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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

E agora, pessoas…

…vamos ficar na mesma ou vamos mudar alguma coisa nas nossas cabecinhas?

Ainda sobre os incêndios, ontem vi uma entrevista, no telejornal da SIC, acho que a um professor universitário, que disse que era impossível gerir a floresta em Portugal porque são áreas muito extensas e muito divididas em parcelas ínfimas, detidas por particulares. Disse que quando um desses particulares decide não limpar a sua parcela deve ser responsabilizado pelos vizinhos, porque coloca em risco o que é seu, mas também o que é dos vizinhos. Disse também que só cerca de 2% da floresta portuguesa pertence ao Estado.

‘Não podemos pensar a floresta como há 50 anos, a vida mudou, a nossa relação com a floresta mudou’.

Isto fez-me recordar as coisas que via em miúda quando ia de férias para a terra da minha mãe: o meu avô Emílio a chegar num carro de bois cheio de mato para fazer a cama aos animais que estavam nos currais, as pilhas de lenha que havia sempre debaixo do telheiro para a minha avó cozinhar na fogueira que havia no chão da cozinha… e como os meus avós, dezenas de outras famílias faziam o mesmo.

Parte das terras e a casa que eram dos meus avós estão agora na posse dos meus pais. A casa já não tem currais e está equipada com um fogão a gás. O mesmo aconteceu com quase todas as casas à nossa volta. Há uns anos, os meus pais mandaram limpar uma parcela de pinhal. Ainda gastaram um bom dinheiro. Num dos nossos passeios pela aldeia passámos por essa parcela. Estava limpa, mas maioria das parcelas à volta estavam por limpar. E pensa Sra. Minha Mãe: ‘vou gastar mais dinheiro aqui, para quê? Está tudo por limpar à minha volta!’

Ontem também ouvi o final do comentário do Miguel Sousa Tavares que defendia uma intervenção com mão pesada das autoridades. Dizia qualquer coisa como:

‘O proprietário não limpa? Expropriação! O proprietário não quer integrar uma rede municipal de organização da floresta, com parcelamentos organizados, linhas corta-fogo? Expropriação!’

Não se iludam, pessoas!

Podem nomear comissões de estudo, conceber planos de ordenamento com as melhores práticas conhecidas no mundo… se não chegarem ao terreno com pulso forte, ficará tudo apenas no papel!

Num país onde uma família pode manter uma aldeia impossibilitada de passar de carro num caminho porque se recusa a ceder um metro do seu terreno, num país onde ainda se mata por causa de linhas de água para rega da horta, é o mesmo país onde as pessoas podem deitar por terra planos de ordenamento do território simplesmente porque se recusam a ceder um metro do seu pinhal para a construção de um estradão ou indignar-se com o abate dos seus pinheiros que estão a menos de 50 metros da estrada.

Nem vou falar dos presidentes de Câmara que vão fazer de tudo para não ficarem associados a este tipo de medidas, com medo que o seu partido nunca mais seja eleito naquele concelho.

Gostava muito de pensar que as imagens de tanto desespero que vimos por estes dias nas televisões fossem o suficiente para mudar mentalidades, mas estaria a ser inocente…

Estas imagens têm quase um ano. Foram tiradas à porta de nossa casa, lá na terra.

Foi a noite em que fomos para a cama vestidos, com as persianas abertas e faziamos turnos para espreitar e ver se a situação se mantinha controlada.

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