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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Eu e as passadeiras vermelhas!

Acabei de ver as fotografias da passadeira vermelha dos Grammys.

Sim, sou gaja! Gosto de vestidos bonitos. Adorava poder vestir vestidos bonitos, de alta costura, de vez em quando...

Gostava de ter uma terça parte do dinheiro que as gajas das passadeiras vermelhas têm para poder comprar vestidos bonitos...

Confessem, todas vocês, aí desse lado, já sonharam uma ou outra vez em vestir uma vestido de alta costura!

 

Porra! Que merda foi aquela???

Não há um vestido que se aproveite. UUUMMMM.

Tanto dinheiro, tanto mau gosto, tanta falta de .... tudo.

Tanta figura ridícula.

 

Este é para todo os meninos…

… que este fim-de-semana andam a correr os centros comerciais, alguns muito stressados, à procura da prenda ideal para as vossas meninas.

É só para deixar um conselho.

Esforcem-se…nunca se esqueçam, nós, as gajas, somos seres muita complexos, pá!

Se podiamos ser diferentes?

Podiamos, mas não era a mesma coisa, não teria a mesma graça!

Espero ter ajudado!

Boas compras!

A vida tem formas dolorosas de nos abrir os olhos!

No último ano de vida do meu Paulo, a nossa relação com o Melga degradou-se muito. As discussões eram diárias, intensas. Tínhamos dias em que, depois de mais uma discussão, ficávamos os dois no limite das nossas forças, físicas e mentais. Lembro-me dos dias em que íamos os dois no carro, a caminho de casa, no fim de mais um dia de trabalho (que no caso do Paulo era extenuante), e sentirmos a tensão a aumentar em ambos. Em contrapartida, nos dias em que o Melga não estava em casa, havia uma sensação de alívio, pelo menos naquela noite não ia haver discussão e respirávamos fundo. Não falávamos disto, mas era palpável.

Nas semanas que se seguiram à saída do Melga lá de casa e, em simultâneo, à morte do meu Paulo, aquelas primeiras semanas em que fui confrontada com a minha nova vida, lembro-me de sentir uma grande e profunda tristeza (que ainda sinto), porque tinha perdido o amor da minha vida, o meu maior e melhor amigo…mas, ao mesmo tempo, e talvez na mesma proporção, lembro-me de sentir uma grande Paz.

O silêncio que se ouvia na minha casa (e ouve...), por um lado oprimia-me, porque me faltava o meu Paulo, mas também era uma bênção, porque não estava o Melga.

Desde muito cedo entendi que o meu Paulo, lá longe no céu, teria como grande preocupação o futuro do filho. No dia do velório prometi ao meu Paulo que ia continuar a estar presente e não deixar que lhe faltasse alguma coisa, por isso, tive que encontrar uma forma de continuar a relacionar-me com o Melga. A única forma que encontrei foi ‘esquecer’ os últimos tempos e lembrar-me do Melga quando ainda era menino. Como os nossos contactos começaram a ser cada vez mais pontuais, acabou por ser fácil ‘esquecer’ os maus velhos tempos.

Esqueci tanto que me senti feliz, sem qualquer receio, no dia em que convidei o Melga a ficar na minha casa.

Por tudo o que acabei de vos contar, foi um choque tremendo para mim a maneira como o Melga se comportou na segunda noite que ficou lá em casa. Fiquei num estado de ansiedade que ainda me custa a acreditar. Juro que houve momentos (frações de segundo) em que a minha incredulidade era tal que tive dificuldade em respirar. Parecia que a garganta se fechava, tinha que parar e concentrar-me para conseguir respirar!

Perceber que estava a passar pelas mesmas situações sem ter o meu Paulo presente, deixou-me num estado de pânico indescritível. De forma completamente displicente, o Melga adotou todos os comportamentos que costumava ter nos maus velhos tempos. Todos os comportamentos que nos faziam discutir quase todos os dias.

