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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Ainda há cavalheiros…

… e Sr. Meu Pai é um deles!

Os meus pais vivem de frente para uma padaria / pastelaria. É um daqueles estabelecimentos de bairro onde as empregadas conhecem todos clientes pelo nome. Guardam o pãozinho da D. Arminda, sabem que o Sr. Antunes gosta do pão muito bem cozido, perguntam pela saúde da mãe e do pai e qualquer criança que se chegue ao balcão tem direito a uma bolachinha de oferta (tantas que a minha sobrinha já comeu…).

Escusado será dizer que na casa dos meus pais vai-se ao pão pelo menos duas vezes por dia: de manhã para o pequeno-almoço e à tarde para o lanche. Lá em casa só se come pão acabadinho de cozer.

Ontem foi preciso ir à padaria uma terceira vez (Sr. Meu Pai é daqueles que tem que ter pão à refeição). Desceu as escadas, atravessou a estrada e entrou na padaria. Estavam as duas empregadas que já é costume estarem para o fecho do estabelecimento.

Ora, a padaria fecha às 21 horas e a conversa era sobre o que iam ambas jantar antes de sair.

- Se tivéssemos ai umas folhas de alface, fazíamos uma salada…

- Olha, também me apetecia uma saladinha…

Sr. Meu Pai teve pena das moças. Sem dizer nada, saiu da padaria, desceu a rua, entrou na mercearia do chinês, comprou uma alface e, sendo o Dia da Mulher, conseguiu embrulhar a dita em sacos de plástico de forma a fazer um laçarote (tem umas mãos muito prendadinhas…).

E lá voltou à padaria para oferecer a alface às piquenas.

- Ahh! Oh vizinho, à sério que isto é para nós?

- Claro que sim! Vá, vão lá fazer a saladinha para o jantar.

 

Reação de Sra. Minha Mãe quando soube disto???

'Pois, se fosse eu que te pedisse para ires buscar uma alface para o jantar, refilavas, não é?'

 

Lá está! Coisas de gajas muita complexas!

 

Dia Internacional da Mulher

Sim, o dia da mulher devia ser (é) todos os dias.

Por favor, não me digam que este dia é uma parvoíce (como já ouvi tantas vezes). Não é!

É fácil dizer isso, quando se vive num país europeu democrático e em paz. Mas não é assim em todo o lado.

Enquanto houver no mundo meninas que não podem ir à escola, apenas porque são meninas, mulheres que não podem conduzir um carro, apenas porque são mulheres, então este dia faz todo o sentido.

Sou bibliotecária. Lido com livros todos os dias. Um dia, um dos meus colegas trouxe um livro de uma das suas viagens e ofereceu-o à biblioteca.

O título do livro é 'Estudo sobre violações sexuais' e foi editado pelo Ministério do Interior de Angola. Um dos primeiros paragrafos deste estudo diz o seguinte:

 

'No caso angolano, para além das consequências acima descritas, podemos reparar que, com alguma frequência, existem casos de alguns violadores que quando questionados sobre as motivações do crime, alegam terem praticado tais actos por recomendação de feiticeiros a quem recorreram para enriquecerem, devendo para o efeito envolver-se, a todo o custo, com uma mulher virgem, independentemente da idade, ou com alguém do primeiro grau de parentesco.'

 

Pois é! O filho da p*** do feiticeiro diz aos 'senhores' que para enriquecer devem ter relações sexuais com meninas virgens. Mas porque raio não há-de dizer a esses 'senhores' que devem ficar fechados no quarto a brincar com a própria pilinha, três vezes ao dia durante seis meses???

Acredito que este tipo de comportamento não seja um exclusivo de Angola. Quantas meninas, por este mundo fora são violadas apenas porque os homens que as violam acham que assim vão enriquecer... Se pensarmos assim, então sim, assinalar este dia ainda faz todo o sentido.

