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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Good People

Ontem cheguei a casa e tinha umas mensagens do Melga no Messenger.

Tinha um link para um video no Youtube e dizia apenas 'ouve com atenção', 'fez-me pensar no pai'.

E eu ouvi, duas vezes. E esta manhã acordei com esta música na cabeça. A letra podem encontrar aqui.

É nisto que se pensa sempre que alguém que nos é próximo parte: 'Why the bad things happen to the good people'.

É difícil entender, aceitar, ainda mais quando se tem 20 anos.

Para ti Melga, posso dizer-te que, neste tempo que passou, aprendi que quem parte deixa, a quem fica, a maior de todas as responsabilidades - continuar a viver.

Quando tiveres dúvidas, lembra-te do teu pai, do que te ensinou, dos exemplos que te deu.

Já que estamos numa de músicas, experimenta ouvir esta (lê a letra aqui): 'I know that you’re with me and the way you will show';  'and you’re with me wherever I go';  'and you give me this feeling this everglow'.

 

As minhas manhãs

Meu-Gato.jpg"Dona,

ontem chegaste muito tarde e hoje estás a sair muito cedo.

Estou muito carente. Preciso urgentemente de dose reforçada de festas na barriga."

 

Está uma pessoa já de mala ao ombro para sair de casa e dá de caras com isto.

Como é que se consigue resistir a uma barriga destas e sair de casa a tempo de apanhar o autocarro....

Não há condições. Perco o autocarro e ainda venho trabalhar cheia de pelos brancos agarrados à roupa.

O melhor do mundo são as crianças

Esta história passou-se tinha o Melga uns 8 ou 9 anos.

Fomos busca-lo à escola para passar o fim-de-semana connosco e, ao contrário que era usual, foi todo o caminho muito calado.

Nesses dias o Paulo e o Melga tomavam banho juntos. Era nesse momento que o Melga soltava a língua e falava pelos cotovelos com o pai. Nesse dia não foi exceção. Já no fim do banho, o Paulo passa por mim na cozinha e põe as mãos na cabeça, estava desvendada a razão do seu silêncio no caminho para casa: o rapaz tinha uma grande dúvida existencial! Estava convencido que a pilinha dele não era normal!

Ora, parece que na escola estavam a dar o sistema reprodutor e, numa ida à casa de banho, os colegas gozaram com a pilinha do Melga dizendo-lhe que tinha um formato estranho. Durante o banho o Melga aproveitou para comparar a sua pilinha com a pilinha do pai. E o pai lá esteve quase uma hora a convencer o miúdo que a pilinha dele era perfeitamente normal.

Como o assunto é tão estimulante, quando chegámos à mesa para jantar já a conversa era sobre ‘como se fazem bebés’, aquele assunto que qualquer pai sonha conversar com o seu filho pré adolescente, há mesa do jantar. O Paulo lá esteve toda a refeição a esclarecer as dúvidas do miúdo e, lá pelo meio, referiu os métodos anticoncecionais.

Melga: O que é isso pai?

Paulo: São coisas que se devem fazer para se poder ter relações sexuais, mas não se fazer bebés. As mulheres podem tomar um comprimido que se chama pílula e os homens podem usar um preservativo.

Melga: O que é isso pai?

Paulo: Um preservativo é uma espécie de saquinho que se põe na pilinha e, assim, quando o espermatozoide sai da pilinha fica preso, já não consegue ir ter com o óvulo e já não se faz o bebé.

Melga (depois de pensar um bocadinho, de sobrolho franzido): Oh pai, isso não é preciso!

Paulo: Claro que é preciso, senão como é que fazes?

Melga (com aquela expressão de quem está a dizer o óbvio): Então, é fácil, não tiro as cuecas!!!!

No momento em que o Melga diz isto o Paulo estava com o copo na boca. O engasganço foi de tal magnitude que até lhe saiu líquido pelo nariz.

