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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não Salvador. Não era isso que devias ter dito.

Ambiguidade. Esta é a palavra que melhor traduz o meu serão de sábado. Por um lado gostei. Por outro não gostei.

Gostei MUITO que tivéssemos ganho o Festival da Eurovisão. Gostei mesmo.

Sou daquela geração que ficava todos os anos presa ao ecrã de televisão, naquela maratona de atribuição de pontos em três línguas, a esmorecer por ver sempre a nossa representação a ser ‘maltratada’.

Tantos anos a concorrer com músicas tão boas para acabarmos quase sempre humilhados, com resultados incompreensíveis. Anos com as vozes do Paulo de Carvalho, da Simone, do Carlos do Carmo, da Maria Guinot, anos com poemas lindíssimos do Ary dos Santos, a ficarem sempre do meio da tabela para baixo ou mesmo nos últimos lugares.

OBRIGADA, SALVADOR. Obrigada por teres restaurado a nossa esperança. Obrigada por nos teres proporcionado o serão tantas vezes sonhado. Pela primeira vez em décadas eu e tantos outros portugueses voltámos a ficar presos a um ecrã e presenciamos o que pensávamos impossível.

Mas depois, puseram-lhe o microfone nas mãos e não gostei NADA.

"Music is not fireworks, music is feeling!"

Tinha alguma razão em dizer isto, porque realmente 90% das músicas que ouvimos no sábado são fracas versões do que estamos fartos de ouvir todos os dias na rádio e televisão.

Mas a razão terminou aqui.

Não tinha o direito de o dizer naquele palco. Não tinha o direito de receber um prémio (e já era o terceiro que recebia naquele dia) e diminuir os restantes concorrentes. O que o Salvador fez ao dizer esta frase naquele lugar, naquele momento, foi o que estamos sempre a ensinar aos nossos filhos que não se deve fazer: esfregar a vitória na cara do adversário. Recebia o prémio, agradecia a quem entendesse e guardava as suas opiniões para as dezenas de entrevistas que vai dar nas próximas semanas.

Não. Não foi coragem, ou a capacidade de 'ser diferente'. Ser diferente não nos dá o direito a ser presunçoso.

A música, mais do que qualquer outra arte, é aquela forma de expressão que abrange toda a gente independentemente da sua formação, da sua origem. Na casa do Salvador, pelos vistos, dá-se primazia ao jazz (para mim, de todas os géneros musicais, é o mais difícil de aprender a gostar). Em minha casa, sou mais comercial, mas gosto de pensar que tenho um gosto musical diversificado, basicamente oiço o que me apetece, dependendo do meu estado de espírito: David Gilmour, Tina Turner, U2, Tom Jobim, Mariza, Sinatra, Andrea Bocceli, Xutos ou ‘Fados’, o filme de Carlos Saura (adoro!). Mas se me apetecer ir daqui até Viseu com o carro a bombar Quim Barreiros, Emanuel, Rosinha e companhia limitada, também vou (e canto a maior parte das letras), e também conheço pessoas para quem os grandes êxitos do momento são os artistas angolanos ou brasileiros (não gosto, mas fazer o quê!).

A música tem esta capacidade maravilhosa de se adaptar ao nosso estado de espírito, de nos fazer rir, chorar, arrepiar, de nos afagar a alma quando nos sentimos melancólicos, tristes e de nos ajudar a celebrar, festejar os melhores dias da nossa vida. O que seria de uma festa de casamento se a banda sonora se limitasse a músicas 'com sentimento'. Todos querem ouvir o 'apita o comboio' e o 'the roof in on fire', certo!

Não Salvador. Para uma pessoa que nos foi apresentada há meia dúzia de meses, como sendo humilde, doce e tudo e tudo, ficou-te muito mal dizeres isto.

O correto talvez fosse ‘a música não é SÓ fogo-de-artifício, é TAMBÉM sentimento’.

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