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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Estão a ver aquelas imagens dos comboios na Índia...

... carregadinhos de pessoas por todo o lado?

Com braços e pernas e cabeças a sair pelas janelas e pessoas sentadas no tejadilho?

Estão a ver?

...

Estão a ver o Metro de Lisboa?

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... para ser igual aos comboios de Bombaim!

Duas vezes na mesma semana, tive que esperar uns vinte minutos pelo metro da linha azul, às 8 da manhã!

Demasiado calor humano é que tenho para vos dizer. Preciso desabafar, pessoas!

...

E quando se apanha o metro pelas 6 da tarde, cheio como um ovo, e aparece o ceguinho que teima em pedir esmola de uma ponta à outra da carruagem?

E quando ceguinho ainda refila porque as pessoas não se desviam?

E quando as pessoas se desviam, por caridade, e têm que ficar naquele espaço entre os bancos, praticamente ao colo de quem está sentado, com malas e sacos e o caraças?

Alguém que explique a estas criaturas que, mesmo que um ser caridoso queira dar uma moedinha é fisicamente impossível conseguir chegar à carteira que está no bolso ou na mala! 

AI, CRISTO!

CHIIUU! Os sumiteiros não podem saber...

A semana da Web Summit vai a meio, pessoas. E quais são as minhas impressões?

Muito más, são muito más as minhas impressões.

Eu percebo que isto seja bom para a cidade, a sério que percebo. Numa altura do ano em que o turismo acaba sempre por decair um pouco, temos os restaurantes e os hotéis de Lisboa 'a bombar forte e feio’. Só para terem uma ideia, o hotel Ibis da Expo (para quem não conhece os Ibis são, por norma, hotéis mais baratos, quase low cost) costuma ter no placard eletrónico que está na rua, tarifas entre os 60€ e os 90€. Esta semana já vi 254€ (seria um engano?). Imagino os hotéis de 4 e 5 estrelas por esta cidade fora…

Parece que o ano passado, o resultado do inquérito de qualidade apontava para falhas no sistema de transportes. Parece que os sumiteiros não gostaram de ficar horas em filas para comprar bilhetes de Metro, por isso, este ano a organização está apostadíssima em garantir que essas críticas não voltam a acontecer. As luzes estão viradas para a capacidade de gestão do Metro de Lisboa que nós, tugas que vivemos e trabalhamos em Lisboa, sabemos estar nas lonas, não é?

Nós sabemos, mas os sumiteiros não podem saber!

...

Ontem saí do trabalho pelas 18h00. Entrei na estação do Oriente (linha vermelha) e estava instalada a confusão. Junto aos torniquetes estavam vários seguranças que não deixavam os passageiros chegar à plataforma. Percebi que a plataforma devia estar cheia e, por questões de segurança, só abriam os torniquetes quando o metro passasse. Ao longo da plataforma estavam vários seguranças para ‘garantir a segurança’ dos passageiros.

Hoje de manhã cheguei à estação do Terreiro do Paço (linha azul) eram 8h15. Quando estava a descer o último lanço de escadas saiu um metro. Pensei que o seguinte seria em 5 ou 6 minutos, o normal. Imaginem lá a minha cara quando vejo que o tempo de espera eram TREZE MINUTOS E QUARENTA SEGUNDOS.

Enquanto esperava, chegou outro barco e a plataforma encheu… muito. Não vi seguranças na plataforma para ‘garantir a segurança’ dos passageiros. Não somos sumiteiros.

Metro a abarrotar de gente. Chego à estação de S. Sebastião (onde a linha azul se cruza com a linha vermelha) e o cenário era outro. Ele era polícia e seguranças com fartura. O Metro saiu praticamente vazio, como acontece quase todos os dias (só encheu no Saladanha e na Alameda) o que me leva a acreditar que os tempos de espera nesta linha não sejam de quase 15 minutos, ou então tive sorte…

...

Outra coisa que me encanita o espírito, já há algum tempo, é o facto de todo o caminho da linha vermelha (a linha que serve a Expo e o Aeroporto), ter que levar com a mensagem ‘por favor, facilitem as entradas e saídas’ em português… SÓ em português.

...

Caros senhores do Metro,

fala-vos uma utente diária da linha vermelha. Caso não saibam, por norma quem atravanca as entradas e saídas das carruagens não são os tugas, são os TURISTAS, com a suas enormes malas de viagem e carrinhos de bebé (famílias inteiras), e por estes dias, são os sumiteiros, com as suas mochilas e tablets e olhar alienado.

