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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

22 anos

Faz hoje 22 anos que terminei a minha licenciatura.

Foi um dia que ficou para a história (pelo menos para a minha história), não só porque terminei uma etapa da minha vida, mas também porque o meu sistema nervoso foi posto à prova como nunca antes e nunca mais depois (acho que, nem no dia em que me casei estava tão nervosa).

Por norma ficava uma pilha de nervos sempre que tinha que fazer uma oral, mas naquele dia estava muito para além da normal pilha de nervos. Parecia uma zombi.

Ainda sou do tempo em que era preciso amargar 5 anos na universidade, para fazer o curso de Direito. Também sou do tempo do boom das universidades privadas. Mais do que qualquer outra coisa, o que pesava nos meus ombros naquele dia era o facto de saber que tinha que passar, tinha que terminar o curso, porque a minha irmã estava à minha espera, porque os meus pais não conseguiam pagar duas universidades ao mesmo tempo.

Estava tudo feito, só faltava aquela cadeira do 4º ano, um dos cadeirões: direito comercial. Fiquei o verão todo a estudar. Para sair de casa (ver pessoas e o sol...), adotei o esquema de estudar todas as tardes, na Biblioteca Municipal do Barreiro.

Quando me sentei naquela cadeira de frente para a professora o suor escorria-me pelas costas, a boca seca como palha. A professora pediu-me para escolher um tema para começar e eu escolhi ‘falências’ e desbobinei tudo o que sabia sobre ‘o regime das falências e o plano Mateus’ (há coisas que nunca mais esquecemos).

Lá respondi às perguntas todas e saí cá para fora. Horas à espera que os restantes alunos fizessem a sua prova. O estômago enrolado, as mãos suadas. Finalmente, sai a nota… passei.

Os colegas à minha volta, todos do 4º ano, deram-me palmadinhas nas costas... parabéns, parabéns. Não fiz festa, não saltei nem pulei, não ri nem chorei (se a prova tivesse sido com os meus colegas de turma, talvez a minha reação fosse outra).

Fui direta à cabine telefónica que havia na entrada do edifício (não havia cá telemóveis…) e liguei para casa:

‘Mãe… já está… passei’.

Tinha 21 anos e fui a primeira pessoa da minha família a fazer uma licenciatura.

Dias mais tarde, fizeram-me uma festa, uma churrascada no terreno da minha tia Céu… somos assim, simplesinhos, basicamente qualquer coisa serve de desculpa para uma almoçarada!

Lembro-me de sair do edifico naquele dia e no caminho para a paragem pensar: já chega, não quero estudar nunca mais, sou estudante desde os 4 anos, estou farta de estudar. Agora só quero trabalhar (mal sabia eu… seis anos depois estava a entrar noutra universidade, com uma telha monumental, para mais dois anos letivos de especialização em ciências documentais).

Lembro-me da primeira vez que ouvi alguém tratar-me por ‘Sra. Dra.’, assim... de forma oficial (e de ter corado até à raiz dos cabelos) e também me lembro do dia em que tive que explicar no meu banco, que na minha certidão de nascimento não consta ‘Dra.’ como primeiro nome.

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