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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Os pais? Onde estão os pais???

Ainda as aulas presenciais estavam a decorrer, um dia Sobrinha Mai’Linda diz:

- A X hoje adormeceu nas aulas…

- Adormeceu? Como assim, adormeceu?

- Contou-me que ficou a jogar até às 6 da manhã e depois quase não dormiu nada, antes de ir para a escola.

 

Já em regime de telescola, a miúda passa o dia a falar com os colegas, seja no computador, seja no telemóvel.

Mana Querida nunca foi muito rígida com horários de deitar, nunca foi daquelas mães que entende que os miúdos têm que estar na cama, impreterivelmente às 9 da noite. Agora que está em teletrabalho, pode dormir mais um pouco, a miúda só tem aulas da parte da tarde, por isso deixa que ela estique um bocadinho o horário de deitar… mas só um bocadinho.

Quando chega àquela hora que entende ser de desligar tudo, ali pelas onze da noite:

- Luísa, está na hora de desligar. Lavar os dentes, xixi e cama.

Começa o diálogo:

- Vou desligar… até amanhã!

- Olha a bebezinha… vai desligar! / Já vais para a cama é? / Nem pensar ir prá cama a esta hora… é que nem pensar!

A miúda olha para a minha irmã, que por esta altura já está à porta do quarto...

- Cá em casa temos regras! Até amanhã!

Enquanto desliga o telemóvel comenta baixinho… “agora ficam todos na conversa e a jogar até às 2 ou 3 da manhã…”

- Pois, mas aqui em casa não é assim. Nem agora nem quando tiveres crescido. O dia tem 24 horas. 8 horas para trabalhar, 8 horas para brincar, 8 horas para dormir. Dá para isto tudo!

 

Miúdos de 13 anos.

Os pais? Onde estão os pais destes miúdos?

Como é que fazem para conseguir deitar a cabeça na almofada e adormecer despreocupadamente sabendo que os filhos estão no quarto ao lado agarrados a um vício que lhes tira horas de sono?

Como conseguem ir para a cama, sabendo que os filhos não estão na cama?

Serão os mesmos pais que chegam às reuniões de encarregados de educação e apresentam protestos veementes contra o professor que não explica bem a matéria ou do exagero de trabalhos de casa que os professores passam?

Da série "coisas que me encanitam o espírito!"

Estar em casa em teletrabalho.

Ouvir o telemóvel a tocar e atender sem olhar (pensado que é a centésima chamada do dia de algum colega de trabalho).

Perceber tarde demais que é de uma operadora de telecomunicações.

Pensar “calma Rita, isto está difícil para tanta gente, deixa lá a pequena apresentar o serviço… da ultima vez até correu bem, tiraram 1€ ao valor da fatura…”

E a pequena começa a falar…

Que sou cliente já há muitos anos (e sou!) e, por ser cliente há tantos anos a operadora tem uma proposta fantástica para manter a minha satisfação com os serviços prestados … e blá, blá, blá… e dão mais não sei quantos canais de televisão e não sei quanto minutos de conversa móvel e mais uns quantos Megas de Internet… blá, blá, blá tudo por… mais 10€ por mês!

PUMBA, vai buscar!

Portanto, para premiar o facto de ser cliente FIEL há tantos anos, queremos agravar a tua conta em mais 10€.

Lá tive que explicar pela enésima vez que só aceito uma de duas propostas: o mesmo serviço por menos dinheiro / mais serviço pelo mesmo dinheiro.

O que tenho chega e sobre, por isso, querem fidelizar? Sim senhora... mas o valor total da fatura SÓ MEXE SE FOR PARA DESCER.

Eu sou só uma simples funcionária pública. Vocês que são altamente qualificados e dotados de um nível de inteligência muito superior ao meu, expliquem-me… que raio de estratégia de marketing é esta?

Este novo confinamento

As vezes que já abri está página e comecei a escrever qualquer coisa… e apaguei…

Não tenho nada para vos dizer.

Os meus dias são passados entre o quarto, a secretária, a cozinha, a casa de banho, a secretária, o sofá… o quarto… até à semana passada ainda ia almoçar com os meus pais todos os dias. Pelo meio dia, largava a secretária, vestia o casaco, punha a máscara e subia a rua.

