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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

A vida continua

Há três anos, neste dia, estava a despedir-me do corpo do meu Paulo. Só do corpo, porque a despedida da alma ainda está em curso.

Foi o dia 0 duma nova vida que não escolhi.

Hoje, olho para trás e penso, ‘como é que chegaste até aqui?

Hoje, olho para trás e lembro-me daquelas primeiras semanas em que fazia o caminho do trabalho para casa sempre a chorar. Levava sempre um lenço de papel na mão e ia o caminho todo a limpar as lágrimas que teimavam em cair. De todas as horas do dia, esta era a que mais custava – o caminho para casa.

Hoje, olho para trás e lembro-me que o que mais me amedrontava era o facto de não ter uma vida, não ter rotinas e hábitos...

Hoje, olho para trás e vejo que já tenho essas rotinas, hábitos … já sei o que comprar no supermercado (lembram-se de vos contar que dei comigo perdida no supermercado sem saber o que comprar…).

Sei que estou muito diferente daquilo que fui, mas ainda não sei se mudei para melhor ou pior. Ainda não conheço bem esta nova Rita que ainda está zangada com a vida.

Esta nova Rita que não faz planos de vida para além dos seis meses seguintes e é-me impensável voltar a fazer depender a felicidade do facto de ter alguém ao meu lado.

Esta nova Rita é mais exigente em relação ao que recebe dos outros, nunca mais serei a Rita compreensiva, tolerante, boazinha.

Esta nova Rita é muito mais racional, o que, até certo ponto, é bom. Aprendi a respirar fundo, contar até 10, esperar, não dizer a primeira coisa que me vem à cabeça, no calor do momento.

Esta nova Rita aprendeu a desligar e afastar-se daquilo que a incomoda ou perturba. Aprendi a não dar ‘murros em ponta de faca’.

Esta nova Rita tem como lema de vida ‘raios me partam se me vou deixar morrer por causa do colesterol e tensão arterial e da diabetes’. Não é uma obsessão (até porque gosto muito de comer o chispe e os enchidos do cozido e outras coisas do mesmo calibre), mas agora, no dia-a-dia, sou um bocadinho maníaca dos rótulos e está fora de questão voltar a ter uma vida sem ir ao ginásio pelo menos duas vezes por semana (com exceção do mês de agosto que é sempre uma estragação!).

Não sei se o meu Paulo ia gostar desta nova Rita.

Se gosto da minha vida agora? Nem por isso. Ainda é uma vida um bocadinho sem sentido, sem objetivos… e não pensem que isto se deve ao facto de não ter filhos. Andei dois anos a tomar anti-depressivos e consegui largá-los… se tivesse filhos acho que nunca mais os largava (só a ideia de enfrentar um adolescente sozinha, punha-me de rastos).

Esta nova Rita aprendeu que não deve lutar contra o óbvio, sob pena de enlouquecer. Às vezes a vida ensina-nos que devemos ir ao sabor do vento, sem dar muita resistência.

Esta nova Rita já aprendeu que a ‘vida continua’, sempre de forma caprichosa. Mais cedo ou mais tarde, a vida vai dar mais uma volta… e a cada volta que dá, a nós, meros mortais, só temos que nos adaptar e... continuar.

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