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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Tuga, o desenrascado!

Vá, confessem!

Quem aí desse lado nunca foi àquela loja sueca de mobiliário e decoração.

Quem aí desse lado nunca se deixou levar pelo momento e comprou alguma coisa mais volumosa sem pensar muito.

Quem ai desse lado nunca chegou ao parque de estacionamento e olhou para o carrinho de compras e depois olhou para o seu carrinho utilitário e pensou: 'já foste'!

Quem aí desse lado nunca esteve no parque de estacionamento daquela loja sueca, numa sessão de Tetris para encaixar tudo o que se comprou um bocadinho por impulso, porque estava em promoção!

Sábado, à tarde, à saida da loja sueca de Loures:

IMG_20160910_170742 (2).jpg

Imaginem o que é ir a trás deste carro a passar pelas lombas e rotundas à saída do parque de estacionamento. MEDO!

Foi um alívio quando seguiu pela direita e nós pela esquerda.

O que segurava a porta da bagageira era um cachecol do Benfica. Tudo o que desejámos foi que a Pantera Negra não lhe tenha falhado e tenha chegado tudo ao seu destino sem mazelas!

Correndo o risco de me tornar chata...

...o melhor do mundo são as crianças e a minha sobrinha está no top três das melhores.

Esta está fresquinha, fresquinha! Conversa ontem à mesa:

Minha irmã - Oh mãe, a Luisa, este ano, vai comer na escola nos dias em que tiver aulas de manhã e à tarde.

Luísa - Oh mãe, menos nos dias em que eu não gostar da comida!

Meu pai - Não te preocupes menina. Enquanto eu puder vou sempre buscar-te para comeres em casa!

Luísa - Oh avô, nem que seja numa EGIRO!

E pensar que estes dois andam sempre às turras um com o outro.

egiro.jpg

9 de setembro de 1996

Foi o dia em que comecei a trabalhar aqui na chafarica. Faz hoje VINTE ANOS.

Lembro-me tão bem do primeiro dia. Tinha 23 anos, um ar de miúda, sem qualquer experiência no mercado de trabalho, alta, muito magra, muito tímida, a ser apresentada como a ‘Sra. Dra.’ numa sucessão de salas cheias de gente, tudo a olhar para mim e eu sem saber onde me enfiar.

Sou funcionária pública há 20 anos.

Por esta altura sei que alguns de vocês acabaram de me colar um selo na testa que diz ‘privilegiada’. É um selo com o qual tive que aprender a viver desde o primeiro dia. Atentem o seguinte diálogo entre o meu pai e uma vizinha (muito atenta!), na rua onde morávamos, pouco tempo depois de ter começado a trabalhar:

Vizinha: Oh vizinho, tenho reparado que a sua filha agora sai de casa pela manhã todos os dias. Já está a trabalhar?

Pai: Sim, começou há pouco tempo.

Vizinha: Então e está a fazer o quê?

Pai: Olhe, conseguiu uma colocação no Ministério…

Vizinha: Aaah! Veja lá! Os conhecimentos que é preciso ter para se conseguir um emprego desses!

Pai (simples serralheiro mecânico, casado com uma doméstica): Ah sim, conhecimentos tenho eu. Eu e o Mário Soares andámos juntos na escola! Somos unha com carne, verdadeiros compinchas!

Eu compreendo que pensem assim. Eu também já pensei assim. Concorri a tantos concursos de recrutamento e, por cada requerimento que escrevi, o pensamento era sempre o mesmo: isto não vale a pena, a vaga já está preenchida com algum amigo.

Foi preciso fazer avaliação curricular, prova oral de conhecimentos, entrevista profissional e dois dias de testes psicotécnicos. Depois de selecionada tive ano e meio de estágio com relatório final e trabalho subordinado a um tema escolhido pelo júri de estágio. No fim deste processo todo, fui escolhida.

Porra! Como é que já passaram 20 anos!?

Vinte anos chegam para passar por vários governos, fusões, reestruturações, um sem número de direções (umas deixaram saudades, outras só deram vontade de passar com um carro de combate por cima, credo!).