Horas a esclarecer as dúvidas existenciais a um filho e ouve-se uma destas! Haja paciência!

Esta conversa foi há mais de 10 anos. Sendo hoje o Melga um rapaz alto, espadaúdo, desempoeirado e de boa saúde, por esta altura, já deve ter percebido que nisto de ‘fazer bebés’, bom mesmo é quando se tira as cuecas… Já, não já Melga?

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende #4

Há dias no barco uma senhora esteve uns bons 15 minutos (QUINZE) a limpar os óculos. Esfregava meticulosamente cada milimetro das lentes e armação.

Pormenor hilariante: estava sentada junto ao corredor, por isso, volta e meia sacudia, vigorosamente, o paninho dos óculos, como se fosse o pano do pó lá de casa.

Alguém avise esta alminha que se continua assim, vai gastar os óculos em menos de nada.

Sentado atrás da referida senhora, rapaz jovem a ler "MAXIMUM STRENGHT" com imagens de exercícios físicos vários, enquanto "enfardava" o belo do croassant tamanho familiar.

Alguém avise esta alminha que não basta ver os bonecos, é preciso praticar.

Um ganda bom começo de dia pra vocês.

Chegar à beira do precipício

Não consigo compreender as pessoas demasiado racionais (e, por isso, muito frias) nem as pessoas demasiado emocionais (que, por isso, não conseguem ter reações ponderadas ao que as rodeia). Sempre me considerei uma pessoa racional que, de vez em quando, deixa vir o emocional ao de cima. Acho que sou igual à maioria.

Lembro-me de estar no velório do Paulo, olhar para a urna e falar mentalmente com ele: ‘não te preocupes, eu vou ser forte, eu vou conseguir ultrapassar isto’. Fiz-lhe tantas promessas, disse-lhe tantas vezes isto. Poucos dias depois do funeral fui falar com a minha médica de família. Havia papelada do seguro de vida que era preciso começar a preencher. A médica agarrou nos papéis, colocou-os de lado e olhou para mim: ‘E você, como é que está?’

‘Eu estou bem Dra. Não quero comprimidos, o Paulo não ia gostar que eu ficasse agarrada a comprimidos. Estou um bocadinho perdida, as noites são o mais difícil, mas vou encontrar uma maneira de seguir em frente.’

Sai do consultório com umas ampolas para tomar de manhã e uma caixa de comprimidos para dormir. Fui trabalhar a 29 de setembro de 2014, uma semana e meia depois do funeral. Quanto mais depressa retomarmos a vida normal, melhor, não é?

Comecei por fazer de conta que o Paulo estava em viagem de trabalho e voltava daí a dois dias. Mas o dia-a-dia encarrega-se de ir minando as certezas com pequeninas coisas.

A primeira vez que entrei num supermercado e dou comigo a olhar para as prateleiras sem saber o que comprar, porque simplesmente não sabia do que é que EU gostava. Não sabia fazer compras para MIM, só para NÓS. Ou o dia em que ouvi uma conversa entre familiares sobre coisas triviais e percebo que, apesar de todos sentirem a falta do Paulo, a vida continua mesmo, volta-se às rotinas que se tinha antes do Paulo partir, mas isso é só para os outros, não para mim, porque eu deixei de ter rotinas. E dói. Finalmente chega o dia em que a vida se encarrega de nos mostrar que não é possível viver a ‘fazer de conta’ e dá-nos um choque de realidade.

O meu choque de realidade chegou sob a forma de uma árvore de natal enorme, toda iluminada, em plena Praça do Comércio, no dia 28 de novembro de 2014. Só me lembro de pensar ‘É NATAL E O PAULO NÃO ESTÁ CÁ’. Foi como vir à superfície do mar e respirar pela primeira vez em dois meses.

Nunca mais consegui ser minimamente racional, o emocional tomou conta de mim de uma forma avassaladora. Por razões profissionais comprometi-me a continuar ao serviço mais 2 semanas. Foram as piores duas semanas de que me lembro. Perdi a conta ao número de vezes que me fechei na casa de banho, num choro descontrolado.

