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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Cinco anos

Amanhã faz cinco anos que o meu Paulo morreu. CINCO… uma mão cheia de anos...

Pode parecer estranho, mas não é o dia 13 de setembro que mais me custa a passar. O que mais me custa, é o dia 12 de setembro.

Hoje sei que o enfarte do meu Paulo começou a desenhar-se na tarde do dia 11... começou a ficar maldisposto... ‘acho que não fiz a digestão do almoço, deve ter sido aquele copo de água gelada' ... já não jantou...

Na manhã do dia 12 acordei a ouvi-lo na casa de banho a vomitar. Assim ficou todo o dia, com vómitos e diarreia… os sintomas típicos de uma indigestão... Pelas oito da noite começou a queixar-se de tonturas e a respiração começou a ficar ofegante, pediu para chamar um médico a casa que lhe diagnosticou uma ‘gastroenterite viral’... tinha o corpo gelado e suado, numa noite quente, o médico disse ...'isso deve ser por estar um pouco desidratado... mas não o vou mandar ao hospital por causa de uma desidratação... pode tratar disso aqui em casa, com isto que lhe vou receitar...'

Pelas dez da noite, cheguei da farmácia com os medicamentos receitados pelo médico. Tomou alguns. Deitou-se. Eu não conseguia sossegar, fiquei na sala sempre à escuta. Levantou-se algumas vezes… estava agitado… devo ter passado pelas brasas... acordei sobressaltada com um barulho… vi-o a sair da casa de banho… já não andava direito… corri para o telefone e liguei 112… enquanto descrevia os sintomas à técnica do INEM, o meu Paulo, sentado na nossa cama, olhou para mim... caiu no chão… já não acordou... vieram os bombeiros… levaram-no… já só o voltei a ver no velório, quatro dias depois...

...

O que mais me deixa aflita em cada dia 12 de setembro é esta ideia que me assola ‘como é possível uma pessoa estar a morrer e ninguém se aperceber disso?’

Como é possível tanta coisa falhar em tão pouco tempo?

O Paulo já tinha tido gastroenterites (todos nós já tivemos) e não se apercebeu que alguma coisa não estava bem… algum sintoma que o levasse a pensar que não era uma simples gastroenterite (nunca se queixou de dor no peito)... porque é que eu não forcei uma ida ao hospital (já martirizei tanto a minha cabeça… porque é que não o obriguei a ir ao hospital, logo eu que sempre detestei essa coisa de ‘chamar médico a casa’)… porque é que o médico não reconheceu os sintomas... porque é que não o mandou ao hospital, nem que fosse só porque suspeitava de desidratação… porque é que a técnica do 112, não reconheceu os sintomas descritos e sabendo que o doente tinha acabado de cair no chão sem sentidos, não enviou uma VMER com desfibrilhador…

É por isto que o dia 12 de setembro é sempre mais difícil de passar do que o dia 13.

O dia 12 de setembro é o dia em que o filme se vai desenrolando na minha cabeça. As horas vão passando e eu vou lembrando ‘são duas horas… aconteceu isto… são oito horas… aconteceu isto’...

É o dia em que os PORQUÊS’s e os SE’s me assaltam o pensamento e deixam-me de rastos…

É a isto que se chama karma?

Sobrinha Mai’Linda usa óculos.

Lá pelo meio do verão demos conta que os óculos da miúda não se encontravam em lado nenhum.

Luísa, os teus óculos?

Não sei…

Procurou-se em todo o lado. Gavetas, bolsas, bolsinhas, mochilas, malas várias, em casa da mãe, do pai, dos avós… Até que Mana Querida se deu por vencida e resolveu dar os óculos como perdidos para o mundo.

Bem, o ano letivo está a começar, de qualquer das formas tinhas que fazer uma nova consulta, deve haver alteração nas lentes… mas as armações ainda estavam boas, ainda se podiam aproveitar… vou ter que comprar tudo novo… Tou memo a ver o que vai acontecer, vou comprar novo e passado uns dias os óculos vão aparecer…

 

Mana Querida foi buscar os óculos novos na 2ª feira ao fim do dia…

Os óculos desaparecidos... apareceram na 3ª feira de manhã…

Como devem calcular... foi uma grande alegria!!!

Sobre o Plenário do Sapo

Tenho reparado nas ideias que surgem no Plenário do Sapo. Concordo com algumas ideias propostas, outras acho só um bocado rebuscadas.

Uma ideia que até agora me chamou mais a atenção, e com a qual concordo, é a necessidade de criar aulas de educação fiscal nas escolas. Não só concordo, como vou mais longe.

