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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Recado à Sra. Administradora da Soflusa

Sou utente dos barcos da Soflusa (empresa de transporte público que assegura a travessia do Tejo entre o Barreiro e Lisboa, antigamente CP) desde que me entendo por gente. Comecei a ser utente diária quando entrei para a Universidade em 1990.

Desesperei nos barcos antigos, nos bancos de pau, que levavam, meia hora a fazer a travessia e ao fim do dia levávamos com o cheiro da comida que os tripulantes faziam para jantar, em cozinhas improvisadas nas proas dos barcos. Assustei-me com uns barcos que apareceram mais tarde (um deles era o ‘Tunes’), verdadeiras ratoeiras que à hora de ponta saiam do Barreiro com alguns 1000 passageiros a bordo e que ficavam inclinados no cais em Lisboa e as portas não abriam e ninguém conseguia sair do barco e agora desespero nos catamarãs com umas nesguinhas a que ousam chamar janelas porque era suposto terem ar condicionado… ter têm, mas nunca é posto a funcionar. Também era suposto fazerem a travessia em 20 minutos, mas como é preciso poupar combustível, reduzem a velocidade e levamos a mesma meia hora de antigamente.

Ora, mais uma vez a Soflusa está sem barcos suficientes para assegurar todas as carreiras (não me perguntem porquê, não me interessa o porquê, não quero saber de justificações). Esta semana tem sido uma ‘tourada’ conseguir apanhar um barco para Lisboa e de volta a casa.

Numa conferência de imprensa, que teve lugar em LISBOA, uma Administradora da Soflusa veio pedir aos passageiros que evitem fazer travessias nos barcos da Soflusa, entre as oito e as nove horas da manhã… para não se acumularem tantos passageiros nas estações.

Desculpe, como disse?

Cara Sra. Administradora,

tendo em conta que a conferência de imprensa foi em LISBOA, quer-me parecer que a Sra. Administradora não é uma utente regular dos transportes que administra, nem conhece, de todo, a realidade dos passageiros da Soflusa. Vou, por isso, demonstrar-lhe a verdadeira estupidez que teve a distinta lata de dizer aos utentes da Soflusa.

Os moradores do Barreiro (e de parte do concelho da Moita) têm duas alternativas à Soflusa:

Levar o carro todos os dias para Lisboa. Pode ser mais rápido, mas acredite, Sra. Administradora, não há muitos orçamentos familiares que suportem essa despesa. Diz-me a experiência de muitos anos que, no mínimo, são precisos 200€ a 250€/mês para combustível e portagens.

Utilizar o comboio da Fertagus (vulgo o ‘comboio da ponte’). O passe da Fertagus a partir de Coina (a estação mais próxima do Barreiro) custa 108,15€, montante ao qual é preciso adicionar 32,20€ para o passe dos Transportes Coletivos do Barreiro (TCB) ou então entre 25€ a 30€ para o estacionamento na estação de Coina. Tudo somado são cerca de 140,00€/mês.

O passe combinado que engloba os TCB, a Soflusa e o Navegante em Lisboa (Carris, Metro e CP) custa 60,90€.

Sou forçada a concluir que Soflusa tem a vida muito facilitada: explora esta linha fluvial sem qualquer concorrência (não há outra empresa de transporte fluvial a explorar a mesma ligação) e sabe que os passageiros estão garantidos (qualquer uma das alternativas significa aumentar a despesa para mais do dobro).

...

Não é preciso esforço, não é Sra. Administradora? Por isso, podem dar-se ao luxo de gozar o prato com os utentes. Tou mesmo a ver a conversa nos corredores dos escritórios em LISBOA:

- Olha, temos aqui dois barcos que precisam de ir para a revisão, não vamos conseguir fazer todas as carreiras… como é que vai ser?

- Não te preocupes, não faz mal, pedimos aos passageiros para terem paciência durante uma semana, e deixarem de vir entre as 8 e as 9 da manhã e tudo se resolverá.

Coisas bonitas que se fazem na minha terra

Sim. O Barreiro está degradado. Muito degradado.

Sim. O Barreiro precisa muito de investimento em quase todas as áreas, mas vivemos tempos de dinheiro curto. As câmaras deste país estão sem dinheiro.

Mas ontem estive a ver o Boletim Informativo da Câmara do Barreiro e tive conhecimento deste projeto. São iniciativas destas que me fazem acreditar que, mesmo sem dinheiro, é possível fazer coisas bonitas e, desta forma, não custa tanto esperar pelo grande investimento.

ADAO (Associação de Desenvolvimento de Artes e Ofícios) e a Câmara do Barreiro lançaram o projeto ART IN TOWN (saibam mais aqui) que tem como objetivo transformar o espaço público em “galerias a céu aberto”.

Os primeiros resultados já estão à vista de todos:

 

Augusto-Cabrita-1079x720.jpgtota.jpg 

A primeira imagem é um mural de autoria de Sérgio Odeith. É uma pintura de tributo a Augusto Cabrita, numa empena com 25 metros de altura.

Caso não conheçam, Augusto Cabrita é um filho da terra, foi um fotógrafo, diretor de fotografia e realizador cinematográfico português, autor de capas de discos de Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Carlos Paredes e Luiz Goes. A sua estreia no cinema foi como diretor de fotografia do filme Belarmino, que retrata a vida do desportista Belarmino Fragoso.

A empena de tributo situa-se na zona ribeirinha do Barreiro, na Avenida da Praia.

A segunda imagem é um mural de autoria de Ricardo «Tota».

O trabalho foi inspirado numa fotografia de 1950 da autoria de Norberto da Costa e Silva. A empena situa-se no prédio da Rua Stara Zagora, junto ao Pateo Albers.

Quando houver mais para mostrar, vou publicar aqui para poderem ver as coisas bonitas que se fazem na minha terra.

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