Que tal investirem na tradução desta frase. O tradutor do Google, informa que é assim que se diz:

'Please, facilitate the inputs and outputs'

Acredito que não seja exatamente assim que se diz ..., mas não deve andar muito longe disto...

(se bem que os sumiteiros iam perceber na hora)

Aviso já: vou dizer asneiras

Dizia ontem uma blogger que costumo ler, que agradecia ao Sapo os destaques que teve em setembro e outubro, porque causavam autênticos ‘picos do Evereste’ no seu gráfico de visualizações. Já tive vários destaques no Sapo e estava convencida que também eu tinha alguns ‘picos do Evereste’ … mas não tinha, afinal não passavam de meras Torres da Serra da Estrela. Ontem é que tive, pela primeira vez, um verdadeiro ‘pico do Evereste’. Foi a loucura com o meu post sobre a Soflusa (mais de 2600 visualizações ).

Por norma tento levar a questão dos transportes públicos na brincadeira (nos posts ‘Só quem anda nos transportes públicos, me compreende!’). Gasto um total de 3 horas por dia nos transportes e, há muito me convenci que se não levar isto com alguma descontração a vida fica muito mais difícil (e já é tão difícil…).

Também tenho a noção que não tenho a vida que muitas outras pessoas têm… vivo sozinha, a minha única preocupação é sair de casa com tempo suficiente para conseguir chegar ao trabalho, no limite, às 9 horas, sem correrias, e no regresso, não quero nem saber, quando chegar, cheguei.

Mas muitas, muitas pessoas que se cruzam comigo todos os dias, não se podem dar este luxo, porque têm trabalhos precários, porque têm hora certa para deixar e tirar os filhos do ATL (se não pagam mais), porque têm que andar com os filhos pequenos nesta vida, como aquela mãe que atravessa o rio todos os dias com TRÊS crianças pequenas pela mão.

Foi por isso que me senti ofendida com as declarações daquela ‘Senhora’. São pessoas que não vivem neste mundo, que não olham para o lado. Estão tão habituadas às mordomias que os cargos lhes dão, que se esquecem que servem PESSOAS.

Nem de propósito, ontem no regresso a casa, mais uma ‘tourada’.

Pela primeira vez em muito tempo fiz o percurso, entre a Expo e o Campo das Cebolas, de autocarro. Apanhei o autocarro na Expo, por volta das 18h00 e cheguei à paragem de Xabregas às 18h20. Andámos meia dúzia de metros e parámos. Uma fila descomunal, tudo parado, carros da Polícia Municipal… ‘mas o que é que passa aqui’.

Lá conseguimos chegar a Santa Apolónia. Notava-se uma confusão, mas não conseguia perceber porquê. Mais uns metros e o autocarro foi forçado a parar por alguns polícias. Tivemos que sair todos do autocarro e fazer o resto do percurso a pé. PORQUÊ? Porque havia uma manifestação de várias forças de autoridade e estava montado um ‘circo’ em frente ao Ministério das Finanças. O trânsito estava CORTADO.

Cortaram o trânsito numa zona que é atravessada por milhares de pessoas, não só as que vão para a estação de Sul e Sueste (Barreiro), mas também as que vão para o Cais do Sodré (que serve os residentes de toda a linha ferroviária que vai para Cascais, mas também as pessoas que usam os barcos da Transtejo que seguem para o Montijo, Seixal e Almada). Conseguem ter uma ideia da confusão...

Pergunto: mas porque raio não fizeram a manif às duas da tarde? Porque é que escolheram O PICO DA HORA DE PONTA para fazer a concentração numa das zonas mais criticas de Lisboa? Não houve uma PORRA de uma entidade que dissesse ‘ok, façam lá a manifestação, estão no vosso direito, mas não a esta hora E neste local’.

Já disse que tento levar isto tudo com algum nível de descontração, mas ontem quando tive que sair daquele autocarro só me apeteceu gritar. Apeteceu-me agarrar naquela gente toda e afoga-los no rio. Sentia-me SATURADA, FARTA.

Sabem uma coisa, Srs das forças de autoridade… PUTA QUE VOS PARIU!

Recado à Sra. Administradora da Soflusa

Sou utente dos barcos da Soflusa (empresa de transporte público que assegura a travessia do Tejo entre o Barreiro e Lisboa, antigamente CP) desde que me entendo por gente. Comecei a ser utente diária quando entrei para a Universidade em 1990.

