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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Edição 2016 do Acampamento dos Figueiredo

Vocês ai desse lado ainda não sabem o que é o Acampamento dos Figueiredo, mas eu vou explicar.

Como já disse por aqui, a minha mãe tem duas irmãs a viver na área de Lisboa. Quando eu e as minhas primas eramos pequenas costumávamos fazer grandes dias de praia, todos juntos, sempre na Praia da Rainha, Costa da Caparica (6 adultos, 6 crianças). Depois começámos a crescer e a disponibilidade foi-se perdendo: primeiro foram as faculdades, depois os casamentos, os trabalhos, os filhos, enfim a vida de cada um. Volta e meia vinha a ideia de nos juntarmos outra vez, já com a nova geração. Até que o ano passado (5 de julho de 2015), finalmente aconteceu.

Que bom que foi, depois de mais de 20 anos voltarmos todos à nossa Praia da Rainha. Os pais de antes agora são avós e avôs e os miúdos de outro tempo agora são mães, pais, tios. Foi bom perceber que a vida pode não ter corrido como sonhámos há vinte anos, mas o mais importante mantém-se: estamos juntos. Família é isto mesmo, estarmos juntos nos maus momentos, mas sobretudo nos bons momentos. Em 2015, fomos 21 alminhas.

Este ano fomos um pouco menos, mas mesmo assim os suficientes para fazer um verdadeiro Acampamento. Passemos aos números:

Pessoas: 11 adultos, 5 crianças e 1 alien do planeta Zorg (já crescida para ser criança, mas ainda pequena para ser adulta).

Logística: 8 chapéus-de-sol dispostos em círculo para criar o máximo de sombra possível, uma mini tenda e um tapa-vento (é preciso alguma intimidade), não consegui contar o número de geleiras.

Depois de uma manhã com banhos (gelados!) e brincadeira com os miúdos, chegou a hora do almoço. Começámos a ‘pôr a mesa’ (sim, nós pomos a mesa!). Não sei porquê subitamente criou-se um metro de areal livre à nossa volta. Vamos pensar que foi inveja do nosso banquete, não porque parecíamos uns latoeiros.

Em cima da ‘mesa’ tínhamos:

Salgados: rissóis (bacalhau, peixe e camarão), frango frito, salada de grão com atum, peixinhos da horta, salsichas enroladas em ovo, bifes panados, ovos verdes, omelete de camarão, bifinhos de vaca (para fazer preguinhos), pão e alface para fazer sandes várias, batatas fritas.

Doces: aletria, salada de fruta, tarte de morangos, bolo de cenoura, cerejas, melancia (não esquecer que pela manhã já tinha havido Bolas de Berlim).

Para empurrar isto tudo: sangria, coca-cola, sumos vários.

Digestivos: termo de café (grande falha, esquecemos ‘o cheirinho’).

Reparámos em dois tipos de olhares à nossa volta:

- uns de queixo caído, completamente horrorizados com semelhante comportamento (o que nos levou a pensar, no próximo ano, levamos a sangria num garrafão de 5 litros e vamos enterra-lo à beira da água, quiçá levar o tacho de arroz de frango embrulhado em jornal);

- outros muito gulosos, ali a roçar a inveja.

No final do repasto, nada como a bela da sesta à sombra dos chapéus. Pelo menos para mim e para o mai’novo do grupo de apenas dois anos. Duas horinhas de sesta que nos souberam pela vidinha.

Pró ano há mais!

praia2016-4.jpgpraia2016-5.jpg

Ontem o dia acabou em beleza (e não estou a falar de futebol)

Ontem acabei o dia numa cadeira de dentista para arrancar um dente do siso.

E perguntam vocês: como é que isso pode significar 'acabar o dia em beleza?'

Minhas amigas, estava eu sentadinha na cadeira, com a assistente de volta de mim a preparar-me, e eis que surge um anjo sob a forma de dentista.

