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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Mais um medo...

… juntar aos outros todos.

Até ontem foi o medo de deixar os miúdos sair à noite, porque podiam cair em tentação e beber demais; porque podiam experimentar algo mais que o álcool; porque podiam entrar em carros com amigos já demasiado alegres pelo álcool e drogas… e, por isso, muitos pais ficam dentro dos carros à espera ou saem de casa de madrugada, numa tentativa de, pelo menos, garantir que vão para casa em segurança.

Os pais, principalmente os pais de adolescentes, andam sempre com o coração nas mãos, numa luta diária entre o medo de deixar os miúdos voar e a necessidade de deixar os miúdos voar.

Quando são estações de comboios, prédios de escritórios, edifícios públicos, é mau, mas conseguimos encarar os acontecimentos como se fossem ‘coisas de crescidos’.

Ontem apontaram as armas aos nossos filhos.

Ontem subiu-se mais um degrau na escada da maldade.

Ontem à noite, um louco (doente dos cornos!) achou por bem explodir-se numa arena cheia de miúdos (o público da Ariana é maioritariamente composto por adolescentes).

E agora? Como é que se lida com o medo que se criou ontem?

Mana Querida costuma brincar e dizer que vai arranjar a arrecadação que tem no sótão do prédio e transformá-la num quarto com casa de banho para a filha ficar lá fechada, enquanto durar a 'idade do armário'.

...

Eu sei que não devia, eu sei que não podemos ceder ao medo, não podemos cortar as asas aos nossos miúdos, mas cada vez mais me parece uma ótima ideia, Mana Querida.

Mais um sábado de gaja... mais uma lição aprendida

Vocês já sabem que regularmente eu e Mana Querida temos os nossos Sábados de Gaja, ou seja, sábados em que só estamos as duas e vamos fazer o que mais gostamos: bater perna nas lojas. Este sábado começou eram 8h45 da manhã e terminou já noite escura, como diz Sra. Minha Mãe ‘maior fosse o dia, maior seria a romaria’.

Por norma temos um orçamento definido que …tentamos manter controlado, por isso já sabemos que há lojas que devem ser evitadas a todo o custo e lojas onde é impensável entrar. A meio da tarde, andávamos nós todas contentinhas com as nossas compras nas lojas do povão, maioritariamente para a miúda que continua a crescer todos os dias e a roupa deixa de servir a uma velocidade alucinante, e já tínhamos uma bela coleção de sacos: um saco de roupa da Primark por 17€, um saco de roupa da OVS por 15€, umas sandálias para mim por menos de 20€, umas t-shirts carotas, mas com desconto de 30%, quando Mana Querida diz:

- Precisava mesmo de mais um fato de banho para este verão. Lembras-te daquela loja que fica no 1º andar que tem sempre uns fatos de banho muito bonitos na montra, vamos lá ver?

Entrámos na loja, todas lampeiras, fomos diretas aos cabides dos fatos de banho e começámos a escolher, descontraidamente:

- Olha este que lindo…e este... já viste os padrões e as cores, que lindos!

Peguei num lindíssimo, em tons de amarelo, azul, laranja e, de repente, lembrei-me, assim do nada, lembrei-me de olhar para a etiqueta… e a etiqueta dizia… 236€.

Pestanejei, engoli em seco e disse:

- Oh mana é melhor não experimentares este. Está assim… um bocadinho fora do orçamento.

Mana Querida, aproveitando que a empregada se tinha afastado para ir buscar um tamanho, disse entredentes:

- Nenhum custa menos de 160€! O que é que fazemos?

- Então, descontração amiga. Pões a tua melhor cara e vais experimentar, até pode ser que um te fique MUITO bem.

- Por este preço, além de me ficar MUITO bem, no mínimo tem que me transformar na Cláudia Schiffer da Costa da Caparica…

Claro que conseguimos encontrar defeitos nos três modelos que experimentou.

Já fora da loja Mana Querida estava incrédula:

- A sério! Há pessoas que dão 200€ por um fato de banho. Há pessoas que entram em água salgada, ou em água cheia de cloro, com fatos de banho de DUZENTOS euros? Pensa só nas vezes que entramos no mar e aproveitamos para vazar a bexiga. Tu eras capaz de fazer xixi num fato de banho de 200€! Até me mordia toda!

- Não sejas assim. É por termos esta mentalidade que nunca nos vai sair o Euromilhões.

- Oh mulher, se me saísse o Euromilhões comprava a coleção toda…mas mandava encher a piscina com água do Luso, tás a brincar!

E pronto, este sábado adicionámos mais uma loja à lista das lojas impossíveis. De agora em diante nem passamos à frente da montra, passamos do outro lado do corredor.

 

Sabem que desculpa é que Mana Querida deu à empregada da loja para não comprar?

Podia simplesmente dizer que são demasiado caros, que não gostava da cor ou que eram muito ou pouco decotados ou cavados, não é! Tava tão desorientada com o preço que só se lembrou de dizer: ACHATAM-ME AS MAMAS… lindo!

O melhor do mundo são as crianças!

Cá estou com mais uma história dos filhos das minhas primas.

Mais uma vez, dos filhos da minha prima Mafalda! Essa tripla dinâmica que não dá descanso.

Ao contrário da minha sobrinha que é toda menina, princesa, roupa cor-de-rosa com brilhantes e que gosta de yoga, as filhas da minha prima Mafalda são o que se convencionou chamar umas 'maria-rapaz'.

De acordo com a minha prima Mafalda…”em vez de ter filhas que pratiquem ballet, zumba, ginástica rítmica, acrobática, pilates…NÃO.. só jogam, vêm e falam em FUTEBOL”.

