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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Está tudo explicado!

Volto a um dos temas que me é mais querido: a falta de banho de alguns espécimes com quem tenho a infelicidade de me cruzar.

Ontem fez-se luz na minha cabeça. Ontem acho que percebi porquê!

...

Ontem entrei num autocarro lá do meu burgo. Estava cheio. Estava sem ar condicionado. Estava um forno.

Como ia sair logo na primeira paragem, posicionei-me junto à porta de saída, onde estavam 3 ou 4 homens daqueles que parecem executar muito trabalho braçal.

Todos se queixavam da falta do ar condicionado e um deles comentou que, por estes dias, quando chega a casa...

 

‘...passo o corpo no chuveiro, assim só com água fresca … pra refrescar, senão não aguento, pá!’

Será que é isto, pessoas? Existem criaturas que estão convencidas que passar água fresca 'pra refrescar' é o suficiente para ficarem lavadas?

Se for esta a razão, então ainda gostava de ver estas pessoas a pôr uma máquina de roupa a lavar. Será que vão diretamente para o enxaguamento e centrifugação, sem passar pela casinha da lavagem?

a-cat-taking-a-bath-funny-pictures.jpg

'Isto é para ti, certo?'

E agora, pessoas…

…vamos ficar na mesma ou vamos mudar alguma coisa nas nossas cabecinhas?

Ainda sobre os incêndios, ontem vi uma entrevista, no telejornal da SIC, acho que a um professor universitário, que disse que era impossível gerir a floresta em Portugal porque são áreas muito extensas e muito divididas em parcelas ínfimas, detidas por particulares. Disse que quando um desses particulares decide não limpar a sua parcela deve ser responsabilizado pelos vizinhos, porque coloca em risco o que é seu, mas também o que é dos vizinhos. Disse também que só cerca de 2% da floresta portuguesa pertence ao Estado.

‘Não podemos pensar a floresta como há 50 anos, a vida mudou, a nossa relação com a floresta mudou’.

Isto fez-me recordar as coisas que via em miúda quando ia de férias para a terra da minha mãe: o meu avô Emílio a chegar num carro de bois cheio de mato para fazer a cama aos animais que estavam nos currais, as pilhas de lenha que havia sempre debaixo do telheiro para a minha avó cozinhar na fogueira que havia no chão da cozinha… e como os meus avós, dezenas de outras famílias faziam o mesmo.

Parte das terras e a casa que eram dos meus avós estão agora na posse dos meus pais. A casa já não tem currais e está equipada com um fogão a gás. O mesmo aconteceu com quase todas as casas à nossa volta. Há uns anos, os meus pais mandaram limpar uma parcela de pinhal. Ainda gastaram um bom dinheiro. Num dos nossos passeios pela aldeia passámos por essa parcela. Estava limpa, mas maioria das parcelas à volta estavam por limpar. E pensa Sra. Minha Mãe: ‘vou gastar mais dinheiro aqui, para quê? Está tudo por limpar à minha volta!’

Ontem também ouvi o final do comentário do Miguel Sousa Tavares que defendia uma intervenção com mão pesada das autoridades. Dizia qualquer coisa como:

‘O proprietário não limpa? Expropriação! O proprietário não quer integrar uma rede municipal de organização da floresta, com parcelamentos organizados, linhas corta-fogo? Expropriação!’

Não se iludam, pessoas!

Podem nomear comissões de estudo, conceber planos de ordenamento com as melhores práticas conhecidas no mundo… se não chegarem ao terreno com pulso forte, ficará tudo apenas no papel!

Num país onde uma família pode manter uma aldeia impossibilitada de passar de carro num caminho porque se recusa a ceder um metro do seu terreno, num país onde ainda se mata por causa de linhas de água para rega da horta, é o mesmo país onde as pessoas podem deitar por terra planos de ordenamento do território simplesmente porque se recusam a ceder um metro do seu pinhal para a construção de um estradão ou indignar-se com o abate dos seus pinheiros que estão a menos de 50 metros da estrada.

Nem vou falar dos presidentes de Câmara que vão fazer de tudo para não ficarem associados a este tipo de medidas, com medo que o seu partido nunca mais seja eleito naquele concelho.

