Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

E pronto, acabou-se a summit!

 

Web-Summit-2016.jpg

Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

Credo, pessoas! Entrar na estação do Oriente, pelas 18h00, nestes últimos dias, era como entrar numa Torre de Babel, tal era a cacofonia de línguas que se ouvia. E o pior era que não eram só os estrangeiros que não se compreendia. Os portugueses também falavam uma língua incompreensível para o comum dos mortais:

‘…não pá, tu desenhas o algoritmo, mas depois deixas a máquina fazer o multiplicador por ti, tás a ver…’

‘…tinham que fazer uma apresentação mais engaging…’

????

Já para não falar que andavam todos, mais ou menos, em grupos e em passo de passeio e a malta a sair do trabalho, a ter que ir buscar os miúdos à escola, a querer passar e a não conseguir... e aqueles que se via na cara que não estavam, de todo, habituados a utilizar transportes públicos, pareciam alliens.

 

Pessoas da organização da Summit, trazer dezenas de milhares de pessoas para Lisboa, pode ser muito bom para o turismo e para fazer negócios e blá, blá, blá. Mas, trazer dezenas de milhares de pessoas para uma zona de Lisboa já de si saturada de empresas e residentes é muito mau para o comum dos mortais.

Que tal, no próximo ano, fazer a Summit entre as 14h00 e as 22h00. De manhã passeiam e vão às compras (bom para o turismo), depois de almoço fazem negócio (bom para as empresas) e não chateiam o comum dos mortais que só querem vir trabalhar e regressar a casa. Pensem nisso, ok?

 

Claro que, e é preciso dizê-lo com toda a frontalidade, nem tudo foi mau. Também deu para lavar as vistas em alguns projetos tecnológicos muitíssimo bem acabados, especialmente de origem nórdica... Sim senhor, estão desenvolvidíssimos, os nórdicos... eram assim, projetos tecnológicos altos, espadaúdos... muito bom!

Mas pronto, em princípio, hoje no regresso a casa, vamos voltar a ter 10 ou mais minutos de intervalo entre metros, na linha verde vamos voltar a ter só 3 carruagens, mas a estação de Arroios vai voltar a funcionar e as conversas, de certeza, vão voltar à normalidade do comum dos mortais:

‘Estou, olha, vai ao congelador e tira as costeletas pró jantar, c’a mãe esqueceu-se!’

Adoro a normalidade!

Acham que estou a ficar ‘paranoica’?

Não acho que esteja a ficar ‘paranoica’. Simplesmente, gosto de olhar as coisas dos dois lados: o racional e o emocional. O que me aconteceu, ontem à noite, terá uma explicação completamente racional, podem dar-lhe o nome que quiserem, mas eu prefiro a explicação emocional. É mais gira!

A minha sala de estar é a parte da casa onde a presença do Paulo é mais marcante. Era o seu espaço preferido. Há uns dias dei-me conta que, neste meu processo de passar da ‘nossa casa’ para a ‘minha casa’, de uma forma inconsciente optei por fechar, e manter fechada, a porta da sala.

Instalei uma poltrona e uma pequena televisão no escritório e arranjei uma série de desculpas para não ficar na sala: no verão é muito quente, no inverno é muito fria, agora tenho um sofá novo e o gato arranha o sofá…

Ontem, estava já instalada no meu sofá do escritório e o meu animal, que, por norma, vem logo aninhar-se no meu colo, simplesmente não sossegava. Andava no hall, miava desalmadamente e batia em qualquer coisa. Eu bem chamava por ele, mas o desassossego não tinha fim.

Fui dar com o bicho sentado junto à porta da sala. Batia com a pata na porta e olhava para mim e miava, zangado.

Chamem-me ‘paranoica’, mas eu preferi pensar que, lá de onde está, o meu Paulo (que sabia como ninguém chamar-me à razão) resolveu enviar-me uma mensagem e, à falta de melhor instrumento, utilizou o nosso animal como veículo transmissor:

‘Oh mulher, acaba lá com isto e vai ver televisão na sala, ok!’

E eu fiz-lhe a vontade!

E o meu animal fez uma festa no tapete novo. Rebolou-se vezes sem conta e, quando achou que já bastava, acabou aninhado a dormir, na poltrona da sala.

 

PS: vocês não sabem, mas o meu animal está convencido que comprámos aquela poltrona só para ele poder dormir as sestas mais confortável (pensamento tipico de gato convencido que é o rei do domicilio).

Vai na volta esta é a explicação racional: o gato tinha saudades da sua poltrona!

Ontem estive ausente do mundo...

...estive todo o dia enfiada num hospital para fazer um exame médico.

Cheguei a casa comi e fui prá cama. Não vi notícias, não li nada.

Esta manhã entrei no barco, ligo o telemóvel e vejo os cabeçalhos sobre as eleições na América.

