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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Outra vez as 'coincidências'

Não se fala em mais nada.

Anda tudo louco na mira de um bilhete.

Se o meu Paulo cá estivesse andaria na mesma loucura.

Ainda me lembro da loucura que foi conseguir um bilhete para ir a Alvalade e depois a Coimbra, mas conseguiu!

Se eu gostava de conseguir um bilhete?

A minha primeira reação foi... claro que sim!

Depois olhei para o calendário e a minha segunda reação foi... não sei, acho que não... sinceramente não sei.

 

Os U2, a banda preferida do meu Paulo (tantos CD's e DVD's lá por casa), vão atuar em Portugal este ano.

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Podia ser em qualquer estádio ou parque ou passeio...

... mas vai ser no Altice Arena... aqui mesmo ao lado do meu local de trabalho.

Podia ser em qualquer dia do ano...

... mas vai ser no dia em que faz quatro anos que eu estava a despedir-me do meu Paulo, o dia do velório.

Uma pessoa leva anos a aprender a controlar a dor e depois temos estas coisas pequeninas, estas 'coincidências' que mexem cá dentro...

 

O meu fim-de-semana foi, outra vez, de altos e baixos, outra vez, de lágrimas nos olhos e com noites mal dormidas.

E fico a pensar…

Hoje, depois de muito tempo, voltei a falar com um colega de trabalho do meu Paulo.

Hoje voltei a ter uma lembrança de uma vida que foi a minha vida durante 14 anos, mas já não é… à quase três anos e meio.

Coisas como ter uma conversa de 10 minutos ao telefone e ser posta em espera por duas vezes … ‘espera aí que tenho aqui uma chamada e tenho que atender’… antes ficava aborrecida, hoje só me fez sorrir.

Por breves momentos voltei a entrar no mundo do meu Paulo, voltei a sentir aquela inquietação, aquela loucura, aquela constante adrenalina em que ele vivia, os telefones sempre a tocar e as vozes constantes em pano de fundo.

Hoje fiquei a saber de tantas mudanças no mundo do meu Paulo… tanta coisa que já não está como estava… pessoas que saíram, pessoas que entraram… acho que é mesmo assim, a vida é mesmo assim… continua, mesmo quando não queremos, ela continua… e vai dando voltas e mais voltas… e nós só temos que nos adaptar.

Isto foi na hora do almoço.

Tenho andado toda a tarde a fazer o que me compete, mas lá no fundo da minha cabeça formou-se uma pergunta… e nos meus olhos já andam lágrimas outra vez…

 

… como seria se o meu Paulo ainda estivesse cá? Será que também teria mudado?

2017, em jeito de resumo

Comecei 2015 num estado completamente ausente. Quase catatónica.

Não me lembro de grande parte desse ano. No filme da minha vida, 2015 estará sempre envolto numa espécie de neblina.

Comecei 2016 a chorar muito, com saudades do meu Paulo.

O tempo continuava a passar, a vida continuava, mesmo. Tive tanto medo de o estar a deixar para trás.

Foi um ano de muita luta interior. Uma busca incessante pelo equilíbrio. Muito choro. Sabia que tinha que avançar, mas o passado ainda estava ali tão próximo...

Comecei 2017 com uma grande decisão.

Uma decisão completamente lúcida, pacífica. Tirei a minha aliança de casada.

Não sei porquê, mas acho que aquele gesto, naquele primeiro dia de 2017, acabou por marcar todo o meu comportamento ao longo do ano.

Não me posso queixar de 2017. Foi um ano bom.

Tive saúde, trabalho… tive todos os que mais gosto, comigo (até o meu Paulo).

Também foi um ano de aprendizagem (e não são todos?).

Finalmente, tive a lucidez suficiente para perceber, compreender o que aconteceu à minha família. Encontrei justificações. Encontrei novas formas de encarar o passado. E pacifiquei-me...

Tive algumas desilusões (ou apenas confirmações de coisas que já sabia, mas fingia que não sabia). Tive duas hipóteses: encará-las de frente ou voltar a afundar...

Preferi encarar de frente, encará-las como uma forma de crescimento.

Aprendi a não me deter em pormenores. Aprendi a relativizar. Aprendi a distinguir o essencial do acessório e se é acessório, então não tem o poder de me atirar ao chão.

Aprendi a seguir em frente e a levar comigo apenas o que me é essencial sejam pessoas, objetos ou recordações.

Aprendi a gostar mais de mim.

 

Em jeito de resumo, acho que este foi mesmo o meu ano de viragem.

Pela primeira vez, em muito tempo, sinto-me calma, equilibrada, em paz.

Especialmente nos últimos 6 ou 8 meses, sinto que, finalmente, começo a ser ‘eu’ outra vez.