Vinte anos chegam para já ter tido muitos colegas de trabalho. Gente muito competente, dedicada, empenhada e gente que só dá vontade de atirar pela janela.

Vinte anos chegam para contactar muitos membros de Gabinete de Ministro. Gente que pensa que somos uns incompetentes, sem conhecimentos ou métodos de trabalho e cedo dão ‘a mão à palmatória’. Gente que chega cheia de ideias e projetos e planos, mas sem conhecer o fundamental, as regras de funcionamento da Administração Pública, criadas em nome dos princípios da ‘transparência’ e ‘boa gestão orçamental’ (com os quais concordo plenamente), mas que no fundo se resumem à boa e velha ‘burocracia’.

Vinte anos chegam para integrar o grupo ‘Mobília da Casa’. Tenho colegas que me viram ‘crescer’. Lembro o Sr. Aníbal que me tratava por 'doutorzita' e dizia 'quem tem chefe é índio', o Sr. Alves que me chama sempre 'm'na Rita' ou o nosso telefonista que, no primeiro contacto, chamei 'Sr. Samuel' e ele respondeu 'O Sr. está no céu. Eu sou o Samuel'. Ficaram felizes quando casei, deram-me colo quando enviuvei e perguntam pela minha sobrinha e pelo Lontra e pelo Melga.

Como é que já passaram 20 anos!?

Se os próximos 20 passarem assim tão rápido, num instante começo a ver a reforma ao fundo do túnel.

Só espero estar suficientemente enxuta e sã, para ainda gozar alguma coisa.

O melhor do mundo são as crianças

As quatro gajas da familia sentadas a lanchar (eu, minha irmã, minha mãe, minha sobrinha):

Eu - Então Luísa, estás preparada para começar a escola?

Luisa (com um encolher de ombros) - Sim!

Minha irmã - Cá para mim no primeiro ou segundo dia a professora vai pedir para fazerem uma composição sobre as férias. Se calhar é melhor começares a pensar no que vais escrever.

Minha mãe - Tens muito para contar. Podes dizer que foste para o Algarve...

Luísa - Oh avó, não é preciso tanto pormenor. Não tenho que contar tudo!

Minha mãe - Podes dizer que foste à terra da avó e viste o fogo...

Luísa - Oh avó, não posso contar essas coisas! O que é que a professora vai pensar? Que os meus pais não tomam conta de mim? Que me levam para sítios perigosos!?

 

A minha sobrinha é mestre na arte de resumir dois meses e meio de férias de verão, em 5 linhas de um caderno A5.

O ano passado fomos à Disney. Foi a primeira vez que viajou de avião, esteve num pais estrangeiro, num hotel todo xpto, viu espetáculos, andou num monte de carrosseis.

Como é que a minha sobrinha contou isto tudo na composição sobre as férias? 

'A minha mãe fez-me uma surpresa. Fomos à Disney. Gostei muito.'

Isto, pessoas, é o poder de SÍNTESE, elevado ao seu expoente máximo.

Sabes que estás a ficar velha...

... quando já estás nos 40's, trabalhas numa sala com colegas também nos 40's, ou mais, e colegas acabadas de entrar nos 20's.

Numa conversa, num momento de descontração, um dos colegas com 40's faz uma piada com a palavra 'datilografa'. A malta dos 40's ri-se, as pitas com 20's ficam com uma expressão preplexa:

- O que é isso?

- Isso o quê?

- Uma da-ti-lo-gra-fa!?

 

Esta história é uma cortesia da minha irmã. Aconteceu ontem na sala onde trabalha.

'Oh meus Deus, Rita estou mesmo a ficar velha!!!'

 

Mana querida, mantém a calma. Não desesperes. Afinal, estamos a falar de miúdas que fizeram toda a adolescência já no século XXI. Não fazem ideia que houve uma altura em que não havia internet e só havia quatro canais na televisão.

São as mesmas que te ensinaram a utilizar o Snapchat.

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