Voltei à médica a 15 de dezembro e não precisei dizer nada. Ela olhou para mim e disse ‘eu deixo-a ficar em casa, mas vai ter que fazer o que eu mandar.’

‘Eu faço tudo o que a Dra. quiser. Só não quero continuar a sentir-me assim’.

Este último ano e meio foi, acima de tudo, um tempo de aprendizagem. Aprendi a conhecer-me e a ter um respeito enorme pela saúde mental. Eu sei que estive à beira do precipício, e tive medo, tive muito medo.

Ajudou ter pessoas há minha volta que gostam de mim e souberam dar-me a mão ou um ombro; ajudou ter uns comprimidos que mantiveram a minha cabeça mais clara e serena, mas isso é só uma ajuda, não resolve nada. Voltar a ser racional, e controlar o emocional, só depende de nós e não de comprimidos.

Gostava apenas de deixar uma mensagem a quem esteja a ler isto e esteja a passar por algo semelhante ou conheça alguém que esteja na mesma condição: há duas frases que me têm acompanhando desde a partida do Paulo, uma disse-me uma enfermeira, naquela madrugada no hospital, ‘não pense em si, pense nele’, a outra estava na pagela do Paulo e é de Sto. Agostinho, ‘se me amas, não chores’.

Porque penso nele e sei que não gostava de me ver triste e porque o amo, choro só um bocadinho de cada vez...

Seres vivos importantes para mim: Sr. Meu Pai e Sra. Minha Mãe

Lembro-me de ouvir o meu pai dizer que não se lembrava de ter tido dias felizes na sua infância. Só soube o que isso era, quando começou a trabalhar e a ser mais autónomo, a partir dos 14 anos.

A minha mãe era uma menina quando deixou a sua aldeia em Viseu e veio para Lisboa servir (como tantas outras meninas naquela altura!). Com 13 anos foi-lhe atribuida a responsabilidade de manter limpa e organizada uma casa com um sem número de quartos e salas e escritório e casas de banho.

A minha mãe foi madrinha de guerra do meu pai. Segundo consta nos relatos familiares, quando o meu pai viu uma fotografia da minha mãe ficou pelo beicinho e quis logo corresponder-se com ela. Acho que a minha mãe ainda guarda as cartas que recebeu do meu pai.

Quando no hospital a médica me disse “o Sr. Paulo faleceu”, era o meu pai que estava comigo. A médica disse-me que podia ficar mais um pouco naquela sala para me recompor, mas o meu pai agarrou-me firmemente pelo braço e, literalmente, arrastou-me para a rua: “Anda, vamos para casa, está lá a mãe.” Acho que foi o instinto protetor que falou mais alto. Não havia nada a fazer ali e só queria levar-me para ‘o ninho’.

O meu pai é portista ferrenho, o Paulo era benfiquista até à medula. Há uns tempos, já depois do Paulo ter partido, o Porto jogou contra uma equipa alemã e levou uma goleada muito feia. No dia seguinte estive em casa dos meus pais:

Pai: Ai Rita, cada vez que os alemães marcavam um golo só me lembrava ‘ai o meu genro ia gostar tanto de ver isto’. Se ele estivesse agora aqui contigo estava moer-me o juízo ‘então quer um alka seltzerzinho, ajuda muito na digestão’!

Dois dias antes de morrer o meu Paulo pediu há minha mãe para lhe arranjar a casa do botão de uns calções que ele adorava (metiam dó de tão velhos e gastos, mas ele não os largava por nada). Não se voltaram a ver. Já depois do funeral a minha mãe fez questão de os arranjar, lavar e passar a ferro:

Mãe: Foi a última coisa que ele me pediu e eu disse-lhe que fazia!

Não sei o que teria sido de mim sem os meus pais, neste último ano e meio.

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