Desesperei nos barcos antigos, nos bancos de pau, que levavam, meia hora a fazer a travessia e ao fim do dia levávamos com o cheiro da comida que os tripulantes faziam para jantar, em cozinhas improvisadas nas proas dos barcos. Assustei-me com uns barcos que apareceram mais tarde (um deles era o ‘Tunes’), verdadeiras ratoeiras que à hora de ponta saiam do Barreiro com alguns 1000 passageiros a bordo e que ficavam inclinados no cais em Lisboa e as portas não abriam e ninguém conseguia sair do barco e agora desespero nos catamarãs com umas nesguinhas a que ousam chamar janelas porque era suposto terem ar condicionado… ter têm, mas nunca é posto a funcionar. Também era suposto fazerem a travessia em 20 minutos, mas como é preciso poupar combustível, reduzem a velocidade e levamos a mesma meia hora de antigamente.

Ora, mais uma vez a Soflusa está sem barcos suficientes para assegurar todas as carreiras (não me perguntem porquê, não me interessa o porquê, não quero saber de justificações). Esta semana tem sido uma ‘tourada’ conseguir apanhar um barco para Lisboa e de volta a casa.

Numa conferência de imprensa, que teve lugar em LISBOA, uma Administradora da Soflusa veio pedir aos passageiros que evitem fazer travessias nos barcos da Soflusa, entre as oito e as nove horas da manhã… para não se acumularem tantos passageiros nas estações.

Desculpe, como disse?

Cara Sra. Administradora,

tendo em conta que a conferência de imprensa foi em LISBOA, quer-me parecer que a Sra. Administradora não é uma utente regular dos transportes que administra, nem conhece, de todo, a realidade dos passageiros da Soflusa. Vou, por isso, demonstrar-lhe a verdadeira estupidez que teve a distinta lata de dizer aos utentes da Soflusa.

Os moradores do Barreiro (e de parte do concelho da Moita) têm duas alternativas à Soflusa:

Levar o carro todos os dias para Lisboa. Pode ser mais rápido, mas acredite, Sra. Administradora, não há muitos orçamentos familiares que suportem essa despesa. Diz-me a experiência de muitos anos que, no mínimo, são precisos 200€ a 250€/mês para combustível e portagens.

Utilizar o comboio da Fertagus (vulgo o ‘comboio da ponte’). O passe da Fertagus a partir de Coina (a estação mais próxima do Barreiro) custa 108,15€, montante ao qual é preciso adicionar 32,20€ para o passe dos Transportes Coletivos do Barreiro (TCB) ou então entre 25€ a 30€ para o estacionamento na estação de Coina. Tudo somado são cerca de 140,00€/mês.

O passe combinado que engloba os TCB, a Soflusa e o Navegante em Lisboa (Carris, Metro e CP) custa 60,90€.

Sou forçada a concluir que Soflusa tem a vida muito facilitada: explora esta linha fluvial sem qualquer concorrência (não há outra empresa de transporte fluvial a explorar a mesma ligação) e sabe que os passageiros estão garantidos (qualquer uma das alternativas significa aumentar a despesa para mais do dobro).

...

Não é preciso esforço, não é Sra. Administradora? Por isso, podem dar-se ao luxo de gozar o prato com os utentes. Tou mesmo a ver a conversa nos corredores dos escritórios em LISBOA:

- Olha, temos aqui dois barcos que precisam de ir para a revisão, não vamos conseguir fazer todas as carreiras… como é que vai ser?

- Não te preocupes, não faz mal, pedimos aos passageiros para terem paciência durante uma semana, e deixarem de vir entre as 8 e as 9 da manhã e tudo se resolverá.

Só quem anda nos transportes públicos, me compreende! #13

 

Entrei no autocarro ainda há pouco e oiço uma velhota, sentada com uma amiga nos lugares reservados, a falar alto e bom som:

'Estás doente?!!! Estás doente, mas nunca mais morres!'

Depois de mais umas frases, do mesmo calibre, consegui perceber que estava a falar do MARIDO...

Oh pá, o amor é lindo, não é?

 

Ao sair do autocarro ainda a consegui ouvir dizer:

'Eu não desejo mal a ninguém...'

NÃÃOOO! É uma alma pura e bondosa que ali está.

 

São momentos como este que me fazem ter pena de quem anda de carro para todo o lado, porque não tem acesso a cenas destas.

Que pena tive de não ter que seguir viagem. A debitar pérolas destas a esta velocidade, de Moscavide até ao Marquês de Pombal com certeza faria um lindo colar!

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