 

Deixo-vos partes do texto publicado no site da ONU, do seu Secretário-Geral, António Guterres, a propósito deste dia:

'Os direitos das mulheres são direitos humanos. Mas nestes tempos difíceis, à medida que o nosso mundo se torna mais imprevisível e caótico, os direitos das mulheres e das meninas estão a ser reduzidos, restringidos e invertidos. Empoderar mulheres e meninas é a única maneira de proteger os seus direitos e garantir que possam realizar todo o seu potencial.

Os desequilíbrios históricos nas relações de poder entre homens e mulheres, exacerbados pelas crescentes desigualdades dentro e entre sociedades e países, estão a levar a uma maior discriminação contra as mulheres e as meninas. Em todo o mundo, a tradição, os valores culturais e a religião estão a ser mal utilizados para restringir os direitos das mulheres, afirmar o sexismo e defender práticas misóginas.

Os direitos legais das mulheres, que nunca foram iguais aos homens em qualquer continente, estão a ser corroídos ainda mais. Os direitos das mulheres sobre os seus próprios corpos são questionados e minados. As mulheres são rotineiramente alvo de intimidação e assédio no ciberespaço e na vida real. Nos piores casos, extremistas e terroristas constroem as suas ideologias em torno da subjugação de mulheres e meninas e escolhem-nas para violência sexual e de género, casamento forçado e escravidão.

O acesso das mulheres à educação e aos serviços de saúde tem benefícios para as suas famílias e comunidades que se estendem às gerações futuras. Um ano extra na escola pode somar até 25 por cento ao rendimento futuro de uma menina.

As mulheres negociadoras aumentam as hipóteses de uma paz sustentável, e as mulheres que mantêm a paz diminuem as hipóteses de exploração e abuso sexual.

No Dia Internacional da Mulher, comprometamo-nos a fazer tudo o que pudermos para superar o preconceito arraigado, apoiar o envolvimento e o ativismo, e promover a igualdade de género e o empoderamento das mulheres.'

Nós, as ‘gajas’… somos seres muita complexos

Quando vou tomar café com os meus colegas somos praticamente só mulheres. Temos apenas um, às vezes dois, exemplares do sexo dito ‘forte’. Há uns dias, estando os dois homens incluídos na grupeta, um deles, mais novo, aproveitou para confidenciar ao outro que, na noite anterior, se tinha chateado com a mulher: ‘Não percebo! Juro que não percebo! Primeiro era porque não punha a loiça na máquina, agora é porque demoro muito tempo a pôr a loiça na máquina?!

Claro que, nós, as ‘gajas’, estávamos deliciadas com a cena!

É verdade, nós, as 'gajas', somos complicadas, nunca estamos satisfeitas. Adoramos ver um gajo com aquele ar confuso de ‘fiz alguma coisa mal!!! O que é que eu fiz agora?’

 

O Melga lá de casa aprendeu esta lição logo aos 16 anos. Um dia chegou a casa e contou que tinha uma namorada, a Andreia… o rapaz estava que não se aguentava de importância. Já tinha uma namorada OFICIAL. E era, sem qualquer dúvida, a namorada para o resto da vida. Era SÉRIO e por isso havia que fazer sacrifícios:

Melga: Hoje vou lanchar a casa dos pais da Andreia. Vão fazer caracóis.

Paulo: Mas tu não gostas de caracóis!

Melga: Gosto, gosto…

Paulo (com sorrizinho irónico): Claro que sim. Ok, então vai lá.

Melga: Fui com a Andreia e com a mãe dela ao shopping.

Paulo: Tu, num Centro Comercial? Mas tu não gostas de Centros Comerciais.

Melga: Até gosto. Não é assim tão mau...

 

Claro que isto pouco durou. Os sacrifícios começaram a ser muitos e o Melga começou a escapulir-se aos encontros com a namorada. Um serão estava o Melga ao telefone com a Andreia e era óbvio que estava a levar uma reprimenda da sua querida namorada OFICIAL (eu e o Paulo escondidos no corredor a curtir a cena…).

O rapaz lá se tentava desculpar de todas as maneiras, mas de repente só se ouve alto e bom som: Ehhh paaa! Isso é muit' à frente!!!

Só ouvi o Paulo atrás de mim: Pronto, já foste Andreia!