A pessoa que apresenta esta contribuição foca muito a questão do ‘saber passar um recibo verde’, saber como entregar o IVA, o que é uma retenção na fonte ou um desconto para a Segurança Social, questões muito práticas próprias de quem ingressou no mercado de trabalho e se vê às aranhas com o cumprimento das suas obrigações fiscais.

Concordo TANTO com esta ideia, mas acho que deve ser levada mais longe. Não deve começar só no 10.º, deve começar logo no 5.º ano.

Começar a explicar aos miúdos de 10 anos ‘de onde é que vem o dinheiro’ e ‘como deve ser gasto o nosso dinheiro’.

A minha sobrinha tem 11 anos. Não é nenhuma inteligência superior, é uma miúda normal, como todos os outros, estudante do ensino público. Reparem nesta conversa com a minha irmã, andava ela, acho que no 3.º ou 4.º ano:

- Oh mãe, porque é que eu paguei X para ir à visita de estudo e a ‘Maria’ só pagou y?

- Porque a ‘Maria’ deve ter direito ao SASE, e por isso paga menos que tu…

- O que é o SASE, mãe?

- É um serviço da escola que ajuda os pais dos meninos que não têm dinheiro para pagar as despesas… os livros, as visitas de estudo, o material escolar e às vezes até os lanches e os almoços…

- É para os meninos pobrezinhos?

- Sim, é isso…

A minha irmã reparou logo que a miúda franziu o sobrolho, estava ali qualquer coisa que não batia certo… levantou a cabeça e muito pispineta (tem tanto a quem sair assim…)

- Oh mãe… mas a ‘Maria’ não é pobrezinha… ela tem roupas da marca… e ténis da marca…

Vocês aí desse lado, já perceberam o que se passa nesta história, também devem conhecer alguma história como a da ‘Maria’. Lá tentámos explicar à miúda como é que o mundo funciona, com recurso a desenhos e setas e números… acho que conseguiu perceber o que se passava (“… então eles estão a mentir???” )

No final, sendo a miúda uma pispineta, também lhe recomendámos que não fosse para a escola de dedo espetado a acusar a ‘Maria’ disto e daquilo, porque tal como ela não sabe como funciona o mundo, a ‘Maria’ também não sabe.

É isto que eu acho que se deve ensinar aos miúdos. De onde vem o dinheiro, que não é um poço sem fundo, que deve ser utilizado em benefício de todos e principalmente de quem realmente precisa. Ensinar-lhes, por exemplo, que os livros por onde estão a estudar não lhes pertencem, os livros são da escola, são de todos, e tal como lhes ensinam que não podem riscar um livro da biblioteca também não podem rabiscar o livro de português.

Não devia ser a escola a ensinar estes princípios básicos de civismo, deviam ser os pais… mas se os pais não têm pejo em trapacear o sistema apenas para beneficiar de subsídios a que de outra forma não teriam direito, vão lá agora ensinar os filhos a conservar coisas compradas com o dinheiro dos outros.

Tenho 46 anos... já devia saber isto!

Há muitos anos (devia ter uns 8 anos) casou o meu tio Manuel.

Só tenho recordação de dois factos desse dia. O primeiro foi o ter sido a primeira vez que assisti a um casamento no civil e ter ficado um bocado desiludida, porque a tia Isabel não se vestiu de noiva... (já se sabe, quando a criança é pequena sonha com noivas de branco, com muito folho, renda, cauda e véu... o pacote completo...).

O segundo foi o facto de ter visto Sra. Minha Mãe, pela primeira vez, a vestir uma saia em público. Levava um vestido muito bonito, feito pela nossa modista preferida, a tia Fernanda (também conhecida por 'mãozinhas de fada'). Para complementar o modelito, Sra. Minha Mãe comprou uns sapatos de salto ALTO.

Ora, os ditos sapatos de salto ALTO, nunca mais foram calçados, não sei se por não ter havido outro evento que o justificasse ou porque simplesmente deram cabo dos pés e das costas de Sra. Minha Mãe. O que sei é que passaram rapidamente a ser os sapatos preferidos de Mana Querida nas suas brincadeiras. Amarrava um cobertor à cintura para fazer uma saia grande, calçava todas as meias que conseguisse encontrar, na vã esperança que os sapatos lhe servissem, e andava pela casa fora a brincar 'às senhoras'. Crescemos a ouvir Sra. Minha Mãe dizer:

'Eu devia estar maluca no dia em que comprei esses sapatos! Olha só a altura desse salto...'

...