Tivemos que discutir (mais uma vez!) como nos maus velhos tempos. Fui novamente confrontada com a petulância, o olhar de pouco caso, a falta de humildade... comportamentos que tanto chocavam o meu Paulo.

Passou a primeira semana. As coisas melhoraram um pouco, mas só porque ainda relevo alguns comportamentos. Impus-lhe regas que considerei essenciais para que a nossa convivência não prejudique a minha recuperação. Não dei qualquer hipótese de discussão ou negociação, e ele percebeu que ou cumpre ou pode sempre ir dormir na sua casa em obras.

Não! O Melga não é um menino. É um homem e tem que ser tratado como um homem (e algo me diz que o meu Paulo, lá longe no céu, concorda comigo).

...

Nem de propósito encontrei este texto nas minhas viagens pela net. É mais ou menos assim!

Andamos todos ocupados com o Trump…

… e, lá longe, na Rússia, o Putin descriminalizou a violência doméstica.

 

Eis algumas ‘pérolas’ proferidas por vários mentecaptos(as) dizem sobre este assunto:

 

“É importante para nós que ninguém interfira com as famílias, que a sociedade aprecie essas questões e que o Estado crie condições para construir famílias fortes”, Vyacheslav Volodin, porta-voz do parlamento russo;

 

“O Estado não se deve imiscuir na vida familiar, [considerando] a suposta interferência como uma imposição ocidental sobre a cultura russa”, Dmitry Smirnov, comissão do patriarcado ortodoxo para os assuntos da família;

 

“De acordo com a cultura russa e no que diz respeito às famílias tradicionais, as relações entre pais e filhos são construídas com base na autoridade do poder parental. As leis devem fundamentar essa mesma tradição”, Yelena Mizulina, responsável, no parlamento russo, pela comissão dos Assuntos da Família, das Mulheres e das Crianças.

pensador.jpg

Isto só pode ser resultado do excesso de frio e de vodka muito rasca que há por aquelas bandas do planeta...

Não começou bem

O problema não é só ele. Reconheço que também sou eu.

Que merda de vida esta que está constantemente a pôr-me à prova. Depois de mais de dois anos de tanto sofrimento, choro, raiva, medo, finalmente estava conseguir levantar a cabeça (ou pelo menos achava que estava…), estava convencida que tinha os fantasmas arrumados…

Depois do meu Paulo morrer, todos há minha volta ficaram com a vida que tinham ou com a vida que escolheram ter. Eu não tive escolha. Eu fiquei com o que me calhou. Só eu sei o que passei nestes dois anos sozinha na minha casa, só eu sei o que é chegar à noite e apagar as luzes, ficar no silêncio, conheço bem demais o peso do silêncio. Foram muitas noites a ter sonos descansados com a ajuda de comprimidos.

Foi muito duro chegar aqui, ficaram muitas cicatrizes. Foi muito duro, muito difícil ‘esquecer’ as más recordações e ficar só com as coisas boas.

Parece que andei dois anos para trás. O que eu mais temia, logo na segunda noite voltaram as mesmas discussões, os mesmos confrontos, o mesmo velho ponto de discórdia. O medo que se está a apoderar de mim não tem descrição.

Será possível que este rapaz não se capacita que viver lá em casa outra vez não é só uma questão de ‘alterar ou não alterar rotinas’. Será possível que este rapaz não tem consciência que há comportamentos que não pode ter quando está lá em casa? Que há comportamentos que ‘acordam’ tantas recordações más… tantos fantasmas, que deram tanto trabalho ‘pôr a dormir’

Por muito que queira ajudar o Melga, por muito que a minha estrela esteja lá no céu a sorrir e mais descansada, não posso permitir que me arrastem outra vez para o fundo.

Simplesmente, não vou deixar!

Há coisas que o Melga vai ter que aceitar que NÃO vai fazer enquanto estiver lá em casa.

Depois de tudo o que já se passou dentro daquelas quatro paredes, agora as regras são as minhas.

