vamos conseguir ELIMINAR O RISCO no final do próximo ano, então até lá vamos ter que viver com a expressão “REDUZIR O RISCO”, em tudo o que fizermos… TUDO!

Não sei se já repararam, mas TUDO terá que ser repensado, é o preço a pagar pela tão desejada 'normalidade'. No sábado fui com Mana Querida ao centro do Barreiro. Entrei em duas lojas... depois de esperar em duas filas para poder entrar... e esfregar as mãos em alcool gel duas vezes... no espaço de meia hora...

Eu sei... são as nossas crianças. Custa sempre mais quando se trata das nossas crianças... mas, sinceramente não sei o que será pior para o seu desenvolvimento... ter que ensinar um filho que, para já, não pode partilhar o brinquedo ou que não pode abraçar os amigos e dar beijinhos à educadora ou tê-la fechada em casa por causa do bicho mau...

Num poço...

Uma vez o meu Paulo contou-me que foi buscar o Melga a casa da ex-mulher, para o seu fim de semana. O Melga, era ainda muito pequeno, gostava muito de estar com o pai e ia sempre bem-disposto, mas naquele dia não estava com vontade de ir com o pai. Ambos tentaram forçar a situação e o Melga foi colocado no carro do pai. Chorou todo o caminho a dizer que queria a mãe. O Paulo parou o carro e disse-lhe ‘só vens com o pai quando quiseres, não és obrigado… ninguém te vai obrigar’. Deu meia volta e foi devolvê-lo à mãe.

Ainda não estava a meio caminho de casa, toca o telemóvel. Era a mãe do Melga… pedia-lhe que o voltasse para trás, para o ir buscar… o fim de semana passou sem incidentes, nunca mais o Melga disse que não queria ir com o pai.

Esta cena passou-se muito antes de eu conhecer o Paulo. Já depois de casados, o Melga já com uns 8 ou 9 anos, o Paulo estava a secar-lhe o cabelo, oiço esta pergunta: ‘oh pai… porque é que tu e a mãe não vivem na mesma casa?’ Apesar de ser uma criança feliz em nossa casa, de se sentir bem connosco, o Melga desejava aquilo que todas as crianças desejam… ter os pais juntos na mesma casa.

Porque são crianças e não entendem o mundo dos crescidos, não entendem porque se zangam os crescidos e são os pequenos que ficam com a vida virada do avesso para sempre.

A pessoa é contra a pena de morte… e acredita que os reclusos não devem ser tratados de forma degradante ou cruel…

A pessoa ouve familiares, no calor do momento, a defenderem a pena de morte e castigos cruéis e tenta defender que não nos podemos tornar nesse tipo de sociedade. A história ensinou-nos a defender princípios básicos de direitos humanos dos quais não devemos… não podemos abdicar…

Só que depois a pessoa ouve as notícias de ontem... e algo cá dentro abana…

É muito difícil ver imagens daquele 'pai' calmamente a fumar cigarros na rua, enquanto toda a vizinhança procura a sua filha... olhar para as fotografias daquela menina... e não querer atirar aqueles dois para dentro de um poço muito fundo onde fiquem só com a cabecinha fora de água e deixá-los lá a morrer devagarinho a olhar para uma luz pequenina 20 ou 30 metros acima…

Descansa em paz!

Então e o mantra... esqueceram-se?

Deixem-me desabafar… mesmo correndo o risco de ser escorraçada destas lides blogueiras, mesmo que me chamem nomes feios, mesmo que me chamem burra…

Há 10 anos passámos por uma das maiores crises financeiras que este país já viu. Nessa altura os nossos governantes conseguiram convencer-nos que a culpa era das famílias porque tinhamos perdido o hábito dos nossos pais, não faziamos poupanças… andávamos todos a ‘viver acima das nossas possibilidades’.

Todos os dias tínhamos que levar com o selo na testa, eramos todos uns novos ricos deslumbrados, não sabíamos lidar com o dinheiro, que tinha sido um fartar vilanagem, era chapa ganha, chapa gasta a que se juntava uma obtenção desenfreada de crédito para tudo e mais alguma coisa, a culpa não era dos bancos ou de quem no governou, a culpa era das famílias, coitadinhas… porque não tinhamos literacia financeira, para entender as letrinhas pequeninas!

Há 10 anos o mantra dos economistas em todos os órgãos de comunicação social era:

“as famílias devem ter as suas finanças organizadas de forma a terem uma poupança

que lhes permita aguentar entre 3 a 6 meses sem rendimentos”…

Agora pergunto: os princípios subjacentes à boa gestão financeira numa casa de família, não serão os mesmos subjacentes à boa gestão financeira de uma empresa? Não será igualmente suposto os empresários gerirem os seus negócios mantendo uma poupança para ‘dias de chuva’?

Nestes quase dois meses que levo em casa, vi muita televisão (se calhar demais). Um constante desfilar de representantes dos vários setores de atividade a queixarem-se que os apoios não chegam. Consegui ouvir uma representante do setor do turismo a dizer qualquer coisa como "nos últimos anos o setor cresceu sempre a 2 dígitos por ano", mas este ano "vai haver muitas falências"

Como assim? Como é que se passa de um crescimento de 2 dígitos ao ano e por causa de um encerramento forçado de 2 meses, com apoios do estado (não quero saber se são muitos ou poucos, se chega se não chega, se já chegaram) se passa para uma situação de falências generalizadas? 

E o mais estranho é que os economistas, os tais do mantra, só sabem passar a mãozinha na cabeça dos Srs. Empresários… coitadinhos dos Srs. Empresários que ainda não receberam do Estado e estão com a corda no pescoço…

Não consigo deixar de sentir o estômago às voltas, cada vez que vejo notícias sobre grandes empresas, que eu acho deviam ter estrutura financeira para aguentar os tais 3 a 6 meses de redução de vendas… a mandar trabalhadores para o lay-off, ainda não tinha passado um mês de encerramento… e ninguém diz nada! Estão todos mais interessados em bater na ministra porque disse não às máscaras e agora diz sim, ou na outra ministra que não pagou os apoios a tempo e horas, ou no ministro que autorizou o que não devia autorizar.

Eu sei que desse lado há entendidos na matéria que me vão já atirar à cara “é a economia, estúpida!”… mas eu gostava de ouvir o tal mantra aplicado aos Srs. Empresários, nem que fosse só uma vez!

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