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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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Desconfinar nos transportes públicos

Três semanas a utilizar os transportes públicos todos os dias para vir trabalhar.

Conto continuar a fazê-lo pelo menos mais uma semana, antes de gozar duas semanas de férias. Já vos disse que me soube pela vida voltar à minha rotina casa/trabalho… notei logo uma leveza na minha cabeça que não tem explicação, por isso quero continuar a sair de casa todos os dias.

Num comentário ao post anterior perguntaram-me se me sinto à vontade nos transportes públicos. Tem havido muitas notícias sobre os transportes públicos na área metropolitana de Lisboa. Parece que são os ‘culpados’ do elevado número de casos de Covid em Lisboa.

Se tenho medo? Não, se calhar porque tenho a sorte de morar no Barreiro e ter transportes com fartura.

Contudo, algumas coisas mudaram no meu comportamento:

  • Coloco a máscara ao sair de casa e já só a tiro quando chego ao destino.
  • Sempre que posso, faço parte do percurso a pé.
  • Evito a todo o custo tocar em varões, argolas, assentos, botões.
  • Procuro não me aproximar das outras pessoas e escolho lugares mais isolados.
  • Quando o barco chega ao fim da viagem deixo-me ficar sentada e sou das ultímas pessoas a sair.
  • Trago sempre comigo um frasquinho com desinfetante e a meio do trajeto borrifo as mãos.
  • Quando chego a casa a roupa que trago vestida vai toda para lavar e lavo as mãos com bastante água e sabão.

Sinceramente não tenho visto as enchentes que aparecem nas notícias. Consigo fazer as viagens, em hora de ponta, sempre sem pessoas sentadas ao meu lado. Reparo que as pessoas têm cuidado em escolher o banco para se sentarem e procuram não se amontoar, mesmo no metro. Não tenho a certeza, mas acho que os barcos da Soflusa estão já a fazer o mesmo horário que faziam antes da pandemia, o mesmo acontece com os autocarros dos TCB, pelo menos não tenho notado menor frequência.

Por isso, posso dizer que sim, sinto-me à vontade nos transportes públicos, não tenho receios!

Claro que continuo a assistir a cenas hilariantes (ou não fosse este o maravilhoso mundo dos transportes públicos), como a criatura que, dentro do autocarro, teima em ir de pé e não se segurar aos varões. O autocarro trava em passadeiras, em semáforos, contorna rotundas e aquela criatura a cambalear dentro do autocarro porque, já se sabe, o covid vive em abundância nos varões dos autocarros. De covid não morrerá de certeza, mas com um bocadinho de sorte ainda vai morrer de cabeça enfaixada no para-brisas dum qualquer autocarro da Carris…

Levar com a hipocrisia das pessoas, logo de manhã cedinho!

Barco das 7h35. Metade da lotação, mais coisa, menos coisa.

Entra um homem que fica ao meu lado de pé no corredor a mexer em sacos e chaves e panos… ainda pensei ‘então, mas vais ficar aqui a viagem toda?!’

Vai para a frente do barco e começa a esticar uma toalha no chão. O senhor era muçulmano e preparava-se para fazer as suas orações matinais no caminho para o trabalho.

Começo a ver várias pessoas com ar muito incomodado, a levantar-se dos seus lugares na frente do barco e a fugirem para a parte de trás (foi uma fuga… em passo apressado!)

Fizeram queixa ao marinheiro, porque o senhor em causa tirou a máscara. Estavam muito preocupadas com este atentado à saúde pública.

A oração, no seu total, não demorou mais de 10 minutos, o senhor entrou no barco com máscara, preparou tudo com máscara e quando saiu tinha a máscara posta. Não sei se se esqueceu de a colocar quando iniciou a oração, se tinha a intenção de fazer a oração completa sem máscara, mas assim que o marinheiro o chamou a atenção, ele colocou a máscara.

 

Ato contínuo…

O barco reduz a velocidade para fazer a manobra de aproximação ao cais em Lisboa… as mesmas pessoas muito incomodadas com um homem que estava a rezar baixinho sem máscara, foram todas para a porta do barco a 20 cm uns dos outros. No mesmo barco que tem um aviso vermelho na parede a pedir aos passageiros que se mantenham sentados até o barco estar atracado, porque é a altura da viagem mais propensa a acidentes.

Claro está que o marinheiro não viu necessidade de chamar a atenção das pessoas para manterem o distanciamento social!

Ainda gostava de saber quantos passageiros iam naquele barco que alegremente tiraram a máscara para poder falar ao telemóvel, ou para poderem organizar os fios os fones, ou para colocar batom nos lábios…

Será que as dezenas de pessoas que sempre vi a tomar o pequeno almoço no barco o deixaram de fazer, para não tirarem a máscara?

É sem público, OK?

Ontem ficámos a saber que vamos ter uma competição europeia de futebol a decorrer em Lisboa.

OITO JOGOS, entre as melhores equipas europeias de futebol.

Dizem que ainda não decidiram se os jogos vão ser à porta fechada.

...

Qual é a dúvida?

Mas ainda é possível haver dúvidas sobre esta questão?

É claro que vão ser à porta fechada! Só podem ser à porta fechada!

Não sei se se aperceberam, mas está mais que provado que a tragédia qua aconteceu na Itália e em Espanha tiveram na sua base dois jogos de futebol das competições europeias, que juntaram milhares de adeptos nas zonas onde, pouco tempo depois, a COVID explodiu.

Vamos lá ver se o povinho, o tal que se indigna por tudo e por nada, consegue vir para as redes sociais fazer pressão para não haver público nestes jogos. Já bem bastam as comitivas gigantes das equipas, que trazem desde o presidente do clube até ao apanha bolas…

Tenham juízo, criaturas!

(também li ontem que o Paddy já informou os tecnológico-coiso que em novembro vai haver Web Summit. Claro que sim... os sumiteiros lá se deixam intimidar por uma doençazinha como a Covid!)

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