Gostava muito de pensar que as imagens de tanto desespero que vimos por estes dias nas televisões fossem o suficiente para mudar mentalidades, mas estaria a ser inocente…

Estas imagens têm quase um ano. Foram tiradas à porta de nossa casa, lá na terra.

Foi a noite em que fomos para a cama vestidos, com as persianas abertas e faziamos turnos para espreitar e ver se a situação se mantinha controlada.

Tristeza

Sei que estou ausente já há alguns dias, por isso este seria um daqueles textos em que vos faço um resumo do meu fim-de-semana.

Este seria um daqueles textos em vos contaria mais um encontro com uma grávida que achou por bem sair de casa para ir ao supermercado comprar iogurtes, numa altura do dia em que o termómetro marcava 42.º, mas depois não podia esperar por três ou quatro pessoas para pagar a sua conta na caixa…

Este seria um daqueles textos em que me queixaria de mais encontros nos transportes públicos e nas lojas com pessoas que, apesar de termos dias consecutivos de temperaturas tão elevadas, continuam a achar que não é preciso tomar banho regularmente, para não dizer todos os dias…

Este serias um daqueles textos em mais uma vez iria lançar raios e coriscos contra a falta de civismo das pessoas que vendo o ecoponto a transbordar acham que não podem ter a embalagem do detergente vazia em casa, só por uns dias, é muito melhor deixá-la no meio da rua…

 

luto-6.jpg

Podia fala sobre todas estas coisas, mas hoje tudo isto é tão pequenino, tão sem importância, comparado com o sofrimento daquelas pessoas que vimos ontem na televisão…

Ontem, por mais de uma vez, os meus olhos encheram-se de lágrimas, fiquei toda arrepiada, ao ver aquelas pessoas desesperadas, com o medo estampado na cara… a imagem daquela estrada, daqueles carros queimados, não me sairá da cabeça tão cedo.

Hoje não me apetece dizer mais nada…estou triste.

Esta coisa dos filhos do Ronaldo

Pensei muito antes de falar sobre isto.

Tenho lido muita coisa nas redes sociais e blogs e tenho andado a pensar sobre esta coisa do Ronaldo andar a comprar encomendar filhos em barrigas de aluguer.

Acho bem? Acho mal? (não que o meu achar tenha importância, mas é para isto que servem os blogs)

Tenho reparado que todos os que criticam esta posição do Ronaldo, todos os que discordam, são imediatamente achincalhados. Basicamente a ideia geral defendida pela maioria é ‘se tem dinheiro e pode, porque não?’ e ‘o que interessa é que nada faltará a estas crianças’ e ’o que importa é ser feliz’.

Sendo assim, cá vai. NÃO CONCORDO. Não concordo mesmo nada.

...

Conheço pessoas, mulheres, que já me disseram algumas vezes que até gostavam de ter filhos ou mais filhos, mas não queriam voltar a ter um homem na sua vida. Queriam o filho, mas não queriam aturar o pai do filho. Na brincadeira acabavam por dizer ‘um dia dá-me na maluca, vou a Espanha e injeto uns bichinhos cá para dentro e pronto!’

Acredito que a maioria destas mulheres, colocadas perante uma situação concreta, recuaria por questões emocionais. Não seria fácil explicar a uma criança que não tem pai, apenas porque a mãe assim decidiu.

Há uns tempos vi uma reportagem na SIC sobre mulheres portuguesas (solteiras) que fizeram isto mesmo. Foram a Espanha engravidar de um dador de esperma. Já naquela altura achei aquilo muito estranho. Primeiro porque aquelas crianças não tinham pai, de todo, depois porque pareceu-me egoísta da parte das mães. Afinal, se queriam ser mães, porque não adotaram. Queriam ser mães ou queriam engravidar?

Não será mais fácil explicar a uma criança que teve pai e mãe, que, por alguma razão, não puderam ficar com ele/a e acabou por ser adotado/a?

...

Nestas coisas as mulheres estão em vantagem. Só nos faltam mesmo os bichinhos, o resto está tudo ao nosso dispor. Nestes tempos de defesa da igualdade entre sexos seria tremendamente injusto uma mulher poder procriar 'sozinha' e um homem não o poder fazer. É aqui que entram as barrigas de aluguer.

