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Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Não sejas engraçadinha!

Como é costume dizer nestas lides "Este é um blog sobre tudo e sobre nada"

Fui consolar a minha pitoquinhas

Ontem baldei-me ao ginásio porque tive que ajudar a minha irmã a consolar a minha pitoquinhas.

Ontem saiu do dentista já com o primeiro aparelho para endireitar 'os dentinhos de coelho'. Foi apanhada de surpresa, pensava que só ía colocar em setembro. Estava a chorar com dores. O aparelho não é fixo e o médico disse que só pode tirar para comer. 

Estive sentada no sofá, com ela ao colo, a conversar baixinho, a explicar que era para o bem dela, que se fizer tudo como o médico mandou, no próximo ano letivo os meninos já não vão gozar com ela. Tinha que ser forte e nós estamos ali para ajudar. Como é que se convence uma menina de oito anos a manter uma coisa na boca que causa dor e dificuldade em falar. Aproximam-se tempos complicados, porque este é só o primeiro de vários aparelhos.

Hoje viemos as duas trabalhar e são os meus pais a ter que assumir o controlo da situação. Já se sabe o que é um coração de avó, não é? Manteiga mole.

Estamos mortinhas para que cheguem as férias para ver se ficamos todos juntos e mudamos de ares.

Enquanto não chegam, ficam as recordações do ano passado:

Verao2015(1).jpg

 

Verão2015(2).jpg

 

Uma pessoa não pode passar pelas brasas debaixo do chapéu que é logo alvo de tratamentos capilares da mais elevada qualidade. Andam as gajas todas a gastar rios de dinheiro em spas para ter o cabelo brilhante, leve e sedoso, mas eu não preciso. Tenho uma profissional privada que trata da minha saúde capilar como ninguém.

Beauté, Moreno, ponham aqui os olhos.

A propósito desta notícia

Noticia público2.png

(para ler notícia, clicar na imagem)

Na minha família apenas tivemos um caso de morte por cancro. O marido de uma das irmãs da minha mãe. Quando foi diagnosticado já era tarde demais. Morreu em 5 meses.

O cancro é uma doença horrível, mortífera, mas, graças aos constantes avanços da medicina, já não são assim tão raros os casos de pessoas que lutaram, conseguiram sobreviver e ficam em condições de fazer uma vida normal, ou muito próximo do normal.

Não estou aqui para atacar esta petição. Quem sou para o fazer. Mas a notícia fala em 'sobreviventes' e não em 'doentes' de cancro. Penso, então, que estamos a falar de pessoas que conseguiram 'matar o bicho' e estão em condições de fazer uma vida normal ou próximo do normal, não é?

Estou aqui para falar dos outros.

Os outros que não têm, nem nunca tiveram cancro, mas que sofrem todos os dias com doenças crónicas incapacitantes.

Os outros como o meu Paulo que viveu, desde os 20 e poucos anos, com a espondilite anquilosante, doença reumática que provoca dores no corpo 24 horas/dia e para a qual os médicos receitam anti-inflamatórios e recomendam nadar em piscina de água quente. As doenças reumáticas não são mortíferas como o cancro, mas são incapacitantes e esgotantes, física e mentalmente. Martirizam o doente e a família do doente. Estão sempre ali, presentes, a condicionar a vida de todos os interagem com o doente. E é para sempre.

O meu Paulo nunca faltava ao trabalho, no máximo chegava um pouco mais tarde, mas só nós dois é que sabiamos o que isso representava: um homem na casa dos 30, 40 anos a ter que pedir ajuda à mulher para sair da cama, para se limpar depois do banho, para atar os sapatos, porque as dores são insuportáveis e dobrar-se é um suplício.

Os outros como o marido de uma prima a quem, aos 20 e poucos anos, lhe foi diagnosticado Doença de Parkinson e que nunca mais teve condições para ter trabalho certo, a quem a Seg. Social negou ajuda apenas porque já tinha adquirido uma casa (antes do diagnóstico) e, por isso, é rico (quem é que neste país emprega uma pessoa que não consegue ter controlo sobre os movimentos do corpo?)

Porque é que estes doentes não têm direito a algum tipo de benefício fiscal. Nem o raio de uma tabela de avaliação de incapacidades, específica para doenças crónicas, existe neste país. As avaliações são feitas com a base na tabela criada para as doenças profissionais. Até o direito à isenção de taxas moderadoras no SNS lhes foi retirado.

No fundo, eu concordo com esta petição, mas não apenas para doentes ou sobreviventes de cancro, porque há quem tenha que fazer uma vida inteira com doenças bem mais massacrantes e debilitantes do que o cancro, para as quais a medicina não dá respostas capazes de aliviar a dor e o sofrimento.

O meu destino segundo o Facebook

Hoje fui ao meu FB pessoal e dei de caras com uma recordação de há um ano atrás. Era um daqueles testes manhosos que todos fazemos nesta rede social e que servem apenas para nos fazer rir.