Minhas amigas, aquele ADONIS podia arrancar-me os dentes todos que eu nem pestanejava.

Pela primeira vez na vida desejei ficar uma hora na cadeira do dentista, mas infelizmente o rapaz, além de ser um PÃO, é competente e despachou o raio do dente em 15 minutos.

- Já está.

- Como, já está?!

E mostar-me o dente. BOLAS!

Assim, de repente, acho que estou mesmo a precisar de um aparelho para endiretar os dentes, fazer consultas mensais ou mesmo quinzenais, para andar bem controlada... talvez precise de uma ou mesmo duas coroas...

dentista2.png

 

O luto. Durante quanto tempo?

Quanto tempo temos direito a ficar de luto? É um post que li no blog Bla Bla Bla. Como é um tema que me está muito próximo, deixei um comentário e tenho andado a pensar nisto.

Quando perdemos alguém que nos é muito querido, quanto tempo temos ‘direito’ a chorar, quanto tempo temos o ‘dever’ de vestir preto. E recorrer a medicação, é normal, é aceitável? Durante quanto tempo?

Nas gerações mais antigas se uma mulher enviuvasse devia vestir preto durante três anos (acho!), independentemente da forma como se sentisse ou do facto de o marido ter sido uma besta que lhe infernizou a vida. Só depois podia começar a ‘aliviar’ o luto.

Bem vistas as coisas, desde tempos imemoriais, mais do que um processo de cura interior, o luto é visto como uma sucessão de convenções sociais que se prendem com a passagem do tempo. Por causa dessas convenções, ainda tão enraizadas, tive muitas vezes dúvidas sobre como devia proceder, como agir, como me comportar.

Quando o meu avô materno morreu, a minha mãe pôs luto durante alguns meses, mas não calçava meias pretas (não gosta!). Uma vizinha veio perguntar-lhe se estava de luto, porque apesar de vestir preto, não tinha meias pretas e por isso estava na dúvida. Nunca me esqueci desta história, de tal forma que, passados três ou quatro dias do funeral do Paulo, as únicas calças que tinha lavadas eram cinzentas muito clarinhas e tive que ligar há minha mãe para saber se achava bem vesti-las!

Nos primeiros meses só vesti cores escuras. Progressivamente comecei a vestir todas as cores. Só há uma cor que ainda hoje (quase dois anos passados) não consigo vestir, nem sei quando vou conseguir: vermelho. Já tentei, mas simplesmente não me sinto bem.

Quando comecei a trabalhar tive uma colega que, na altura, tinha a idade que eu tenho hoje e também era viúva. Lembro-me de contar que foi chamada de ‘viúva-alegre’ pelos vizinhos apenas porque um dia ao entrar no prédio, com uns amigos ou familiares, deu uma gargalhada. Chamem-me maluca mas não é suposto ser função dos amigos e familiares dar o ombro para chorar e fazer rir, nos tempos mais difíceis?

O primeiro ano é mesmo o mais complicado.

Porque temos as entranhas arrasadas por um furação e ficamos com a tarefa de arrumar tudo, mas em sítios diferentes, porque falta ali uma pessoa que é um pedaço de nós. Porque são as primeiras datas sem aquela pessoa: aniversários, festas. Porque a burocracia ataca impiedosamente, expressões que não queremos ouvir estão sempre à nossa volta: óbito, viúva, herdeiros, habilitação, causa de morte, relação de bens, património, história clínica.

Não aguentei a pressão e caí, apesar de ter uma estrutura familiar e colegas há minha volta que me apoiaram e souberam dar-me um ombro para chorar tantas vezes. Foram os primeiros a dizer para recorrer a ajuda médica.

Tudo isto para concluir que o luto não é uma questão de tempo. O luto é algo intimo que depende da estrutura de cada um, da capacidade de racionalizar e aceitar. O luto é solidão, faz-se nos momentos em que estamos sós. Aos outros, aos amigos e família, compete estar atento, presente e ausente consoante o que for preciso.

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