 

Dias depois perguntei ao Melga:

Eu: Então e o namoro, como vai?

Melga (cabisbaixo): Já não namoro com a Andreia.

Eu: Deixa lá. O que não falta é peixe no mar. Mas diz-me, aprendes-te alguma coisa com isto tudo.

Melga: Sim, acho que sim. As miúdas são muita complicadas!

Eu: Tás no bom caminho. Agradece à Andreia ter-te ensinado a lição da tua vida. O que não falta por aí são homens adultos que ainda não perceberam essa regra tão simples.

 

Claro que não se escapou de ser gozado meses a fio pelo Paulo: Melga, olha, vamos fazer um lanche de caracóis, queres provar...

Primavera... será?!

Há uns dias de manhã, estava na minha cozinha a fazer o pequeno almoço e, pela primeira vez, em muitas semanas, ouvi um passarinho a chilrear na minha rua. 

Os meus pai foram passar o Carnaval à terra. Sra. Minha Mãe, para fazer pirraça às filhas que ficaram a trabalhar, enviou-nos esta imagem pelo Messenger:

mimosas.jpeg

 Os primeiros vislumbres da Primavera... que alegria!

...

 Hoje, entro no Sapo e vejo isto:

tempo.jpg

Bem vindos de volta à esquizofrenia meteorológica do Sr. S. Pedro... (gosto tanto desta altura do ano!)

 

Ontem, no caminho para casa, vi uma piquena na paragem de autocarro, de SANDÁLIAS...

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #12

Já há algum tempo que não vos falava das minhas aventuras nos transportes públicos da área de Lisboa. As coisas têm andado muito calmas. Não tenho tido encontros imediatos do 3.º grau.

Desde que me entendo por gente que me lembro de ser utilizadora frequente de transportes públicos. Os meus pais não tinham carro, pelo que qualquer deslocação implicava utilizar autocarros, comboios ou barcos. Sem falar nos passageiros que trazem sempre um livro para ler, já passei pela fase em que todas as senhoras vinham a tricotar camisolas, depois veio a fase do ponto de cruz... agora estamos na fase dos telemóveis.

Nesta fase temos algumas situações giras, quase cómicas, como aquelas pessoas que têm toques absolutamente inacreditáveis e depois ficam com um ar muito chateado quando o telemóvel toca em pleno autocarro e ficam longos minutos, muito atrapalhadas, à procura do ‘bicho’ dentro de uma mala cheia de tralha, enquanto se houve, alto e bom som, o último grande êxito do Quim Barreiros.

E depois temos o reverso da medalha. As situações da vergonha alheia. Não falo das situações já normais do ‘tira as bifanas do congelador para o jantar’ ou explicar com todos os requintes e detalhes como se faz um refogado, isso já entrou na normalidade.

Vivemos uma fase em que as pessoas estão convencidas que podem falar de tudo da sua vida, em qualquer lugar. Falo das questões que deviam fazer parte da vida íntima e privada de cada um, mas que são expostas aos ouvidos de todos. Faço viagens inteiras a ouvir discussões de pais com filhos ou entre cônjuges, conversas acaloradas com empresas prestadoras de bens e serviços por faturas em dívida, conversas entre colegas de trabalho onde se combina a melhor forma de tramar outro colega, conversas com o pai ou a mãe a pedir dinheiro emprestado para chegar ao fim do mês…

A ver se nos entendemos, pessoas! Se o banco vos telefona quando estão no autocarro, digam: ‘neste momento estou num transporte público, ligue daqui a uma hora que já estou em casa’. A pessoa que vai sentada ao vosso lado, e atrás e à frente, não precisa de saber que não pagaram a televisão no mês passado ou se vão contratar o serviço dos 69.90€, com a internet xpto e o canal xyz! Se precisam de pedir dinheiro emprestado, esperem por chegar a casa e façam-no na privacidade do vosso lar…

O telemóvel não vos envolve numa bolha à prova de som e as pessoas à vossa volta não são surdas!

Tenham tento, pessoas! Tenham bom senso!

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