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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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O ‘nosso carro’

Como muitas famílias, eu e o meu Paulo vivíamos mês a mês, sempre com pouca folga, qualquer despesa extra transformava o mês num sufoco. Por isso, nas semanas que se seguiram à partida do meu Paulo, a minha grande preocupação foi reduzir a despesa.

Estava sozinha, não sabia se o banco ia exigir alteração do contrato de crédito à habitação (afinal de contas em vez de dois rendimentos, agora seria só uma pessoa a pagar) não fazia ideia de quanto seria a pensão a que teria direito da Segurança Social, andava muito nervosa e decidi que o melhor era vender o 'nosso carro'.

Tínhamos comprado carro cinco meses antes. De todos os carros que tivemos, nos 13 anos de casamento, aquele foi O carro que o meu Paulo adorou. Nos cinco meses que o conduziu disse, vezes sem conta, ‘gosto tanto deste carro’.

Eu não conduzo, a prestação era grande, a juntar às despesas inerentes a qualquer carro (selo, seguro, etc…),  em poucas semanas consegui vendê-lo a um stand.

Chorei muito (tanto!) no dia em que o foram buscar, fiquei a vê-lo sair da garagem com outra pessoa ao volante e foi como ficar a ver a minha vida a desaparecer, a desintegrar-se…

Aprendi uma grande lição nesse dia. Tomei consciência que tinha que ter calma. Não podia tomar mais decisões a quente. Foi a noite em que decidi que, por muito que custasse, ‘só daqui a um ano é que vais decidir se queres vender a casa’. Foi por causa desse dia, do que senti nesse dia, que levei tanto tempo a decidir transformar a 'nossa casa' na 'minha casa'.

...

E porque é que me lembrei disto agora?

Porque no sábado que passou, numa das minhas voltas com Mana Querida, parámos na entrada de uma rotunda, vejo um carro preto a passar, era do mesmo modelo do ‘nosso carro’, olhei para a matrícula e… era O ‘nosso carro’.

A culpa é desta minha cabeça, não consigo fixar uma cara à primeira (nem à segunda!), mas mostrem-me uma matrícula e dificilmente me sai da memória.

Não consegui deixar de sentir um aperto no peito. Um pedacinho da minha vida passada ia ali.

Andei estes dias a pensar na razão deste aperto no peito e, agora que já passaram quase três anos, a esta distância, consigo perceber o porquê.

Aquele carro não é um pedacinho qualquer da minha vida passada, é um pedacinho muito especial.

A compra daquele carro foi o último momento verdadeiramente feliz da nossa vida.

...

Não consegui ver quem o conduzia.

Acho que o meu subconsciente não quis saber se era homem, mulher, se estava uma família lá dentro, mas quem quer que seja que o tenha comprado, que seja muito feliz.

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