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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Oh senhores da CP, tenham lá juizo!

Algures no passado mês de janeiro, perdi o meu passe (sim pessoas, décadas de vida a utilizar os transportes públicos e passes e foi preciso chegar à provecta idade de 45 anos para perder um passe, pela primeira vez!). Rapidamente tratei de pedir um novo cartão e o local mais à mão, que o fazia com urgência, era a estação de Santa Apolónia. Já não me lembrava da última vez que tivesse entrado numa estação de caminhos de ferro como aquela.

Realmente os antigos sabiam fazer as coisas. Aquele pé direito muito alto, as colunas, as bilheteiras com grandes vitrines, tudo em pedra, espaços amplos, o eco… há um certo romantismo no ar… até me deu vontade de comprar um bilhete e apanhar um comboio, um qualquer (e vocês sabem que não morro de amores pelos comboios). Depois cheguei ao Terreiro do Paço, à estação que sempre conheci como Estação de Sul e Sueste, e fiquei triste, quase revoltada.

Para quem não conhece, a velhinha Estação de Sul e Sueste, em Lisboa, em frente ao Ministério das Finanças, foi desenhada pelo arquiteto Cottinelli Telmo e data do início da década de 1930. Como não havia ligação ferroviária entre as duas margens do Tejo, era aqui que os passageiros apanhavam o barco para o Barreiro, para depois seguirem de comboio para o Alentejo e Algarve. No seu interior existem (ou existiam…) painéis de azulejos (se não me engano são azulejos Viúva Lamego) que representam os brasões de várias cidades do sul de Portugal.

estação1.jpgestaçao3.jpg

Está classificada como Monumento de Interesse Público… e está ao abandono.

Quando foram as obras de construção da estação de metro do Terreiro do Paço (lembram-se das notícias sobre o chão ter abatido?) começaram por retirar os painéis de azulejos, por questões de proteção do património. Com o tempo acabaram por fazer uma nova estação ao lado, sem piadinha nenhuma (basta dizer que as bilheteiras enormes da antiga estação foram substituídas por bilheteiras que funcionam numa espécie de contentor!)

O mesmo acontece com a estação ferroviária do lado do Barreiro. Quando finalmente decidiram eletrificar a linha do Sado, construíram uma estação nova (lá está, sem piada nenhuma) e ao lado está uma estação linda… ao abandono (neste caso, trata-se mesmo de um veradeiro atentado à história do Barreiro, que passa e muito pela história dos caminhos de ferro em Portugal).

estaçao-barreiro1.jpgestacao-barreiro2.jpg

Dizem que a velhinha estação de Lisboa vai ser recuperada para ser utilizada pelos turistas nos passeios de barco no tejo.

Pergunto:

Porque é que tem que ser para os turistas?

Porque é que não pode ser usufruída pelos milhares de passageiros que passam ali todos os dias?

Uma coisa é ouvir notícias sobre linhas e estações de comboio ao abandono em terras do interior, desertificadas. É uma pena, uma dor de alma ver aqueles edifícios tão bonitos (alguns com painéis de azulejos lindos) a cair aos bocados, mas neste caso, a linha de Sul e Sueste é utilizada por milhares de pessoas, todos os dias… porque é que desativaram as estações? Porque é que não podemos usufruir de um património que é nosso?

Que raio de país é este que não sabe aproveitar o que tem de mais bonito!

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