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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

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Isto é Portugal, em 2017

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Em Portugal, no ano do Senhor de 2017, é preciso haver um despacho do Ministro da Saúde a intimar os hospitais a criar condições para que os pais possam acompanhar os seus filhos menores, dentro do bloco operatório até que sejam anestesiados.

Infelizmente, cá por casa, já passámos por uma situação destas por duas vezes com a minha sobrinha.

A primeira vez foi no Hospital do Barreiro. A miúda tinha uns 3 ou 4 anos e precisava extrair duas hérnias.

O procedimento adotado naquele serviço de pediatria passou por dar uma dose de atarax (acho que é isso) a cada miúdo que ia ser operado naquela manhã, com o intuito de os deixar meio sonolentos e não reagissem tanto quando fossem levados para o bloco. Só que deram o tratamento a todos os miúdos ao mesmo tempo. A minha sobrinha foi a última a entrar no bloco operatório naquela manhã, logo, quando a vieram buscar, o efeito do atarax há muito que tinha desaparecido. Resultado: a minha sobrinha foi ARRANCADA dos braços da mãe e levada aos gritos pelo corredor fora…

Dois anos depois, a minha sobrinha teve que fazer um cateterismo ao coração. Desta vez no Hospital de Santa Marta, em Lisboa. A minha irmã ainda se lembrava muito bem da cena do Hospital do Barreiro (e a miúda também…), por isso teve o cuidado de avisar a médica que não ia permitir que acontecesse novamente. Diz a médica:

- Credo! Não, não! Não queremos cá meninos aflitos.

Então explicou que naquele serviço de pediatria, sempre que possível, os meninos eram sempre admitidos à 2ª feira, para operados na 3ª feira. Porquê? Porque nas 3ªs feiras estão lá os Doutores Palhaços que ajudam a distrair os meninos. Depois a criança entra na área do bloco operatório acompanhada por um dos pais e é anestesiada na sua presença.

A minha sobrinha foi anestesiada ao colo da mãe, sem choros nem aflições, e quando acordou a minha irmã já estava ao pé dela novamente.

Ambos são hospitais do SNS. Ambos lutam com a conhecida falta de recursos. No caso de Santa Marta, as instalações são do mais velho e decrépito que se possa imaginar (a minha irmã esteve quase uma semana a dormir numa cadeira com alguns 50 anos, cheia de molas soltas).

Não deviam ser necessários despachos destes, afinal de contas está em causa apenas uma questão de bom senso… carinho… afeto pelas nossas crianças. Não são despachos destes que fazem os serviços, são as PESSOAS.

Mas, pelo menos agora, os pais já podem reclamar com mais segurança. Já podem contestar o facto de algum hospital não estar a cumprir as regras impostas pelo Ministério. E isso é bom.

 

Deixo uma história só para verem até que ponto as pessoas do Hospital de Santa Marta foram inexcedíveis:

Um dia a minha sobrinha deu conta que tinha perdido a chucha da sua boneca. Uma coisinha minúscula. A minha irmã lá procurou mas sem sucesso. Ao ver a tristeza da miúda, andaram todos, desde enfermeiras até auxiliares, de rabo para o ar à procura da chucha da boneca… até o cesto dos lençóis sujos foi revirado (infelizmente não se encontrou, era mesmo minúscula, mas a miúda soube que procuraram, MESMO).

Até hoje, a minha sobrinha vai à consulta daquele hospital sempre feliz e bem disposta (então quando a médica lhe disse que podia andar nas montanhas russas, até bateu palminhas - 'ai que bom!'). Já o Hospital do Barreiro, não gosta de passar nem à porta (oh mãe, tinhas que passar por aqui!?)

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