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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Arrebenta a bolha!

Corria o já longínquo ano de 2004, quando eu e o meu Paulo decidimos trocar de casa.

Sabíamos que era um passo grande, tínhamos as nossas contas feitas e plena consciência dos nossos limites. Decidimos avançar com a fase que, para nós, era a mais gira de todas, a fase que nos deu mais 'pica': VER CASAS.

Adorávamos ver casas. Era só ver um prédio com um sinal de ‘Vende-se’ e lá íamos nós.

Um dia andávamos pela Expo, na zona do Oceanário, e vendo tantos prédios em construção, num repente, disse: ‘Morzinho, vamos ver casas?’ ao que ele respondeu, ‘Tás louca… aqui?’

Tínhamos a perfeita noção que nunca, em circunstância alguma, teríamos capacidade financeira para ter uma casa naquela localização, mas lá fomos, VER.

Vimos dois apartamentos T3, em urbanizações diferentes, com as mariquices todas que estavam na moda: boas áreas, bons acabamentos, parqueamento, arrecadação, aquecimento central, roupeiros com fartura, mas SEM vista rio.

Sabia mais ou menos quanto estavam a pedir pelas casas na Expo, tive sempre o número 300 mil na cabeça, mas quando me informaram que o preço de venda eram 350 mil euros, engoli em seco e pensei ‘esta gente chuta-se com a seringa das farturas’.(*)

...

Este fim-de-semana andava eu pelo FB quando dou de caras com um destaque de uma imobiliária (lá está, continua o fetiche de VER CASAS) e confesso que quase me engasguei.

Então o destaque era um apartamento na zona da Sé, em Lisboa, completamente remodelado, acabamentos muito bonitos, tipologia T0. Para quem possa não estar familiarizado com estas terminologias, um T0 não é mais que uma casa de banho e uma cozinha. É suposto a pessoa criar uma área de convívio (vulgo sala) e uma área de repouso (vulgo quarto) na mesma área onde também fica a cozinha (num T0, a única parede interna é a que isola a casa de banho).

A área total deste apartamento eram uns estonteantes 49 metros quadrados e o preço… 300,000.00€.

...

E é isto, pessoas, entre 2004 e 2017 a malta, além da seringa das farturas, passou a fumar charros do tamanho de charutos… é que só pode.

Hoje, em Lisboa, pede-se 300 mil euros por um apartamento, para se poder ter o privilégio de dormir… na cozinha. O único bónus é que o espaço está mobiliado, não iamos pedir ao reformado francês ou inglês que tenha o trabalho de ir ao Ikea e ter que tratar de montar os seus próprios móveis, não é?

...

Não sou a única a pensar que isto não vai acabar bem, pois não?

 

(*) Acabámos por comprar um T3, no Barreiro, com as mesmas características, mas com vista rio, por menos de metade daquele valor… Pronto, é no Barreiro, ok! Mas posso sempre dizer que, em transportes públicos, a malta que vive na Expo leva mais tempo que eu, para chegar à Baixa de Lisboa… é uma maneira de ver as coisas como outra qualquer, não é?

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