Não sei se já vos contei… depois das férias do verão inscrevi-me no programa de PT lá do ginásio. Duas vezes por mês sou trucidada por uma professora algo alucinada que por lá anda… a Célia…
O combinado foi quinta-feira sim, quinta-feira não, depois da última aula do dia, fico mais meia hora para ‘brincar’ com pesos, elásticos, barras, trx… tudo o que ela quiser e se lembrar.
Gosta de gritar como um sargento da tropa ‘CINTRÃO, TÁS BEM?’ ao que eu devia responder, como o CR7, ‘SSSIIIMMM’, mas por norma sai-me um miado de gato ‘sssiiimmm’.
No fim de novembro, ficámos as duas a olhar para o calendário de dezembro para marcar as aulas deste mês. Como na semana entre o Natal e o Ano Novo é para esquecer (nem pensar ir sofrer no dia logo a seguir ao Natal…) e ela não sabia se podia na semana antes do Natal, marcámos duas 5ªs feiras seguidas (5 e 12 de dezembro) e depois retomávamos em janeiro.
…
No dia 12, quando já não podia com uma gata pelo rabo, despeço-me com um muito alegre e bem-disposto ‘então até janeiro…’.
Só que não fuji (quem quer boas PT's arranja-as... a minha dá-me tareia, mas depois leva-me a casa). Começo a ver o sobrolho dela a franzir e começo a pensar 'pronto Rita, já fizeste merda porcaria!':
Ela - Janeiro!? Só em janeiro??
Eu (num fiozinho de voz) - Então não te lembras… disseste que na próxima semana se calhar não podias… e depois é o dia 26 e depois é o dia 2…
Ela - Deixa lá ver melhor… nããão é melhor vires no dia 19, eu arranjo maneira… tás a ir tão bem, não podemos parar tanto tempo… vens dia 19 e depois recomeçamos em janeiro.
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Mas porque é que eu não me calo??? Mas porque é que eu não me despedi dela à porta de casa?
Lá vou eu passar o Natal que nem numa travessa de rabanadas posso pegar, porque não me aguento dos braços!
Começou muito mal, com a doença do meu gato que me fez ganhar consciência dos medos que me ficaram no peito depois do Paulo morrer, logo seguido do facto da minha mana ficar desempregada…
O gato lá melhorou (está outra vez a comer como um pequeno alarve!) e Mana Querida arranjou trabalho poucos meses depois. Pensámos que a coisa ia entrar novamente nos eixos… só que Mana Querida ODIOU o novo trabalho (só se salvavam os colegas!)… continuou a procurar... já está num sítio novo…
No meio disto tudo, não tivemos férias de jeito. Não fomos à terra, quase não fizemos praia… e morreu a minha sogra.
Salvou-se o fim do ano. Cumpri uma promessa… e soube-me bem.
No dia do velório do meu Paulo, cheguei-me ao pé da urna e, silenciosamente, fiz-lhe algumas promessas. Uma delas foi a de tomar conta do Melga (tinha 19 anos). Prometi-lhe que ia estar presente, sempre que fosse preciso. Prometi-lhe que ia fazer de conta que ainda estava vivo e continuaria a pagar ao Melga uma 'pensão de alimentos'… só até o Melga ter condições para ‘caminhar sozinho’.
E assim tenho feito. Nestes cinco anos tenho contribuído financeiramente para o dia-a-dia do Melga. Não é muito, não chega para viver, ele tem que trabalhar, mas é uma ajuda.
Ao longo destes cinco anos várias pessoas me disseram para parar com isto. Já me disseram algumas vezes que estava a ser parva, que não tinha nada que o fazer, que não tenho nenhuma obrigação de o fazer, que estou a criar hábitos e que devia parar com isto… eu lá explico que a minha relação com o Melga nunca foi construida na base da 'obrigação', mas apenas naquilo que a minha consciência dita... além disso, é uma promessa ao meu Paulo... prefiro arrancar dentes a frio do que quebrar esta promessa.
No fim do verão consegui finalmente reunir condições financeiras para marcar a escritura e fazer as partilhas. Andei muito tempo a pensar na melhor forma de calcular o montante que lhe devia entregar. Um dia chamei-o para almoçar comigo e quis explicar-lhe como tinha chegado ao valor das tornas. Comecei por lhe dizer que não o queria prejudicar, mas também não me queria prejudicar, que tinha feito um esforço para chegar a uma solução que fosse justa e equilibrada. Ele interrompe-me e diz:
- Oh Rita, não precisas de me explicar mais… eu sei que contigo nunca serei prejudicado… se dizes que é esse o valor… então é esse o valor…
(já vos contei que o meu Melga é um menino querido? Às vezes tem umas ideias um bocadinho baralhadas... mas tem o mesmo fundo do pai... é bom menino!)
No fim da escritura não fui capaz de segurar as lágrimas. Tinha um buraco no estômago...
Por um lado, senti-me triste… não consegui deixar de ter a sensação de estar a pôr um ponto final numa época da minha vida... mas também me senti feliz... cumpri a minha promessa.
...
Agora só falta cumprir uma promessa: ser uma espécie de avô Paulo dos filhos do Melga!
Já não posso mais ouvir falar do ‘Natal Fit’, do ‘Natal sem culpas’, do ‘Natal saudável’, do ‘faça o Natal sem engordar’…
Parem com isso, criaturas de Deus!
Andamos o ano todo a enfardar pães de deus e croissants e pãezinhos de leite com manteiga e queijo e fiambre, ele é folhados cheios de margarinas, ele é panquecas cobertas de nutela, ele é gelados e bolas de Berlim na praia… mas em chegando o Natal vamos enfiar as azevias e os sonhos no forno, porque os fritos fazem muita mal às coronárias… o bolo rei mesmo bom é vegan e Deus nos livre de olhar para uma travessa de aletria ou arroz doce….
