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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Assim não vamos lá!

No final da semana passada, uma semana em que tanto se falou em violência doméstica, empoderamento das mulheres, igualdade de direitos... fui (outra vez... eu disse que nunca mais ia, mas fui) a um jantar de celebração do dia da mulher, apenas para confirma que ainda há mulheres que confundem a comemoração do Dia da Mulher, com uma vulgar (muito vulgar!) despedida de solteira. Que tristeza!

Ontem foi dia de estreia de novos programas que agora estão na moda... de repente todos querem casar!

Vi um bocadinho do programa dos agricultores. Pareceram pessoas normais, vá... mas quando apareceram as candidatas a namoradas, mudei de canal.

Parecia que iam todas para o cabaré da coxa! O que eram aquelas roupas e cabelos???

Ao que parece no canal da concorrência foi outro chorrilho de disparates, com mãezinhas muito preocupadas em encontrar noiva para os marmanjos inúteis que têm lá por casa. Pelo que já li, parece que a preocupação generalizada das mãezinhas era que as pequenas soubessem cozinhar... e limpar...

Se estão tão preocupadas que os seus infantes não passem fome, porque não os ensinam a cozinhar?

Estamos todos ofendidos com os pensamentos do Sr. Dr. Juiz, mas depois damos tempo de antena e audiência a este tipo de comportamentos!

Haja paciência!

Acabadinho de ler!

passagem.jpg

Passagem para o Ocidente / Mohsin Hamid     

Uma palavra para definir este livro: esperança.

Este livro é mais um daqueles livros que vai ficar para sempre na minha estante.

Surpreendeu-me porque é uma história de amor. À partida eu fujo de histórias de amor, mas o livro foi finalista do Man Booker Prize 2017, pelo que não podia ser uma simples história de amor, por isso arrisquei… e ainda bem!

Conta-nos a história de Nadia e Saeed. Dois jovens, num país que vai mergulhando no caos. Nunca sabemos de que país se trata, pode ser o Iraque, a Síria, o Afeganistão… só sabemos que se trata de um país muçulmano, porque Nadia, ao longo de toda a história, insiste em manter a sua túnica preta vestida, sempre que está em locais públicos. Dois jovens apaixonados que depois de todos os esforços de adaptação às constantes mutações no seu país, resolvem partir... sem rumo, sem destino…

São refugiados de guerra… migrantes.

O autor optou por não conduzir o leitor por descrições épicas de travessias imensas e dos perigos associados. Já todos nós estamos suficientemente intoxicados pelas imagens na televisão de colunas de pessoas a caminhar sem destino, de barcos cheios de gente em fuga, em condições tão perigosas. Em vez disso, o autor substitui estas travessias por portas mágicas, que, uma vez transpostas, levam estes jovens do seu país para sucessivos campos de refugiados, primeiro em Mykonos, depois em Londres e, finalmente, em S. Francisco.

Li vários textos de análise a este livro. Quase todos falam numa frase que aparece quase no fim ‘todos somos migrantes através do tempo’. Não foi esta a frase que mais me tocou, foi uma outra, na página 86, que me ficou cravada na memória e que me pôs a pensar estes dias:

“… quando migramos, assassinamos das nossas vidas aqueles que deixamos para trás.”

Já se devem ter perguntado, eu já dei comigo a perguntar-me: como é possível as pessoas optarem por migrar? Sair, assim, sem destino? Como é possível colocar filhos em barcos sobrelotados e lançarem-se ao mar? Será que não amam os filhos?

Amam. É porque os amam que o fazem. São pessoas que foram perdendo tudo, num processo de adaptação contínua… a comida começa a escassear, começam a ver amigos, vizinhos simplesmente a desaparecer (morreram, fugiram?), um dia deixam de ter trabalho (e é normal sair do local de trabalho com computadores, impressoras e televisões às costas), o café de todos os dias que fecha as portas, depois deixa de haver água ou luz, passam a cozinhar em fogões de campismo, depois são as janelas de casa que passam a ser um perigo, porque há balas perdidas e desarrumam-se os móveis de forma a tapar as janelas, depois a guerra entra pelo bairro dentro…

São pessoas, para quem o seu país deixou de ter significado… uma identidade… deixa de haver normas, regras, deixam de ter pontos de referência, sejam eles físicos, sociais, culturais… e, por isso, só lhes resta partir. Partem os mais novos, os mais fortes, os que ainda podem lutar por um futuro melhor para os filhos… ficam os velhos, os doentes, os feridos. Partem com a certeza de não mais ver os que ficam! 

O autor não nos entope em análises políticas, religiosas ou económicas… apenas nos fala de esperança. Mostra-nos o ponto de vista do refugiado de guerra, completamente desenraizado, desorientado, sem nada de seu, muitas vezes sem conseguir comunicar, que aprendeu a temer a autoridade (pelas coisas que viu no seu país) e que apenas pede para ser aceite em cada novo sítio onde chega, numa esperança inabalável de conseguir uma vida melhor.

É a esperança que move estas pessoas na busca por uma vida com trabalho, uma casa, mandar os filhos à escola… mas, sobretudo, e é aqui que estes migrantes são diferentes dos nossos emigrantes... buscam uma vida com paz.

Gosto tanto desta época do ano!

A época de organizar as faturas para entregar o IRS. É assim uma éspecie de passar o ano em retrospetiva...

Todos os anos a mesma conversa... 'pró ano tenho que me portar melhor, tenho que vir ao Portal de vez em quando para ir classificando faturas... olha só para isto... 150 faturas para classificar... vamos lá... modelo... pingo doce... pingo doce... modelo, modelo, lidl... pingo doce...'

Este Portal das Finanças dá para termos uma ideia muito clara de onde gastámos o nosso rico dinheirinho. No meu caso, o grosso da despesa está no supermercado, mas lá está, antes no supermercado do que na farmácia, não é?

Também fiquei a saber que durante o ano de 2018, gastei... MIL E QUARENTA E DOIS EUROS em VETERINÁRIO...

Maaaas, atenção!

Como eu sou uma contribuinte espetacular e pedi sempre as minhas faturinhas com NIF, a AT está em condições de devolver ao meu bolso a fantabulástica quantia deeeeeee..... DEZANOVE EUROS E CINQUENTA E SETE CÊNTIMOS...

Despesas.png

Não sei o que faça com tamanha devolução...

Não chega para uma saca de ração... até uma simples consulta de rotina do animal custa mais que isto...

O QUE FAZER?

Já sei... compro um crepe com gelado para mim e uma latinha toda xpto para o animal (daquelas luxury lombo de atum com gambas)...

Será que ainda chega para um litro de leite? É que eu gosto de leitinho ao peqeuno-alomoço... e o animal também!

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