É como se me olhasse ao espelho e voltasse a descobrir-me:

- Ahhh, afinal estás aí. Bem-vinda de volta!

 

IMG_20171215_142313.jpgNão sei o que será 2018 (nunca sabemos, não é?), mas sinto que será um ano de grandes decisões, o meu ano de avanço.

O ano em que vou, definitivamente, despir-me da Rita do passado.

 

Venha de lá então 2018!

Estou cá!

Pró que der e vier!

 

 

'Não gosto do Natal!'

Já ouvi esta frase muitas vezes.

Pessoas que fazem questão de dizer que não gostam do Natal ou que o Natal não lhes diz nada, porque perderam pessoas pelo caminho e com elas foi a sua alegria.

Há dias falava com uma colega sobre isto.

Dizia-me que, de há uns anos para cá, o Natal deixou de fazer sentido, precisamente porque faltavam-lhe pessoas à mesa.

Fiquei a pensar naquelas palavras e... confesso que não consigo entender.

 

Já aqui vos disse que, neste longo processo de fazer o meu luto, tive sempre uma permissa na qual acreditei e acredito profundamente: quem morre deixa-nos a maior das responsabilidades - continuar a viver.

O meu Paulo adorava o Natal. Era a sua festa. Principalmente nos anos em que calhava a Consodada ser na nossa casa.

Fazia questão de pôr a mesa. Chegava a estar duas horas só a pôr a mesa e velas acessas pela casa toda. Vibrava com a hora de abrir as prendas, gostava de ver a reação dos outros. Era sempre o último a abrir as prendas, só no fim, depois de ver os outros.

O primeiro Natal depois da morte do meu Paulo, não estava neste planeta. No Natal de 2015 fomos para casa de alguém, já não me lembro. 

O ano passado, pela primeira vez, tomei coragem e pedi à minha família para fazermos a Consoada na minha casa.

Adorei ter a casa cheia, tirar a minha loiça toda dos armários. Adorei voltar a ter VIDA na minha casa. Senti verdadeiramente que o meu Paulo havia de estar feliz por ver a casa cheia. Gostei tanto que este ano perguntei se queriam repetir.

 

- E não te custa, Rita?

Claro que custa. Custa sempre. Haverá sempre uma lágrima mais forte que vai teimar em rolar, nem que seja às escondidas.

Mas é aqui que entra aquela minha permissa: continuar a viver.

Vou consolar-me no facto de saber que todas as pessoas que se vão sentar na minha mesa, na minha casa, naquela noite, nem que seja só por um segundo, vão lembrar-se que falta ali uma pessoa, vão lembrar-se do meu Paulo.

Vou consolar-me com um ou outro momento que surja na conversa, onde se comentem peripécias ou gestos ou expressões do meu Paulo... e vão ouvir-se gargalhadas...

 

Cada pessoa é como é. Cada pessoa tem a sua forma de encarar o que lhe vai acontecendo na vida. Respeito isso.

Eu prefiro encarar desta maneira. É preciso nunca esquecer que temos os nossos pequeninos, que têm todo o direito de criar memórias felizes dos seus Natais de infância.

Se não fosse assim, pensem lá: se quem morre não celebra, se quem fica não celebra, porque quem morre não está cá... então não andamos cá a fazer nada, não é?

Só à noite é que penso

Como vos disse, no fim-de-semana de 25 de novembro fiz a minha árvore de natal.

Fiz questão de a fazer, mesmo depois de ter passado o dia todo às voltas com Mana Querida a fazer compras de Natal e ter chegado a casa de rastos. Era quase meia-noite quando a terminei.

Ainda chorei um bocado. Esta é sempre uma altura do ano difícil para mim. O Natal sem o meu Paulo ainda me parece uma coisa irreal. Não consegui deixar de ter aquela sensação que o tempo passa tão depressa… como é que já estava a fazer a árvore de natal sozinha… pela terceira vez?

Eu sei o que me deixou mais sensível.

...

Nesse fim de semana só se falava na morte daquele ator e do jornalista. O que me chamou a atenção foi o facto de ambos terem a mesma idade que o meu Paulo teria, se estivesse entre nós.

Não sei se deixaram mulheres e filhos, sinceramente não segui muito as notícias, não fui capaz, mas dei comigo a pensar nas viúvas.

Dei comigo a retroceder no tempo até àquelas primeiras semanas de viuvez.

Aquela sensação de anestesia, de dormência… o sentir que aquela pessoa já não está presente fisicamente, mas ainda a sentimos em tudo lá em casa… os medicamentos que ficaram na bancada na cozinha, os óculos e a carteira na sua mesa de cabeceira… a escova de dentes e o toalhão na casa-de-banho... e a cada coisa que tiramos do sítio sentimos que a aquela pessoa vai desaparecendo… vai-se diluindo…

Lembro-me tão bem de pensar ‘isto vai melhorar, não vai? É só uma questão de tempo… deixar o tempo passar… daqui a dois ou três anos já não vou estar assim, pois não?’