Não sou contra as barrigas de aluguer. Sou mesmo muito a favor, desde que não sejam um negócio. Uma barriga de aluguer não é mais que um empréstimo do útero de uma mulher, imaginem um dador de medula óssea trocar a sua doação por dinheiro… é mais ou menos a mesma coisa, não é?

Digam o que disserem, são precisas duas pessoas para gerar/criar uma criança. Mesmo em situações em que o pai ou a mãe não estão presentes na vida da criança (seja porque razão for) a criança sabe que tem um pai e uma mãe (ou dois pais ou duas mães). Acredito que isso tem importância no desenvolvimento da criança.

Tal como os filhos daquelas mulheres não têm pai, os filhos do Ronaldo NÃO TÊM MÃE. Não existe, porque o pai decidiu que assim seria.

Caramba, estamos a falar de um rapaz saudável, bem parecido, com uma vida de sonho... não consegue encontrar uma mulher com quem seja feliz e tenha filhos!!!

Desculpem lá, mas isto cheira-me a egocentrismo puro.

A escola de hoje

Lembram-se de vos ter falado do livro de matemática da minha sobrinha, no início do ano letivo? Até vos mostrei uma página e comentei como é que cabecinhas tão pequenas iam conseguir entender raciocínios destes.

Ontem, sendo feriado em Lisboa, estive em casa e pude ir buscar a miúda à escola, no final da tarde. A minha bichinha saiu uns 10 minutos depois de a campainha tocar, porque hoje tem teste de matemática e, por isso, tinha estado a fazer exercícios e trazia trabalhos de casa para fazer. Ajudei-a nos trabalhos e, ao mexer no livro de matemática, dei de caras com a mesma página que me espantou no início do ano letivo. Agora está assim:

livro-matematica2.jpg

A minha bichinha, e os bichinhos todos da sua sala, conseguiram acompanhar este raciocino e resolver todos os exercícios com sucesso… mas a que preço?

As aulas das escolas primárias só terminam no próximo dia 23 de junho. Nunca terminaram tão tarde. São os únicos alunos do país que ainda estão em aulas, ainda estão com testes. O último teste é na próxima segunda-feira, dia 19 de junho. O teste de matemática é hoje (4ª feira). Na passada 2ª feira a professora deu matéria NOVA, que vai sair no teste e ainda conseguiu dizer a estes alunos cansados, fartos de escola, que quem tivesse suficiente no teste chumbava o ano!!!

Nós, os crescidos, sabemos que a professora diz estas coisas para os miúdos se aplicarem, não se encostarem à sombra da bananeira. Sabemos que para a maior parte dos miúdos, uma coisa destas ‘entra a 100 e sai a 200’, não é?

Mas nem todos os miúdos são iguais. Nós, os crescidos lá de casa, temos que lidar com uma miúda que, além de cansada, está ansiosa, nervosa, não dorme, às vezes chega a vomitar o jantar. Por mais vezes que lhe digamos que está tudo bem, que mesmo que tenha um suficiente não vai chumbar o ano porque teve boas notas o ano todo e não é por causa de um suficiente que se chumba um ano, não adianta. A miúda tem medo de ter um suficiente. E sofre. E nós sofremos com ela.

Diz a professora que as aulas vão acabar mais tarde porque ‘os pais assim exigiram’. Quiseram que as escolas estivesse mais tempo abertas, porque não sabem onde pôr os filhos tanto tempo nas férias de verão.

Será que foi isto que os pais pediram? Será que os pais pediram para os miúdos serem massacrados com matérias novas até à última semana de aulas? Quando é que as escolas vão deixar de ser locais onde se ‘empina’ matéria e começam a ser locais onde se aprende a ser gente?

Sempre fui muito cética em relação às pedagogias alternativas (já seguidas em algumas escolas), como a waldorf ou a montessori (não sei se é assim que se escreve), mas agora que tenho um contacto mais próximo com a escola de hoje, começo a perguntar-me se não têm razão naquilo que defendem: cada criança é um individuo, com os seus tempos de aprendizagem e não é a criança que tem que se moldar a um cronograma, mas o inverso.

 

Como amanhã é feriado, a ver se levo a minha bichinha a comer um gelado hoje à noite e amanhã vamos à praia.

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