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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

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O meu amigo Renato e o exercício do seu direito de voto

Portugal, ano do Senhor de 2017.

Já vos falei do meu amigo Renato, por aqui… ou melhor falei no pai do meu amigo Renato, o Sr. Eurico que, de vez em quando, nos presentei com faustosos almoços.

Ainda não vos contei uma coisa que distingue o meu amigo Renato dos meus restantes amigos e colegas de trabalho: o meu amigo Renato é cego. Foi o primeiro bebé em Portugal a conseguir sobreviver a uma prematuridade extrema, conseguiu vencer muita coisa, menos a cegueira.

Já é meu colega há vários anos, mas só comecei a conhecê-lo melhor quando nos mudámos para a Expo. Já conhecia a sua fama de rapaz irrequieto. A primeira imagem que tenho dele é do dia da nossa mudança: andávamos todos num corrupio a montar postos de trabalho, os colegas da informática não tinham parança a ligar computadores. Já no final do dia, entro no espaço de outros colegas e vejo uma pessoa de gatas debaixo de uma mesa a fazer as ligações de um computador… era o Renato.

Tem uma memória absolutamente prodigiosa. Se ouve um colega a precisar de ajuda com qualquer coisa, oferece-se logo para ajudar. Tem uma capacidade de trabalho fora do normal. Debita artigos da legislação (artigo, número, alínea) com uma certeza assustadora. É a nossa agenda portátil quando precisamos de nos lembrar de alguma coisa: ‘olha eu recebi o teu mail no dia 22 de junho de 2014… acho que foi na hora do almoço… vê lá?’ Não falha!

Apesar de tantas guerras ganhas, o meu amigo Renato continua a ter que se levantar todos os dias e travar batalhas, algumas novas, outras… nem tanto.

Ontem o meu amigo Renato, como qualquer outro cidadão deste país, na posse das suas capacidades intelectuais, foi exercer o seu direito de voto. Apresentou-se na companhia da sua mãe, pessoa em que deposita a sua confiança para ser testemunha do seu voto.

Mais uma vez foi importunado pelo presidente da mesa de voto, que se queria SUBSTITUIR à mãe do meu amigo Renato e acompanhá-lo no momento do voto.

???

Ainda que a lei não regulasse este tipo de situações (que regula!), não será esta apenas uma questão de BOM SENSO! Sendo o voto um ato secreto, porque carga de água é que um invisual ia partilhar o seu voto com um desconhecido?

Somos uma democracia há 43 anos. Não faço ideia do número certo de atos eleitorais que já se realizaram neste país em 43 anos, mas já são bastantes, não é?

Há batalhas que já deviam estar arrumadas há muito tempo, não há?

 

Pergunto eu, humilde funcionária pública, que não percebe nada disto:

Não seria o caso da CNE investir na formação, já não digo de todos, mas pelo menos… no mínimo, dos presidentes das mesas de voto, nas semanas anteriores a cada eleição? Desde já deixo a minha contribuição para essa formação, transcrevendo parte do artigo da Lei Eleitoral para os Órgãos das Autarquias Locais (retirado do site da CNE):

Artigo 116.º - Requisitos e modo de exercício

  1. O eleitor afetado por doença ou deficiência física notórias que a mesa verifique não poder praticar os atos descritos no artigo anterior vota acompanhado de outro eleitor por si escolhido, que garanta a fidelidade de expressão do seu voto e que fica obrigado a sigilo absoluto.

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