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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

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Este mundo estranho em que vivemos

Ontem ao serão dei uma olhadela na minha página do FB e vi este texto de uma colega de trabalho:

 

“Sou a pessoa mais despreocupada do mundo com a segurança, não gosto de panicar nem de generalizar...mas... hoje no corredor do metro de Bruxelas passou por mim um indivíduo com determinadas características físicas (daquelas que ninguém duvida donde são) com uma mochila às costas a murmurar algo e a benzer-se. Sim...pelos vistos ia só a rezar. Mas...a verdade é que dei por mim a acelerar o passo e só descansei quando já estava cá fora.”

 

Uma das competências do serviço onde trabalho são as Relações Internacionais, por isso tenho colegas que estão sempre com ‘a mala às costas’. Destinos como Bruxelas, Haia, Estrasburgo ou Paris são corriqueiros. Já ouvi alguns referirem-se à linha aérea Lisboa-Bruxelas como o ’56 da Carris’. Garanto-vos que é vida que não invejo…

Lembro-me da manhã do atentado no metro de Bruxelas. Todos os que chegavam aqui ao serviço tinham uma pergunta na ponta da língua: temos lá alguém? Tínhamos lá uma colega que, por mero acaso, não estava no metro áquela hora, porque naquele dia a reunião começava um pouco mais tarde que o costume.

Esta história da minha colega fez-me lembrar outra, que se passou comigo, aqui em Lisboa, numa viagem de barco no caminho para o trabalho.

Imediatamente antes do barco sair do Barreiro, sentou-se ao meu lado um rapaz. Nos primeiros minutos de viagem percebi que a música que ouvia nos fones tinha uma sonoridade árabe. Estranhei. Trazia o telemóvel na mão, junto ao colo. No ecrã do telemóvel apareciam textos escritos em árabe. Umas folhas com as margens muitos decoradas que, tanto quanto sei, podiam ser páginas do Corão. A somar a isto tudo, o rapaz trazia o casaco todo fechado e o capuz do casaco bem enfiado na cabeça…

Os minutos que se seguiram foram de medo. Não posso negar. Nunca os 20 minutos de viagem, que separam o Barreiro de Lisboa, me pareceram tão longos. Por muito que me quisesse convencer que era apenas um muçulmano a dizer as suas orações da manhã, da mesma forma que podia ser um cristão com um terço… mas…

Mas… é mais forte que nós…

No dia 11 de setembro de 2001 foi plantada a sementinha do medo e da desconfiança. Sabemos que temos a obrigação de não regar esta sementinha, não podemos deixá-la crescer, mas…

É um mundo estranho, este em que vivemos. Um mundo onde para sempre haverá um mas...

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