Esta manhã senti-me como o Jô Soares naquele sketch em que fazia de homem que acordava de um coma e estava um amigo a pô-lo ao corrente da situação atual do país e do mundo e só dizia:

'NÃÃOOO!....MI TIRA O TUBO, MI TIRA O TUBOOOO'

Primeiras conclusões que se podem tirar:

Algo me diz que a história da Monica Lewinsky vai parecer ridícula comparado com o poderá vir por aí.

Além do Trump-pai ainda vamos ter os Trump-filhos a ocupar cargos na administração do pai???

A Melania vai substituir a Michelle como primeira dama...

O melhor do mundo são as crianças

Anda aqui uma pessoa a passar por dias mais complicados, a pensar na vida (a dramatizar... talvez) e ao abrir o FB deparo-me com esta imagem publicada pela minha irmã:

aparelho-digestivo.jpg

A minha irmã agora passa parte do serão no quarto da miúda a brincar às escolas. 

Os objetivos são dois: desligar a miúda das televisões, consolas e afins e, na brincadeira, sempre se aproveita para fazer um bocadinho de revisões da matéria dada.

A miúda está no 3º ano. Dou-vos um doce se conseguirem adivinhar o que é que a minha sobrinha desenhou...Não chegam lá?

Então, não se vê logo que é o aparelho digestivo!? Estavam a pensar no quê!!!

 

Da mesma maneira que o meu fim-de-semana desanuviou logo...espero que agora, também a vossa semana vos sorria!

Ficar só, aos 40 anos

O meu Paulo tinha 50 anos acabados de fazer. Morreu com um enfarte, em nossa casa. Morreu há minha frente, no nosso quarto.

Nunca tivemos filhos. Vivíamos com o filho dele, há 5 anos. No mesmo dia, o meu Paulo morreu e o Melga saiu de nossa casa. Acho que posso dizer que estou no mesmo grupo daquelas pessoas que perdem a família num acidente de automóvel ou num desastre natural. De um dia para o outro, PUUFFF desapareceu tudo…

É uma sensação de vazio. Fica-se oca por dentro.

Nos dias que se seguiram à morte do meu Paulo, lembro-me de pensar: ‘Então, era isto que a vida tinha reservado para mim!? Porquê?’

Está a ser um longo processo. Já tive a fase do choro convulsivo, já tive a fase da revolta, ainda estou na fase das dúvidas (tantas!!!), ainda estou zangada com a vida.

Ficar só, aos 40 anos, é ficar com a vida cortada ao meio. É como se tivessemos um rolo de papel onde vamos escrevendo tudo o que vamos aprendendo e todos os sonhos que ainda queremos realizar e, de repente, chega uma entidade superior qualquer que nos rasga a folha de papel e leva o rolo consigo. Ficamos com o que aprendemos, mas a parte do rolo onde estavam os sonhos é-nos roubada, fica-se sem saber onde vamos continuar a escrever. Sim, porque todos nos dizem que temos que continuar a escrever (‘a vida continua’), mas escrever ‘onde’ e ‘o quê’…

Passaram dois anos. Estou naquela fase em que é suposto o luto deixar de ser justificação para não viver. É suposto avançar. Mas avançar para onde? Por exemplo, sei que tenho muitas saudades de chegar a casa com alguém, mas será com alguém…ou com o Paulo? E se esse alguém tiver filhos? Será que vou conseguir ter outra relação com alguém que vai sempre colocar os filhos em primeiro lugar?

Só sei que preciso avançar, senão corro o risco de me afogar. E sei que, por um lado, não quero 'procurar', mas também não quero ficar 'escondida'.

Não quero esconder-me. Por agora é só isso que sei.

Em abril contei-vos aqui que ia começar o processo de transformar a ‘nossa casa’, na ‘minha casa’. Fiz alguma coisa, mas esta semana cheguei à conclusão que não passaram de meros atos de cosmética. Tenho que ir mais fundo, tenho que meter a ‘mão na massa’.

Na noite em que o Paulo morreu, no meio do meu estado de choque em que não sabia o que dizia, uma enfermeira disse-me ‘não pense em si, pense nele’. Esta frase acompanhou-me e ajudou-me muito nas primeiras decisões que tive que tomar, mas hoje, sinto que esta frase começa a transformar-se numa grilheta amarrada ao meu pescoço.

Acho que está na hora de deixar de pensar primeiro ‘nele’, é hora de pensar em mim.

Para não me afogar, tenho que largar lastro e esperar que, onde quer ele esteja, o meu querido Paulo me compreenda…

 

Desculpem, vocês ai desse lado, mas de vez em quando têm que levar com estes textos mais profundo-dramáticos. Eu já vos disse algumas vezes, o meu blog é a minha terapia.

Mais uma vez constato que, para mim, estas páginas valem por mil consultas num psicólogo. Andei estes últimos dias numa luta comigo mesma e só uma página em branco (e uma loucura de escreve e apaga e ‘chorar baba e ranho’) me permitiu organizar ideias, chegar a conclusões, afugentar a nuvem negra que se queria instalar.

Tenham paciência. Isto já passa.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Blogs Portugal

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Facebook

Follow

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D