Esta semana tenho que ir duas vezes a Lisboa… transportes públicos e várias horas num local com muita gente a circular. Por muita máscara e álcool gel que se utilize… o risco aumenta muito… nas próximas duas semanas, nem pensar almoçar com os meus pais…

A minha casa fica muito próximo do hospital do Barreiro… já reparei que as sirenes das ambulâncias são mais frequentes… ou então sou eu que estou mais alerta… preferia mil vezes o som dos altifalantes da proteção civil, do primeiro confinamento… “FIQUE MESMO EM CASA”.

Os casos de COVID rondam, cada vez mais perto. Família, colegas, conhecidos. Felizmente, sem gravidade.

Eu sei que não me posso queixar, sei que não tenho esse direito, mas cada vez é mais difícil sair da cama para mais um dia. Dei comigo um dia a falar com um colega ao telefone e quando desliguei, fiquei a olhar para o computador… “o que é que ele me pediu?!”

 Já fui à farmácia pedir umas ampolas para ver se o ânimo arriba um bocadinho e fico mais alerta.

Janeiro já passou (nunca um mês de janeiro passou tão rápido para mim).

Venha então fevereiro (esse só tem 28 dias…)

2020

A minha primeira reação, ao pensar neste ano que está quase a terminar, foi dizer que este foi um ano de m****!

Depois comecei a pensar e acho que não tenho o direito de o dizer. Se não fiquei doente, se nenhum dos meus ficou doente, se não perdi um ente querido, se mantive o meu trabalho e o mesmo nível de rendimentos (assim como todos os que me são mais próximos)… então não tenho o direito de dizer que este foi um ano de m****.

Não deixou de ser um ano difícil... acima de tudo acho que foi mais um ano em que a minha capacidade de aceitação e adaptação voltou a ser posta à prova.

Lembram-se deste post, escrito no final do ano passado?

Pois bem… comecei 2020 com a firme certeza que queria vender a minha casa.

Cheguei a encantar-me com um apartamento localizado no centro da zona de que gosto e marquei visita com o agente imobiliário que, quando soube o que eu tinha para vender, ficou encantadíssimo com a minha pessoa.

No dia anterior à visita, Mana Querida ao ver-me um bocadinho cabisbaixa, diz-me “… eu não te queria dizer nada, porque a vida é tua e fazes o que entenderes, mas… tu estás mesmo a considerar a hipótese de trocar a tua casa por um apartamentozito da década de 80, num 3º andar sem elevador… ‘tás parva?”

Desmarquei tudo e senti-me logo muito melhor!

E logo o Universo resolveu colocar-me à prova e pumba… eis que chega o BICHO. De um dia para o outro fiquei forçada a estar fechada semanas a fio, naquela que eu achava que não podia ser a ‘minha casa’, ainda por cima a fazer uma coisa de que não gosto nada, o teletrabalho.

Foi a minha prova de fogo. Não foi fácil, mas entre palpitações, tremeliques e algumas lágrimas, lá me resolvi a andar para a frente em vez de afundar: eu fico aqui, mas tenho que mudar TUDO!

Fui às minhas poupanças e fiz uma sala e um escritório novos. O bem que me soube entrar na loja e escolher tudo… o meu Paulo lá em cima no céu, deve ter ficado tão orgulhoso de mim!

2020 também foi o ano em que aprendi a dizer NÃO.

Pela primeira vez, em 6 anos, disse NÃO ao Melga. Custou-me muito, chorei tanto. Juro que naquela fração de segundo em que o NÃO se formou na minha cabeça, senti uma pontada no peito, mas quando o NÃO me saiu pela boca senti alívio. Ele não gostou de ouvir o NÃO, não estava habituado, mas teve que aceitar, lá no fundo sabia que me estava a pedir demais (acho que, para ele, também foi o ano em que começou a crescer).

E foi o ano em que, pela primeira vez, decidi não assinalar o aniversário da morte do meu Paulo aqui no blog. Curiosamente, foi também a primeira vez em que, nesse dia, tive momentos em que simplesmente não me lembrava que era o dia do aniversário da morte do meu Paulo.

É mesmo verdade… o tempo sara, acalma, apazigua.

Venha de lá 2021.

Já tenho a primeira resolução: começar a refazer as minhas poupanças!

O Natal este ano...

Nos últimos anos é costume sermos 12 cá em casa.