...

Todos se lembraram do ator e do jornalista… eu lembrei-me das viúvas e é para elas que quero dizer:

Vai melhorar. Não passa, mas vai melhorar.

O tempo que vai demorar a melhorar, só vocês sabem.

Agarrem-se a quem vos quer bem.

Não tenham medo de pedir ajuda.

Não tenham medo de chorar.

Não tenham medo de rir.

A minha viagem no mundo do ‘destralhanço’ #4

Vasculhar a cozinha / despensa

Acreditem, a cozinha/despensa pode ser um dos maiores antros de acumulação de tralha.

Foi quando destralhei a minha cozinha que mais vezes fiz figura de 'burrinha de carga', nas várias viagens para o ecoponto da minha rua. Vejam só o disparate:

  • Produtos alimentares que não se comeram, alimentos com data de validade expirada e temperos não utilizados ou antigos

É muito feio desperdiçar comida, eu sei... mas ainda é mais feio ter coisas em avançado estado de decomposição no frigorífico ou despensa, ok? Também descobri saquinhos de especiarias... cobertos de pó… bem pesado não sei se tinham mais pó ou mais especiaria!

  • Manuais de instruções de eletrodomésticos que já não temos

Neste capítulo, acho que me entusiasmei um bocadinho, troquei as mãos e... deitei fora o manual de instruções da minha máquina de lavar roupa… Seja o que Deus quiser!

  • Louça ou utensílios de cozinha que não utilizamos

Tipo aquele ralador manual que em 16 anos NUNCA FOI UTILIZADO (existem picadoras, não é?) ou aqueles copos mais antigos, ao estilo 'um de cada nação' ou aquelas tacinhas de vidro que não sabemos exatamente como é que foram parar lá a casa ou a coleção de frasquinhos com tampa que podem ser precisos para qualquer coisa... tudo a atafulhar os armários!

  • Pequenos eletrodomésticos que foram moda, mas não utilizamos

Tostadeira, máquina para fazer gelados ou iogurtes, fritadeira, espremedor de citrinos, faca eletrica (não sei do motor da minha à anos, mas a serrilha estava muito bem guardada na gaveta dos talheres, claro!) para não falar no flagelo de anos mais recentes, que atende pelo nome francês (chique!) de FONDUE... tenho um para a carne e outro para derreter chocolate...

  • Receitas desnecessárias

Mandei para o papelão um conjunto de livros de culinária que nunca utilizei! Nos dias que correm, se uma dona de casa prestimosa quiser uma receita nova de frango ou salmão, faz o quê, pessoas? Googla, não é?

  • Caixas de plástico, velhas, engorduradas, sem tampa, tortas
  • Frigideiras já sem o revestimento anti-aderente que estão lá no fundo do armário porque, entretanto, fomos comprando novas...

Cristo! O que não falta são lojas do chinês a vender caixas de plástico, bonitinhas, por tuta e meia. Aliás, estou a adotar o sistema de só usar caixas de plástico para as minhas marmitas, porque ando de transportes públicos e as caixas de plástico são mais leves. Em casa, progressivamente, vou passar a utilizar só caixas de vidro, porque nunca se põem feias.

...

Não pensem que fiquei com a cozinha vazia. Muito longe disso. Fiz uma grande 'limpeza', mas ainda tenho os móveis a abarrotar de loiça. Agora que terminei, posso concluir que deitei fora o que era descartável e coisas que nunca utilizei e que dificilmente vou utilizar.

Ainda tenho muita loiça guardada. O problema é que olho para um prato, uma travessa, uma caneca e lembro-me do meu Paulo... 'isto comprámos naquele passeio a Marvão, isto comprámos quando fomos à Lousã... isto comprámos em Sines' e, apesar de não utilizar, de não ter expectativa de vir a utilizar tão cedo, não sou capaz de me desfazer delas...

Ajudou-me muito tirar tudo dos móveis, fazer uma escolha e voltar a guardar, porque agora abro a porta do móvel dos pratos e a disposição da loiça já não é a mesma... deixou de ser a nossa cozinha e passou a ser a minha cozinha, mais adaptada às minhas novas necessidades. De tal forma que já tenho vontade de ir para a cozinha fazer as minhas marmitas para a semana, agora já não tenho que tropeçar nas frigideiras grandes (para 3 pessoas), agora só tenho duas frigideiras pequenas (para 1 pessoa).

Sinto que dei mais um passo!

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