 

(mais uma vez, uma folha de papel em branco fez maravilhas a esta minha cabeça…)

O meu avô Emílio

Avo_Emilio.jpg

Esta fotografia foi tirada no dia do meu batizado. Estávamos em 1973.

Eu sou a bebé morena. A loira é a minha prima Sofia (já vos falei dela aqui) e o senhor, com ar muito vaidoso, é o meu avô Emílio.

Nesta altura, já tinha cinco netos, os meus primos José, Fátima e António, que viviam perto dele, lá na terra, e nós duas em Lisboa. Ainda teve mais 7 netos: Isabel, Margarida, Patrícia, Mafalda, Liliana, João e Joana. Por esta ordem. Como podem calcular, quando nasceu o meu primo João, foi quase como se tivesse nascido um allien, ‘ai uma pila! Finalmente uma pila!’ (o João é o garnisé de estimação do nosso galinheiro).

O meu avô Emílio teve cinco filhas, sempre na esperança de ter um filho. Tenho a ideia que este meu avô foi um pai carinhoso. Nunca ouvi a minha mãe ou as minhas tias falarem em tareias ou sequer palmadas (acredito que as tenha havido), e não deve ter sido só por serem todas meninas, que o diga o meu primo Zé, rapaz muito dado a tropelias, que fugia das tareias do pai escondendo-se debaixo da asa do avô Emílio.

Foi o meu primeiro avô a morrer, em 1992. Víamo-nos duas ou três vezes por ano, mas mesmo assim tenho boas recordações deste meu avô.

Tinha uns olhos azuis muito bonitos, um olhar de malandro e um sorriso fácil. Não sei porquê, mas acho que deve ter sido o engatatão lá do sítio. O que mais gostava era de ter a família toda sentada à mesa lá de casa. Via-se que ficava feliz quando os netos estavam todos juntos.

Lembro-me das ensaboadelas que a minha mãe e as minhas tias nos davam, quando íamos à terra: ‘o vosso avô não tem dinheiro para gastar em guloseimas! Se ele vos oferecer, vocês dizem que não querem!’ e depois andávamos nós pelos caminhos da aldeia a evitar ao máximo passar em frente da taberna café do Sr. Pinho, porque sabíamos podia lá estar e nos ia oferecer chocolates ou caramelos e se disséssemos não ele ficava chateado (já para não dizer que era muito difícil dizer não a um chocolate), mas se disséssemos sim as nossas mães moíam-nos o juízo… (eram tempos de decisões difíceis…)

O meu avô Emílio era exímio na arte dos enxertos. Não havia árvore de fruto que não enxertasse. Era giríssimo chegar ao Passal (o pedaço de terra que era a menina dos seus olhos) e ver macieiras a dar maças de duas variedades ou pés de videira que davam uvas brancas para um lado e uvas pretas para o outro. Lembro-me de o ter visto a enxertar uma planta que a minha mãe tinha num vaso na varanda. Era notório o cuidado com que o fazia, com atenção ‘para não estragar’.

A última recordação que tenho do meu avô Emílio vai acompanhar-me para sempre. Estávamos todos na terra, para o fim-de-semana da Páscoa. Por norma, nessa altura do ano, andam todos muito ocupados a semear as batatas, mas o meu avô Emílio, já muito consumido pela doença, não tinha força para semear as suas batatas e não falava noutra coisa. As filhas e os genros juntaram-se e foram para o Passal semear as batatas do meu avô.

Vi o meu avô Emílio, que já não conseguia curvar-se com uma enxada na mão, a gatinhar no meio da terra para semear as suas batatas. Punha uma batata, um pouco de adubo e tapava tudo com as duas mãos, gatinhava um pouco para o lado e repetia o processo… tudo com o mesmo cuidado e atenção, ‘para não estragar’

Sempre que oiço a expressão ‘o amor do agricultor pela terra’ lembro-me do meu avô Emílio a gatinhar no Passal para semear as suas batatas.

Foram as últimas que semeou.

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