Somos todos vizinhos uns dos outros. Uns reformados, que estão quase sempre em casa, outros em teletrabalho, que estão quase sempre em casa, três jovens que vão à escola.

Ainda pensámos dividir o grupo em dois. Os jovens começaram logo a choramingar, os reformados ficaram de coração partido porque os jovens começaram a choramingar, as do teletrabalho ficaram tristes porque não iam conseguir matar a garrafa da ginjinha antes de comer o bacalhau (Natal do Barreiro começa com uma ginjinha antes do bacalhau, até o nosso Presidente sabe isso!).

Realizou-se uma Conference Call, que neste caso se pode traduzir por “Sra. Minha Mãe e Sra. Minha Tia sentaram-se no sofá a deliberar” (sim… nesta família são as velhotas que decidem).

Vamos ser 12 cá em casa… e seja o que Deus quiser!

Estamos todos conscientes dos riscos e combinámos tomar alguns cuidados:

- vamos reduzir ao mínimo indispensável o tempo que estamos juntos (Sr. Meu Pai e Sr. Meu Tio estão felizes da vida, este ano lá pelas dez da noite já devemos ter as prendas resolvidas e estarão a caminho das respetivas caminhas… as do teletrabalho estão felizes da vida, porque vão ter que despachar a garrafa da ginjinha não em cálices, mas em canecas);

- vou montar uma mesa ainda maior (que se lixe o ar remendado), para ver se nos sentamos mais afastados uns dos outros;

- vamos todos desinfetar as mãos ao entrar em minha casa e quem quiser pode estar de máscara;

- não vai haver buffet de entradas (daqueles em que todos mexem na mesma colherzinha do patê ou na mesma tacinha de frutos secos…);

- os bolos já vão para a mesa todos cortados, para não haver muita gente a mexer na mesma faca;

- os doces de colher, as bebidas e o azeite para o bacalhau serão servidos sempre pelas mesmas pessoas;

- ainda não sei como fazer para levantar a mesa (sabem aquele hábito “… passa lá os pratos aí do fundo” e os pratos passam de mão em mão e há sempre alguém que agarra nos talheres de todos e raspa o prato e vai fazendo uma pilha para levar para a cozinha?)… talvez fazer esta tarefa de luvas???

Vamos ser 12 cá em casa… e seja o que Deus quiser!

Comfy is the new black!

Já vos tinha dito que a minha relação com a roupa mudou muito com esta pandemia.

São várias as minhas peças de roupa que não viram a luz do sol nestas ultimas estações, porque estou em casa.

Comecei em março cheia de medo do que me diziam do teletrabalho… não nos podemos desmazelar, andar todas trongas, é preciso levantar de manhã e vestir roupa adequada ao trabalho, não é preciso pôr saltos e collants, mas é proibido ficar de pijama ou fato de treino.

Pois, pois!

Cheguei a novembro… basicamente já só tenho UM mínimo… não me sento a trabalhar sem soutien, de resto a minha regra é “se a parte de cima estiver apresentável para as videoconferências, não interessa muito o que tenho nas pernas”. Por estes dias já cheguei a ter uma mantinha nos joelhos... a bem da verdade, por estes dias até já fiz algumas reuniões virtuais com o meu robe vestido – aquelas onde só estão colegas, sem superiores ou gente de fora! - que esta minha casa não perdoa... geladinha que só ela!

Para minha grande tristeza dou por mim a comprar calças “com pelinho por dentro” e sweats e camisolas grossas de lã para o Inverno que se avizinha… às vezes ainda me entusiasmo por um vestido ou por um par de calças de vinco, que gosto tanto, mas largo… não vale a pena.

O que me vale é que mesmo as lojas que adoro, também estão a adaptar-se a esta nova filosofia. Agora todos os sites têm a secção do “Comfy” e mesmo as lojas físicas estão a mudar. Entrei com Mana Querida na Zara do Forum Montijo... 60% da roupa exposta eram calças de fato de treino ou de malha, camisolões e casacos de malha grossos, pouco se viam vestidos ou camisas.

Como acho uma roubalheira pedirem 40 ou 50 euros por umas calças “confortáveis”, estou a ficar profissional em lojas onde antes só entrava “se fosse mesmo preciso”, como aquelas grandes superfícies dedicadas ao desporto, onde consigo comprar as mesmas calças por… 10€.

É oficial, meus queridos, “Comfy is the new black!”

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