A pergunta era: qual é o seu destino? Há precisamente um ano atrás o meu resultado foi:

Destino29-6-2015.png

Disse na altura que tinha acertado em cheio na idade com que me casei, errou completamente no número de filhos e adorei a previsão de anos de vida (se bem que não me importava nada de andar por cá mais tempo desde que lúcida e pelo meu pé).

Só para ver no que dava, resolvi repetir o teste, precisamente um ano depois. Temos o seguinte resultado:

Destino29.6.2016.png

Faço 44 anos no final deste ano e, pelos vistos, ainda vou ser mãe. Dado o avançado da idade prevê-se que tenha mesmo que trabalhar até perto dos 70, para criar a criatura, e perdi12 ANOS de vida! É bom que o gajo que ainda vai aparecer na minha vida venha 'montado na grana', porque dos 70 aos 93 vai ser para gozar à grande.

Eu e as minhas sinapses

Lembram-se de vos contado sobre aquela manhã em que saí para a rua com uma túnica vestida ao contrário?

Pois, ontem cheguei à conclusão que as minhas sinapses às vezes também não funcionam muito bem ao final da tarde.

Tomem lá mais um cromo para a coleção:

Neste fim-de-semana que passou eu e a senhora minha irmã fomos fazer aquilo que toda a gaja ama fazer nesta altura do ano: fomos aos saldos.

Entre as minhas aquisições contam-se uns óculos escuros (foi uma compra por impulso, confesso). Os últimos que comprei custaram uma exorbitância (5€), eram tão bons, mas tão bons que quando os fui limpar, pela primeira vez, os plásticos (não vou dizer lentes, seria uma ofensa) se soltaram das armações.

Estes custaram mais do dobro (si, foi um impulso de loucura!) e até me ofereceram uma bolsinha e um paninho para os limpar, uma categoria!

Ontem saí do trabalho e toda vaidosa, toda lampeira, na paragem do autocarro vai de tirar os óculos da bolsinha, limpar com o paninho e colocar os ditos, foi o momento fashion do dia, ok!

Como o meu autocarro nunca mais aparecia, resolvi apanhar o primeiro que passou para ir até à estação de metro mais próxima. Sempre com os óculos postos. Só quando já estava no cais do metro resolvi guardar os ditos na bolsinha e só nesse momento reparei que numa das 'lentes' ainda estava aquele selinho de plástico transparente com a informação 'CE' e dos UV's...

Por este andar acho que a Sarah-Jessica Parker nunca me vai pedir conselhos de estilo, pois não?

Também eu vou falar do jogo de Portugal

O que percebo de futebol é que são duas equipas e ganha a que marcar mais golos na baliza da equipa adversária PONTO.

Já o meu Paulo era o oposto. Benfiquista até à medula óssea, vivia o campeonato ao segundo (aliás, OS campeonatos: o português, o inglês, o espanhol, o italiano). Às vezes eu queria sair e ele ficava parado a olhar para mim e eu percebia logo:

Paulo - Ohhh morzinho! Hoje à tarde joga o XXX contra o YYY. É um ganda jogão!

Eu - Nem que fosse o ‘Mija na Escada’ contra ‘Alguidares de Baixo’, para ti é sempre um jogão.

Paulo - Não sejas engraçadinha!

Eu saía com a minha irmã, ele ficava a ver o jogão e tudo se resolvia.

Vocês ainda não sabem, mas eu vou-vos contar: o meu Paulo via televisão sentado na varanda da sala (era preciso chover picaretas para ele não estar na varanda). Era daqueles que prendia nas janelas bandeiras/cachecóis do Benfica ou de Portugal durante os campeonatos.

Se o Benfica ganhava (ou Portugal) o meu Paulo gritava a plenos pulmões naquela varanda e o gato saía espavorido pela casa fora com o susto:

- Gato! Tu não és do Benfica, animal!

Se o Benfica perdia:

- Cambada de coxos! Se fosse comigo, no fim do jogo, iam subir e descer as bancadas do estádio 10 vezes!

Vou-vos poupar aos nomes que ele chamava ao JJ, nesses dias.

Resumindo, em dias de jogo havia sempre tourada na minha casa.

Por isso, neste sábado, quando Portugal marcou o golo da vitória naqueles minutos finais do jogo, ouvi a festa na rua e dei-me conta do silêncio na minha casa.

Lá fora havia festa e em minha casa eu chorava, porque mais uma vez dei-me conta da saudade que tenho do meu querido Paulo.

Desde que ele partiu o Benfica foi campeão duas vezes e Portugal está nos quartos-de-final do Campeonato da Europa e o meu querido Paulo não está cá para ver.

E a velha pergunta voltou para me assombrar: Porquê?

quaresma.jpg

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