No sábado passado fui a um casamento (saberiam disso se seguissem o IG desta chafarica...), e é oficial... a história repete-se: 

Onde é que eu estava com a cabeça no dia em que comprei as sandálias que levei nos pés.

Fui vítima de uma das maiores privações de sentidos que me lembro de ter tido... e já se sabe como são estas coisas, normalmente as privações de sentidos nas compras, quase sempre resultam em momentos dolorosos... Eu tenho 46 anos... eu SEI que não devo comprar sapatos com salto alto muito fininho e muito menos sem um pouco de compensação à frente...

Eu SEI isto... e comprei isto:

sandalias-festa.jpg

Ainda a noiva estava em casa e já os meus pés BERRAVAM a plenos pulmões... 'TIRA-NOS DAQUUUIIII...'.

Aguentei-me estoicamente até à fotografia com os noivos... já na quinta... depois de um atraso de UMA HORA no inicio da cerimónia (porque é que as igrejas não têm banquinhos à porta?), depois de uma cerimónia COM MISSA (o tempo que uma pessoa tem que estar DE PÉ, durante uma missa... não é normal), depois das entradas (ainda tentei anestesiar a dor num balde de Gin, seguido de um Martini, mas sem resultados...).

Depois da dita foto... arrastei-me até ao carro (o raio do parque de estacionamento era em terra batida, cada pedrinha parecia uma faca a espetar-se nos pés) e, literalmente, DESCOLEI as sandálias! Foi o equivalente a um ORGASMO em pleno parque de estacionamento!!!

Tendo em conta que Sobrinha Mai'Linda nunca teve o hábito de brincar 'às senhoras', tenho duas soluções: 

1) as sandálias nunca mais vão ver a luz do sol (pelo menos em eventos que durem o dia inteiro);

2) vou vender as sandálias no OLX!

Parabéns RTP!

Voltei… voltei, pessoas queridas!

Ainda ontem estava de papo para o ar, mas hoje já estou na labuta.

Foram três semanas que deram para tudo: houve praia suficiente para ganhar uma corzinha de verão (não houve muitos banhos de mar, porque a temperatura da água não permitiu), houve passeios, não houve ginásio (amanhã vai doer tanto…), houve um casamento e também houve um funeral.

Até houve uma coisa, que já não me lembro que houvesse há muito tempo: algumas tardes a babar à frente da televisão.

Confesso que não ligo muito à televisão. Em minha casa a televisão funciona mais como ‘algo que está ali a fazer um barulho’, serve mais para cortar o silêncio do que outra coisa qualquer.

Quando ligo a televisão em casa é quase sempre nos canais por cabo. Há muito tempo que deixei de ver os canais nacionais de sinal aberto. Dei comigo cada vez mais irritada com os programas da SIC e da TVI, a exploração do choradinho fácil, os advogados que, com relato de apenas uma das partes, analisam, julgam e aplicam a pena em praça pública, as palhaçadas dos apresentadores aos gritos, as novelas com enredos esticados até ao limite… é de vómito!

Mas, nestas semanas dei comigo agradavelmente surpreendida e verdadeiramente ENTRETIDA a ver televisão, num canal nacional de sinal aberto.

Parabéns RTP, pelo programa dedicado ao ‘Turismo em Rede’.

Um conjunto de apresentadores, muito simpáticos e excelentes comunicadores, passou por todas as regiões de turismo do país, com espaço para conversas e música, de forma leve e descontraída, como se quer numa altura em que metade do país está a banhos (até a parte dos beijinhos me divertia… ‘beijinho prá minha tia que está no Canadá’ … ‘beijinho pró meu netinho que está na França…’).

Empurrada por este programa, acabei por ver muita RTP, por estes dias. Dei comigo a gostar de ver o ‘Portugal em Direto’ (não me escandaliza nada o ‘… até amanhã, se Deus quiser’), o ‘Preço Certo’ (que, para mim, baterá sempre aos pontos uma Cristina Ferreira aos gritos, mesmo quando os concorrentes trazem metade do fumeiro da terra, mais três caixas de bolos e o galhardete da Junta de Freguesia, da Câmara Municipal e da banda filarmónica para oferecer ao Gordo), o Joker, o programa do Herman José ou as 7 Maravilhas…

É entretenimento, sem exploração de sentimentos, com alguma dose de cultura e transmissão de saberes.

Tenho muita pena que a RTP não tenha mais audiências. Tenho pena que continuemos a ser um povo (nisto, não somos diferentes dos outros países) levado pelos conteúdos fáceis da ‘televisão em movimento’, que espremidos não deitam sumo nenhum.

Na parte que me toca posso dizer: este verão, a RTP reconquistou-me!

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