Num destes dias mostrou-nos uma mensagem de correio eletrónico que recebeu. Era uma convocatória, para este fim-de-semana, para um torneio de FOOTKART (nenhuma de nós sabe exatamente o que é, suspeitamos que está relacionado com o futebol…está?).

A sua filha do meio, a Leonor, de quase sete anos (já vos falei da Leonor aqui), está convocada para às OITO E UM QUARTO da manhã… de DOMINGO (são magníficas as alegrias da maternidade, não são?!)

É a ÚNICA menina convocada.

 

Atentem no seguinte diálogo entre mãe e filha (obrigada Mafalda, pela partilha):

- Oh Leonor, mas tu vais jogar mesmo?

- Vou!

- E qual é a tua posição?

- Esquerda, avançada!

- E sabes qual é a tua esquerda?

- Sei, é ESTA! (e levanta o braço direito)

 

É uma fonte inesgotável, esta miúda.

Força, Leonor! Arrasa com eles!

Outra vez o luto!

Já aqui vos disse que um dos textos com mais visualizações deste cantinho é ‘O luto. Durante quanto tempo?’. Está sempre na lista dos post mais vistos, apesar de não ser o post com mais comentários ou mais favoritos.

Este fim-de-semana recebi este comentário de uma senhora:

 

‘Os lutos das viúvas antigas não eram de 3 anos, mas sim para a vida toda. Dos homens não sei. Quando a viúva morre no caixão também vai de preto e em relação a eles a mesma coisa. Hoje as pessoas voltam a casar, deve ser complicado andar de luto com outro!!!’

 

Confesso que fiquei um bocadinho em choque quando li isto. Tenho andado aqui a digerir.

Digam-me, por favor, se entendi bem o que isto quer dizer? A senhora que fez este comentário acha que as viúvas devem permanecer de preto para o resto da vida e não devem voltar a casar? É isso???

...

Oh minha senhora! Por muito respeito que tenha pela sua opinião (até porque não a conheço), deixe-me que lhe diga uma coisa:

Há quase três anos, tinha eu 41 anos, perdi o meu marido. O meu Paulo foi o meu primeiro amor, era o meu maior e melhor amigo. Por muito forte que o choque tenha sido (tendo em conta que não tenho filhos, não consigo imaginar muita coisa que me possa vir a acontecer no futuro, que me desfaça as entranhas da mesma forma que a morte do meu Paulo), há uma coisa que eu sempre soube, desde o primeiro minuto: o meu Paulo, lá onde está, QUER QUE EU SEJA FELIZ.

Sabe porquê? Porque o meu Paulo amava-me e quem ama quer a felicidade do outro.

Vesti luto nos primeiros meses (não foi bem um vestir luto, foi mais vestir de escuro), mas não foi porque alguma convenção social me exigisse esse comportamento, foi simplesmente, porque era assim que eu me sentia bem.

A minha tristeza era tão grande, tão violenta, que simplesmente não conseguia ver-me com outras cores que não fosse o preto, o cinzento, o castanho, o azul-escuro. Depois, de forma muito natural, chegou o dia em que me vi ao espelho e não gostei do que vi. Já não suportava o preto, a escuridão, e, calmamente, comecei a vestir todas as cores (até hoje só tenho uma questão com o vermelho, mas até essa resistência será vencida, a seu tempo, não tenho pressa).

Tenho a certeza que o meu Paulo (que até gostava de me ver de preto) foi o primeiro a dizer ‘tira isso, já chega!’.

...

Quanto a voltar a casar? Olhe, não sei! Mas sei que não vou fechar essa porta.

Sabe, quando conheci o meu Paulo não estava à procura de alguém. A vida surpreendeu-me. O meu Paulo apareceu na minha vida de repente, de rompante, sem que eu esperasse.

Não estou à procura. Para já, não me apetece procurar ou estar disponível para outro companheiro, sinto que ainda não estou preparada. Estou bem assim, como estou agora. Mas quem sabe se, quando menos esperar não me aparece outro Paulo (acho difícil, mas não é impossível!) Sei lá se não volta a acontecer.

Tenho 44 anos, eu sei lá o que será a minha vida aos 54 e aos 64…

Se há coisa que já aprendi é que a vida tem formas estranhas de nos trocar as voltas e o que hoje é uma certeza, amanhã deixa de ser.

...

Minha querida senhora, quem morre deixa a maior de todas as responsabilidades a quem cá fica: CONTINUAR A VIVER.

Custa muito, leva o seu tempo, mas é possível voltar a sorrir (estou a falar em sorrir por dentro, porque por fora é mais fácil).

 

Oh, senhores, quantas mulheres foram sacrificadas a anos de uma vida sem objetivos, sem esperança. Anos de uma ‘morte em vida’.

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #13

 

Entrei no autocarro ainda há pouco e oiço uma velhota, sentada com uma amiga nos lugares reservados, a falar alto e bom som:

'Estás doente?!!! Estás doente, mas nunca mais morres!'

Depois de mais umas frases, do mesmo calibre, consegui perceber que estava a falar do MARIDO...

Oh pá, o amor é lindo, não é?

 

Ao sair do autocarro ainda a consegui ouvir dizer:

'Eu não desejo mal a ninguém...'

NÃÃOOO! É uma alma pura e bondosa que ali está.

 

São momentos como este que me fazem ter pena de quem anda de carro para todo o lado, porque não tem acesso a cenas destas.

Que pena tive de não ter que seguir viagem. A debitar pérolas destas a esta velocidade, de Moscavide até ao Marquês de Pombal com certeza faria um lindo colar!

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