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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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Outra vez o luto!

Já aqui vos disse que um dos textos com mais visualizações deste cantinho é ‘O luto. Durante quanto tempo?’. Está sempre na lista dos post mais vistos, apesar de não ser o post com mais comentários ou mais favoritos.

Este fim-de-semana recebi este comentário de uma senhora:

 

‘Os lutos das viúvas antigas não eram de 3 anos, mas sim para a vida toda. Dos homens não sei. Quando a viúva morre no caixão também vai de preto e em relação a eles a mesma coisa. Hoje as pessoas voltam a casar, deve ser complicado andar de luto com outro!!!’

 

Confesso que fiquei um bocadinho em choque quando li isto. Tenho andado aqui a digerir.

Digam-me, por favor, se entendi bem o que isto quer dizer? A senhora que fez este comentário acha que as viúvas devem permanecer de preto para o resto da vida e não devem voltar a casar? É isso???

...

Oh minha senhora! Por muito respeito que tenha pela sua opinião (até porque não a conheço), deixe-me que lhe diga uma coisa:

Há quase três anos, tinha eu 41 anos, perdi o meu marido. O meu Paulo foi o meu primeiro amor, era o meu maior e melhor amigo. Por muito forte que o choque tenha sido (tendo em conta que não tenho filhos, não consigo imaginar muita coisa que me possa vir a acontecer no futuro, que me desfaça as entranhas da mesma forma que a morte do meu Paulo), há uma coisa que eu sempre soube, desde o primeiro minuto: o meu Paulo, lá onde está, QUER QUE EU SEJA FELIZ.

Sabe porquê? Porque o meu Paulo amava-me e quem ama quer a felicidade do outro.

Vesti luto nos primeiros meses (não foi bem um vestir luto, foi mais vestir de escuro), mas não foi porque alguma convenção social me exigisse esse comportamento, foi simplesmente, porque era assim que eu me sentia bem.

A minha tristeza era tão grande, tão violenta, que simplesmente não conseguia ver-me com outras cores que não fosse o preto, o cinzento, o castanho, o azul-escuro. Depois, de forma muito natural, chegou o dia em que me vi ao espelho e não gostei do que vi. Já não suportava o preto, a escuridão, e, calmamente, comecei a vestir todas as cores (até hoje só tenho uma questão com o vermelho, mas até essa resistência será vencida, a seu tempo, não tenho pressa).

Tenho a certeza que o meu Paulo (que até gostava de me ver de preto) foi o primeiro a dizer ‘tira isso, já chega!’.

...

Quanto a voltar a casar? Olhe, não sei! Mas sei que não vou fechar essa porta.

Sabe, quando conheci o meu Paulo não estava à procura de alguém. A vida surpreendeu-me. O meu Paulo apareceu na minha vida de repente, de rompante, sem que eu esperasse.

Não estou à procura. Para já, não me apetece procurar ou estar disponível para outro companheiro, sinto que ainda não estou preparada. Estou bem assim, como estou agora. Mas quem sabe se, quando menos esperar não me aparece outro Paulo (acho difícil, mas não é impossível!) Sei lá se não volta a acontecer.

Tenho 44 anos, eu sei lá o que será a minha vida aos 54 e aos 64…

Se há coisa que já aprendi é que a vida tem formas estranhas de nos trocar as voltas e o que hoje é uma certeza, amanhã deixa de ser.

...

Minha querida senhora, quem morre deixa a maior de todas as responsabilidades a quem cá fica: CONTINUAR A VIVER.

Custa muito, leva o seu tempo, mas é possível voltar a sorrir (estou a falar em sorrir por dentro, porque por fora é mais fácil).

 

Oh, senhores, quantas mulheres foram sacrificadas a anos de uma vida sem objetivos, sem esperança. Anos de uma ‘morte em vida’.

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