Alguns exemplos que já vi por essa net fora:
Aprendi com o meu Paulinho que não há coisa melhor, para o pequeno almoço do dia de Natal, do que uma chávena almoçadeira cheia de leite simples e umas rabanadas feitas no dia anterior bem ensopadas em leite e ovos e com aquela calda de açucar e canela.... nos últimnos anos faço uma variação, como as rabanadas com iogurte grego e ponho umas framboesas (é a parte do fit...).
Para mim só é Natal se puder passar a tarde do dia 24 na cozinha da minha mãe a fritar sonhos e filhoses. Já há alguns anos que sou eu que me encarrego da frigideira e adoro aquele bocadinho de tempo que estou ali a virar colheradas de massa para dentro do óleo. É verdade que fica tudo esbodegado, mas fica tudo perdoado assim que pegamos num sonho ainda quente e o passamos no açucar e canela e comemos...
Ãh... é o quê?! Então a simples posta de bacalhau cozido com couves e um fiozinho de azeite também já não pode ser?
Ah pois, é bacalhau fresco, porque o salgado é que não pode ser!!! Havia de ser bonito ver Sr. Meu Pai sentado à mesa da consoada e servir-lhe chutney de tomate e nozes para acompanhar o bacalhau!!!
Tenham juízo, criaturas!
Não é o que se come em dezembro que faz mal… é o que se come e se faz AO LONGO DO ANO!!!
GENTE QUE NÃO TOMA BANHO! E já agora, gente que não lava a roupa que veste!
A sério que não consigo entender a aversão que algumas pessoas têm ao ato de se banharem e passarem um qualquer produto que faça uma espuma cheirosa em todas as partes do corpo… RE-GU-LAR-MEN-TE!
Será que não sentem o próprio cheiro nauseabundo?
Será que não se olham ao espelho e vêm o cabelo que mais parece saído de um pote de óleo?
Ontem. Fila da caixa da H&M do Colombo.
Duas criaturas do sexo feminino, que papagueavam como só duas criaturas do sexo feminino sabem papaguear quando andam às compras de trapo, colocam-se trás de mim…
O cheiro, senhores… que cheiro nauseabundo!
Antes de olhar para trás ainda pensei ‘são sem abrigo… só podem ser!’
Claro que não eram sem abrigo!!!! Eram gajas, que vistas a uma grande distância, pareciam gajas normais, mas só a uma GRAAANDE distância, porque a uma MÉDIA distância o cheiro sobrepunha-se a tudo.
Antigamente a malta podia ser pobrezinha, mas o domingo era o 'Dia do Senhor'... era o dia de tomar banho, vestir o melhor fato e ir à missa, caraças!
Agora não são pobrezinhos... são só mesmo porcos!
GENTE SEM NOÇÃO DO ESPAÇO VITAL DE CADA UM!
Conhecem aquela situação de estar a pagar a conta do supermercado e já ter a pessoa seguinte COLADA a vocês…
Dá ou não dá vontade de perguntar… ‘quer pagar a minha conta? Esteja à vontade!’
Este fim de semana temos programada a ida ao CC para comprar a prenda de Sr. Meu Pai.
Sr. Meu Pai é… como dizer… bicho fino, vaidoooso como só ele, difícil de satisfazer.
Sabendo o que a casa gasta, há muito que nos deixámos de surpresas. Pegamos nele, damos-lhe um orçamento e deixamos que escolha o que lhe apetecer. Há pelo menos duas semanas que anda a perguntar “então quando é que vamos?”
Soltar Sr. Meu Pai numa loja de roupa é mais ou menos o mesmo que soltar uma criança numa loja de chocolates.
Escolhe, escolhe, escolhe, primeiro é um casaco (blazer, kispo ou sobretudo?), mas se calhar já é um pullover (decote em bico, redondo, com fecho?), mas uma camisa também não ia mal… e umas calças, “…as minhas calças estão a ficar velhas, não achas mulher?”
E começa Sra. Minha Mãe a rezingar… “tens lá um roupeiro cheio de calças que não vestes... só sabes comprar novo, mas não deitas fora o velho…”
E lá andamos eu e Mana Querida a apaziguar as hostes, com toda a diplomacia, sem ferir suscetibilidades, a tentar organizar ideias, dar sugestões válidas:
“… se calhar um sobretudo não é o mais indicado para o teu estilo de vida, pai… não será melhor algo que seja quente, prático e te proteja da chuva?”
“… oh minha mãe, as calças que o pai trás fui eu que ofereci há uns anos valentes… se calhar não era mal pensado umas novas… eu depois vou lá a casa e faço uma limpeza no vosso roupeiro”
Ao que Sr. Meu Pai atira… “pois, pois, mas não é só para as minhas calças, aproveita e deita fora uns quantos par de sapatos e uma quantas malas que por lá andam que a tua mãe também não usa…”
Mana Querida e euzinha vamos tomar um calmante antes de sair de casa e, no fim do dia, deixamos ambos em casa e vamos berber um tinto!
Vai ser tão bom!
A ver se não acontece o mesmo do ano passado… queria uns ténis. Depois de calçar uns quantos, decidiu-se por aquele modelo… no dia 26 de dezembro, às 10h00, estávamos na loja para trocar. Mas todos os diabos têm sorte. A loja já estava em saldos… os que trouxe estavam com desconto e em vez de exigirem que comprássemos outro par para completar a diferença, emitiram um vale nesse valor, com validade de um ano. Em março ainda foi buscar outros como prenda de anos.