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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Mudar mentalidades, instruir a população

Tenho passado estes últimos serões a ouvir debates na televisão sobre os fogos deste verão. Também já li muita coisa pelas redes sociais. Ouvi e li muita coisa certa, mas também muito disparate (principalmente de gente que nunca pôs os pés numa aldeia).

Evitei, sempre, ouvir ou ler políticos. Tiram-me do sério os políticos e as suas politiquices. Tira-me do sério ver um partido cuja líder foi responsável pela chamada ‘lei do eucalipto livre’ venha agora com moções de censura ao governo, quando o que precisamos é de propostas, de ideias concretas que rapidamente ajudem as populações que estão a sofrer, propostas que possam efetivamente contribuir para as mudanças estruturais de que este país precisa.

...

O povo grita pela autoridade do Estado, reclama que o Estado falhou (sim, falhou em muita coisa, coisas de demais, neste verão), mas será que o povo sabe o que reclama?

O povo quer mais meios de combate a incêndios e melhor organizados.

Tem razão, mas sabemos que não podemos ter um bombeiro em cada esquina e aviões em todo os montes, não é? Podemos, sim, ter corpos de bombeiros, os chamados sapadores florestais, bem dimensionados, profissionalizados, bem treinados, bem equipados e instalados em pontos estratégicos do país.

Só que não nos podemos esquecer que, como ouvi dito por um profissional, num dos tais debates:

'Os fogos não se apagam com água... os fogos apagam-se pela ausência de matéria combustível’.

Depois de ver as imagens que vimos por estes dias, é muito fácil perceber isto, não é? Não há água, nem homens, nem equipamento suficiente que controle chamas furiosas, que correm metros e metros em poucos minutos. Qualquer bombeiro vos dirá que combater este tipo de incêndios só com mangueiras é puro suicídio.

Então, como é que se acaba com a matéria combustível?

Isso está nas mãos do Estado, sim, que deve criar mecanismos que balizem a atividade das pessoas, mas, acima de tudo, isso está nas mãos dos proprietários.

Lá vens tu com a limpeza dos terrenos…

a maior parte das pessoas vivem com reformas mínimas, não têm dinheiro para mandar limpar os seus pinhais!

As pessoas têm que se mentalizar que a propriedade dá DESPESA.

A maior parte de nós, para sermos proprietários de uma casa tem que pagar ao banco, tem que pagar o IMT, o IMI, o condomínio e se não o fizermos ficamos com dívidas que, em última instância, podem terminar na execução de património… então porque é que um proprietário de um terreno florestal pode simplesmente alegar que não tem dinheiro para limpar e… pronto.

Ensinaram-me há muito tempo que ‘quem não pode, arreia’. É aqui que entra o papel do Estado. A começar pelas Juntas de Freguesia que devem sinalizar estes casos junto das Câmaras, que devem propor ajudas/soluções a estes proprietários (vender, arrendar, ceder) e que, em última instância, devem ter mecanismos e autoridade suficiente para avançar com expropriações (rápidas, que não se arrastem nos tribunais), e, no entretanto, avança a Câmara com a limpeza do terreno, mas o proprietário fica com uma dívida.

Isto deve aplicar-se não só à questão da limpeza, mas também em situações de recusa em participar em eventuais redes municipais para construção de infraestruturas locais de defesa contra incêndios florestais (construção de represas de água, de estradões, etc…).

Da mesma forma, o Estado pode e deve avançar com a alteração das regras do direito das sucessões, de forma a que se evitem a partilha e o consequente rendilhar das terras, a partir de determinada dimensão. Por exemplo: um terreno com 100 m2, comprado hoje por uma só pessoa, daqui a duas gerações pode estar dividido por 3 ou 4 proprietários, tornando-o completamente ingovernável e sem qualquer rentabilidade agrícola ou florestal.

E não podemos deixar este tipo de decisões apenas nas mãos do Estado, que, neste país, sabemos bem, gira em torno de interesses políticos e de timings eleitoralistas. Temos que ser nós, o Povo, a exigir da autoridade que passem à ação, fazer pressão junto dos presidentes de Junta e das Câmaras, exigir que se tomem medidas concretas, no terreno.

...

Volto a perguntar: o Povo pede que se combata o fogo, mas será que sabe o que reclama?

O Povo das aldeias, o Povo que vemos nas imagens da televisão, está envelhecido. Cresceram com os seus pais para quem ter terras era uma questão de sobrevivência diária e, no fim da vida, não percebem porque têm que mudar a maneira de pensar.

Compete-nos a nós, os filhos e netos desse Povo que sofre, explicar-lhes que não basta COMBATER, que é preciso PREVENIR. Mostrar-lhes que combater fogos, passa pela prevenção.

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